Dólar vai a R$ 1,845 e acumula alta de 15,75% em setembro

Bianca Pinto Lima

21 de setembro de 2011 | 16h40

O dólar ultrapassou a barreira de R$ 1,80 logo nas primeiras horas de negociação desta quarta-feira e fechou cotado a R$ 1,8450, em alta de 2,84%. Trata-se da maior cotação desde 9 de junho de 2010. Já a alta diária foi a mais expressiva desde o auge da crise financeira, em outubro de 2008. Na máxima do dia, a moeda chegou a atingir R$ 1,8540. Em setembro, a divisa já acumula valorização de 15,75%.

As incertezas no mercado externo, relacionadas principalmente à crise da dívida soberana na zona do euro e ao temor crescente de um calote da Grécia, são os principais motivos para o atual stress no mercado cambial.

“A Grécia informou que tem fôlego só até outubro e que depois não tem mais como honrar compromissos. A falta de acordo entre FMI, Banco Central Europeu e zona do euro para socorrer o país vem causando instabilidade no mercado financeiro e a valorização do dólar”, explica Fabiano Rufato, diretor de câmbio do Grupo Fitta.

Apesar da fraqueza da economia dos Estados Unidos, a moeda norte-americana ainda é considerada um porto seguro pelos investidores, que vão em busca deste ativo em momentos de crise e incerteza, pressionando a cotação da divisa.

“Se não houver uma definição para o socorro à Grécia, o dólar terá combustível para chegar a R$ 1,90”, afirma Rufato. Já há quem acredite que a moeda possa chegar a R$ 2,00 em poucos dias. Essa é a opinião de Paulo Faria-Tavares, diretor da consultoria PTX Lending. Segundo ele, com um “default (calote) desordenado, seria absolutamente impossível de controlar (a alta do dólar) no curto prazo”.

O diretor da PTX explica que a crise europeia vai se espalhar para o mundo inteiro, reduzindo o apetite ao risco e cortando o fluxo de investimentos para o Brasil.

Nesta quarta-feira, o banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) informou que vai comprar US$ 400 bilhões em títulos de longo prazo até junho de 2012, em uma medida apelidada de Operação Twist, uma tentativa de impulsionar a frágil economia dos EUA.

Além do cenário externo, outro fator que contribui para a alta do dólar é a perspectiva de novas quedas na taxa básica de juros da economia brasileira. Este cenário ajuda a reduzir o interesse do investidor estrangeiro, o qual ganha com a diferença entre os juros domésticos e internacionais.

O fluxo cambial da terceira semana de setembro já evidencia que há uma oferta menor de dólares no mercado, pressionando para cima as cotações da moeda americana. Para se ter uma ideia, o fluxo despencou nesse período para US$ 395 milhões, bem inferior ao registrado nas primeiras duas semanas do mês, quando ficou positivo em US$ 8,120 bilhões.

Diante desse cenário, o Banco Central brasileiro anunciou que não fará a rolagem do US$ 1,98 bilhão em contratos de swap cambial reverso (compra de dólares no mercado futuro) com vencimento na virada do mês. Para analistas, este é um sinal de que a autoridade monetária está preocupada com o nível da cotação ou com a volatilidade do câmbio.

O dólar mais alto também traz preocupações em relação à inflação, uma vez que encarece os produtos importados e alguns insumos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, no entanto, que o movimento cambial não vai gerar pressão inflacionária no curto prazo e que o governo não deve retirar as medidas adotadas nos últimos anos para compensar a valorização do real.

Segundo ele, a piora da crise mundial deverá provocar queda nos preços das commodities e aliviar possíveis pressões internas. O ministro também afirmou que os efeitos no aumento de preços de produtos importados não devem ser percebidos em curto prazo, uma vez que os contratos de importação são fechados com meses de antecedência.

Texto atualizado às 20h10

(Com Agência Estado)

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