Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Dólar sobe 0,83%, a R$ 1,828, com aversão ao risco

Estadão

28 de março de 2012 | 17h48

Silvana Rocha, da Agência Estado

A aversão ao risco que derrubou as Bolsas de Valores e os preços de commodities hoje também deu impulso ao dólar no mercado de moedas. Mas a moeda norte-americana valorizou-se bem mais ante o real do que em relação a divisas de outros países exportadores de commodities, a exemplo do Brasil. O ajuste positivo de preço aqui foi acompanhado de um forte aumento de negócios. O fluxo cambial aparentemente positivo pela manhã foi absorvido pelo Banco Central, via leilão de compra à vista. Além disso, houve demanda preventiva de moeda por tesourarias de bancos, disse o gerente da mesa de derivativos de uma corretora.

O dólar à vista fechou na cotação máxima no balcão, a R$ 1,8280, alta de 0,83%; a mínima mais cedo foi de R$ 1,8170 (+0,22%). Na BM&F, o dólar spot avançou 0,82%, a R$ 1,8257. O giro total à vista registrado até 17h05 na clearing de câmbio da BM&F somava US$ 3,474 bilhões (US$ 3,225 bilhões em D+2) – cerca de 265% maior que o da véspera.

A principal razão apontada pelos profissionais do mercado local para a firme valorização do dólar ante o real é que as medidas já adotadas e as insistentes ameaças do governo com novas ações mudaram as expectativas de que poderia haver uma avalanche de recursos estrangeiros para o País no futuro próximo. Na quarta semana deste mês, o fluxo cambial efetivo já foi negativo em US$ 306 milhões. “O impacto mais forte das medidas adotadas até não é tanto sobre a formação de preço do dólar, mas sim sobre as expectativas do mercado. Quando se forma consenso de que haverá menor ingresso de capital no País e que o governo e o BC continuarão atuando com novas ações e leilões, a fim de enxugar o fluxo favorável e evitar a apreciação do real, o próprio mercado ajusta posições demonstrando uma postura defensiva”, explicou um operador de tesouraria de um banco.

Nesta quarta-feira, o fluxo cambial foi positivo pela manhã, motivando a realização do leilão de compra do BC, segundo as fontes consultadas. Como essa operação de compra “secou” a oferta de moeda à vista após a intervenção do BC e houve demanda por moeda pelas tesourarias de bancos à tarde, o preço do dólar sofreu correção adicional na sessão vespertina.

No mercado futuro, às 17h10, o dólar abril 2012 subia 0,25%, a R$ 1,8285, com giro financeiro de US$ 22,502 bilhões – 29% superior ao da véspera. Esse aumento do volume de negócios reflete ainda o início das rolagens de contratos futuros de dólar, uma vez que o vencimento abril 2012 se aproxima.

Este contrato vence no próximo dia 1º, mas será liquidado no dia 2 de abril com base na taxa Ptax desta sexta-feira, dia 30 de março.

Outro indutor do avanço interno foi a manutenção da alta da moeda no exterior durante à tarde. Por lá, os indicadores norte-americanos piores do que o esperado e preocupações renovadas com a economia chinesa estimularam a busca de proteção no dólar. Nos EUA, as encomendas de bens duráveis subiram 2,2% em fevereiro, abaixo da alta de 3% prevista pelos analistas; e os estoques de petróleo do país subiram mais do que o previsto: 7,102 milhões de barris na semana encerrada em 23 de março, para 353,39 milhões de barris, muito acima do aumento de 2,2 milhões de barris esperado.

Tudo o que sabemos sobre:

dólar

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: