Dólar sobe 1,31%, a R$ 2,172, e se mantém no maior nível em 4 anos; BC intervém no final

Bianca Pinto Lima

17 de junho de 2013 | 17h10

Texto atualizado às 17h50

O dólar iniciou a semana em forte alta, renovando as máximas ao longo do dia, o que fez com que o Banco Central (BC) anunciasse uma intervenção no mercado futuro já próximo ao fechamento da sessão. A moeda norte-americana fechou em alta de 1,31%, cotada a R$ 2,172, e se manteve no maior patamar ante o real em quatro anos.

A divisa superou este valor pela última vez em 30 de abril de 2009, quando alcançou R$ 2,188. Por volta das 16 horas, a moeda chegou a ser negociada a R$ 2,178, em alta de 1,59% – na máxima do dia. Em um mês, o dólar acumula valorização de 6,58%.

Próximo ao encerramento da sessão desta segunda-feira, o Banco Central anunciou um leilão de swap cambial – o equivalente à venda de dólares no mercado futuro (leia mais ao final do texto). No total, foram vendidos 39,1 mil contratos com dois vencimentos, que somaram US$ 1,95 bilhão.

Desde 31 de maio, o BC realizou sete leilões de swap cambial, dos quais quatro apenas nos dias 10 e 11 de junho. A venda total de swap cambial até agora somou cerca de US$ 8,5 bilhões.

À espera do BC dos EUA

A previsão nas mesas de câmbio é de que a cautela deve predominar até esta quarta-feira, quando haverá a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). As dúvidas se as compras de bônus pelo Fed começarão a ser reduzidas já ou apenas em setembro deixam os investidores em âmbito global na defensiva.

“Se o Fed sinalizar que vai demorar um pouco mais para retirar os estímulos à economia pode ser que haja uma melhora no fluxo de capital, o que atenuaria a pressão de alta sobre o dólar. Caso contrário, a pressão tende a se tornar cada vez mais consistente e o BC terá então de fazer ofertas mais pesadas de swap para atender o mercado futuro”, afirma Sidnei Nehme, da corretora de câmbio NGO.

Segundo Nehme, a perspectiva para as contas externas do Brasil é ruim e a ação do governo limitada. “Temos uma situação (interna) ruim e não temos muita solução, então estamos na dependência da decisão lá fora”, completou.

Impacto na inflação

Além do Banco Central, a Fazenda também tem agido para conter a alta do dólar. Na última quarta-feira, o ministro Guido Mantega extinguiu a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em derivativos cambiais.

A tributação, que vigorava desde julho de 2011, era classificada como “disfuncional” por diversos analistas, à medida que servia como uma trava para maiores posições vendidas (de aposta na queda do dólar) no mercado futuro. Sem a barreira, o dólar ficou, em tese, mais livre para oscilar, principalmente para baixo.

Mas isso ocorreu apenas na quinta-feira, na sequência do anúncio. Na sexta a divisa voltou a subir, movimento que se repetiu nesta segunda.

O governo tem demonstrado preocupação com a alta da moeda, visto que um dólar alto significa importações mais caras, o que pode pressionar a inflação. Na última ata do Copom, divulgada no dia 6 de junho, o Banco Central já falava da tendência de apreciação do dólar.

“No período entre as reuniões, o dólar valorizou-se ante as principais moedas, movimento favorecido pela expectativa de antecipação da retirada de estímulos monetários por parte do Federal Reserve (Fed), e pela redução da taxa básica de juro na zona do euro”, afirmava a ata.

Entenda o swap cambial

Trata-se de uma troca oferecida pela autoridade monetária aos investidores por meio da venda de contratos em leilões no mercado. No swap cambial tradicional, o BC oferece ao investidor receber remuneração em juro, em troca da remuneração em dólar. Como cada uma das pontas se compromete a pagar a oscilação de uma taxa, se a variação do juro for maior que a do câmbio no período de vigência, o investidor receberá mais do que precisará pagar.

(Com informações da Agência Estado)

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