Dólar sobe no Brasil, apesar de Fed ter acalmado mercados no exterior

Estadão

28 de junho de 2013 | 09h13

(Texto atualizado às 12h51)

Stefânia Akel e Silvana Rocha, da Agência Estado

Os mercados cambiais estão a caminho de encerrar a semana em um tom mais calmo, após diversas autoridades do Federal Reserve aliviarem os temores de que o banco central norte-americano começará a reduzir suas compras de ativos mais cedo em vez de mais tarde.

No Brasil, porém, a moeda continua a se valorizar, mesmo com a intervenção do Banco Central. Nesta sexta-feira, a moeda subia 1,18% às 12h51, cotada a R$ 2,209. Segundo especialistas, a briga entre investidores “comprados” em dólar e “vendidos” está acirrada desde o começo do mês e nesta sexta-feira quem está comprado pressiona mais a cotação.

O Banco Central realizou dois leilões de venda de moeda no mercado futuro, com o objetivo de conter a alta do dólar. No segundo leilão de swap cambial (venda no mercado futuro), foi ofertado o lote de até 40 mil contratos de swap cambial referenciados na taxa Selic, distribuídos entre dois vencimentos: 1/10/2013 e 1/11/2013. O volume financeiro total da venda somou cerca de US$ 1,986 bilhão.

Exterior

O euro se manteve próximo da estabilidade, em torno de US$ 1,3050, enquanto as moedas dos mercados emergentes, incluindo a rupia indiana, permaneceram em níveis mais fortes ante o dólar do que os dos últimos dias.

Os comentários de William Dudley, presidente do Fed de Nova York, e do dirigente do banco central Jerome Powell – ambos votam no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) – deram mais impulso deram mais tranquilidade aos mercados ontem e impulso ao dólar. Ambos comentaram a reação dos mercados após o comunicado do Fomc e a coletiva de Bernanke na semana passada. Dudley afirmou que os mercados estão errados em pensar que um aperto na política monetária está mais perto e Powell disse que “os ajustes do mercado foram maiores do que seria justificado em qualquer avaliação razoável do caminho da política monetária”.

O presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, que não tem poder de voto no Fomc, também discursou ontem. Ele afirmou que o banco central vai manter sua política monetária muito acomodatícia por anos.

Na sessão de hoje, mais um trio do Fed vai discursar: o diretor Jeremy Stein (que vota no Fomc); o presidente do Fed de São Francisco, John Williams; e o presidente da distrital de Richmond, Jeffrey Lacker. Os dois últimos não têm poder de voto.

“O Fed está tentando acalmar as expectativas do mercado em relação ao momento do aperto monetário, o que deve fornecer algum alívio aos mercados. No entanto, acreditamos que isso será temporário e mantemos nossa visão de que a recuperação do dólar será estendida no médio prazo”, disse Hans Redeker, estrategista do Morgan Stanley.

O dólar também deve receber algum apoio hoje, na medida em que gestores de portfólio conduzem ajustes de fim do mês em suas posições cambiais. O Barclays acredita que isso será levemente positivo para o dólar. A moeda norte-americana vem sendo negociado em torno de 99 ienes.

Fonte: Dow Jones Newswires. 

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