Dólar tem leve alta em sessão volátil com tensão sobre rolagem de swap e Draghi

Estadão

27 de julho de 2012 | 17h13

Nalu Fernandes

SÃO PAULO – Em um dia de forte oscilação, o dólar à vista no mercado de balcão fechou em leve alta nesta sexta-feira, na contramão do movimento da divisa ante moedas com elevada correlação com os preços das commodities. O ânimo dos investidores no exterior, com a perspectiva de estímulos à economia por parte dos bancos centrais globais, manteve a moeda em queda na primeira parte da sessão, mas comentários não oficiais relacionados à possibilidade de não haver rolagem de contratos de swap com vencimento em 1º de agosto fizeram a moeda inverter o sinal à tarde, passando a operar entre leves altas e baixas.

Os investidores têm aguardado a rolagem de US$ 4,750 bilhões em contratos de swap cambial, operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro, com vencimento em 1º de agosto. No meio da tarde, conversas no mercado davam conta de que o BC teria optado por não efetuar tal operação, mas a assessoria do banco informou que a eventual rolagem pode ocorrer até o dia 31 de julho. Antes do esclarecimento do BC, agentes financeiros estimavam que a operação poderia ser concluída até 1º de agosto. Vale notar que em 3 de setembro há outro vencimento de US$ 4,450 bilhões. E, em 1º outubro, há vencimento com US$ 1,8 bilhão em swaps cambiais.

O dólar à vista fechou a R$ 2,0240 no mercado de balcão, com leve alta de 0,05% nesta sexta-feira. Na máxima, o dólar foi a R$ 2,0280 e chegou a R$ 2,0140 na mínima. Na semana, o dólar tem recuo de 0,05% e sobe 8,29% em 2012.

Na BM&F, a moeda spot fechou em R$ 2,0210, em declínio de 0,05% (dado preliminar). O giro financeiro total somava US$ 2,029 bilhões (US$ 1,775 bilhão em D+2) perto das 16h30. Em torno do mesmo horário, a cotação do dólar para agosto de 2012, contrato que será liquidado no próximo dia 1º, marcava R$ 2,024, com alta de 0,07%, mantendo-se no nível da moeda à vista. O movimento é considerado usual perto do encerramento do mês, diante da rolagem de contratos futuros. O dólar para setembro de 2012 estava em R$ 2,035, estável (0,0%), começando a ganhar mais liquidez.

Um operador observa que a não rolagem dos contratos de swap com vencimento em 1º de agosto tenderia a pressionar a cotação do dólar. A decisão poderia ser tomada, pondera o profissional, se o BC avaliar que a melhora de sentimento dos investidores no exterior, com a expectativa de estímulos por BCs mundiais, provocaria declínio adicional do dólar por aqui. “Aí, não realizar a rolagem serviria para criar uma demanda natural pela moeda”, o que evitaria um recuo maior do dólar.

Em Londres, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse, no período da manhã, que o BC está pronto para agir e assegurar que o mercado cambial funcione apropriadamente.

No exterior, segundo fontes, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, apresentou propostas para construir, entre outras ações, consenso em torno da retomada das compras de títulos espanhóis e italianos. O comunicado conjunto da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e do presidente da França, François Hollande, trazendo comprometimento dos líderes com a integridade da zona do euro, na prática, aumentou a pressão para atuação não convencional, como a reativação do programa de compra de bônus, cita um estrategista.

Nos Estados Unidos, o PIB relativo ao segundo trimestre ficou acima do esperado para o período e abaixo de 2,0% do primeiro trimestre. O número divide os analistas sobre o momento de um eventual estímulo adicional por parte do Federal Reserve. O economista-chefe da IHS Global Insight, Nigel Gault, prevê nova rodada de relaxamento quantitativo, mas estima que o Fomc deve esperar até a reunião de setembro para agir.

 

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