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Dólar testa fôlego, mas segue em alta ante o real

Estadão

30 de agosto de 2012 | 09h31

Olívia Bulla, da Agência Estado

Depois de acumular ganho nas últimas três sessões, o dólar começa a exibir sinais de cansaço nesta quinta-feira em relação ao real. Ainda assim, a disputa acirrada entre comprados e vendidos para a formação da taxa de referência do Banco Central (Ptax) não altera a recente tendência de alta da moeda norte-americana, diante da percepção de que a autoridade monetária não deve rolar os contratos de swap tradicional que vencem na próxima segunda-feira. O comportamento mais comedido esperado para o pregão doméstico ao longo do dia espelha o verificado no exterior, com os mercados financeiros esperando o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke.

Por volta das 9h20, o contrato futuro do dólar para setembro subia 0,07%, a R$ 2,054. No mercado de balcão, o dólar à vista abriu em alta e subia 0,20%, a R$ 2,053, de R$ 2,054 (+0,24%), na máxima.

Segundo um operador da mesa de câmbio de uma corretora paulista, a movimentação do mercado de câmbio nesta reta final de mês se assemelha à observada no fim de julho, quando o dólar também subiu em função da expectativa de que o BC não rolaria os contratos de swap que estavam para vencer.

De fato, no último vencimento dos contratos desse tipo, em 1º de agosto, o BC não renovou os US$ 695 milhões em swap cambial, o que permitiu que a taxa de câmbio subisse de R$ 2,02 para R$ 2,05. Vale lembrar que a última vez em que a autoridade monetária rolou sua posição de swap foi no fim de junho, quando a taxa de câmbio operou acima de R$ 2,06.

Portanto, afirma o profissional citado acima, que falou sob a condição de não ser identificado, o mercado cambial doméstico assume um “caráter mais técnico”. Dessa forma, os efeitos internos e externos ficam relegados. Até porque, para um estrategista em moedas, a cotação do dólar em relação ao real já embutia a expectativa de corte da taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, anunciada ontem à noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom), para 7,5% ao ano.

Na avaliação desses profissionais, o que pode alterar a tendência de alta do dólar é o pronunciamento de Bernanke, amanhã, no simpósio em Jackson Hole (EUA). Porém, os investidores começaram a incorporar uma chance menor quanto à terceira edição de afrouxamento quantitativo (QE3), o que beneficia posições compradas na moeda norte-americana. Em contrapartida, uma nova ação desse tipo equivaleria à impressão de dinheiro, o que causaria a depreciação do dólar ante as principais moedas rivais.

Às 9h15, em Nova York, o euro subia a US$ 1,2546, de US$ 1,2530 no fim da tarde de ontem, diante das expectativas de medidas não convencionais por parte do Banco Central Europeu (BCE) para sanar a crise das dívidas soberanas na zona do euro. Já o dólar norte-americano subia 0,13% ante o dólar australiano e avançava 0,16% ante o dólar canadense. Logo mais, às 9h30, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos Estados Unidos, além da renda pessoal e os gastos com consumo em julho. Às 12 horas, é a vez do índice de atividade industrial na região de Kansas City em agosto.

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