Espera por BC trava negócios e dólar oscila pouco

Estadão

19 de setembro de 2012 | 17h21

Silvana Rocha

A sessão no mercado de câmbio doméstico foi marcada hoje pela fraca volatilidade do dólar ante o real, que refletiu em parte o comportamento quase “lateral” da divisa dos EUA ante o euro e moedas ligadas a commodities. No exterior, o dólar só mostrou uma queda mais consistente diante do iene, reagindo à intervenção do Banco Central do Japão no mercado. Aqui, o dólar à vista moveu-se dentro do patamar de R$ 2,02 o tempo todo, enquanto que o contrato futuro para outubro de 2012 rondou entre R$ 2,02/R$ 2,03. O volume de negócios manteve-se baixo.

O estreito vaivém das cotações locais do dólar respondeu ao fluxo cambial diário pequeno, além da persistente expectativa sobre um eventual leilão de swap reverso do Banco Central (equivalente à compra de dólar no mercado futuro), segundo os agentes de câmbio. Pelo segundo dia seguido, a autoridade monetária não atuou no câmbio, após uma sequência de aparições entre o dia 11 e a última segunda-feira, dia 17, seja por meio de consulta sobre eventual demanda por dólar ou pela realização, de fato, desse tipo de operação.

“A incerteza sobre a entrada do BC no mercado ajuda a travar os negócios”, afirma o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora. Para ele, o BC ficou fora ontem e hoje porque o dólar encontra-se em um patamar de preço confortável, uma vez que os próprios investidores estão respeitando o piso informal de R$ 2,02. Segundo Amado, a ausência momentânea do BC também pode ser estratégica, porque a autoridade não deseja fixar um preço para sua entrada no mercado, evitando assim a previsibilidade de suas intervenções.

O dólar à vista encerrou com leve alta de 0,10%, a R$ 2,0240 no balcão, após oscilar entre R$ 2,0220 (estável) e R$ 2,0250 (+0,15%). Na BM&FBovespa, o dólar spot terminou com queda de 0,08%, a R$ 2,0233. O giro total registrado na clearing de câmbio até 16h48 somava US$ 1,687 bilhão (US$ 1,442 bilhão para liquidação em dois dias D+2).

No segmento futuro, no mesmo horário, o dólar que vence em 1º de outubro de 2012 ganhava 0,07%, a R$ 2,0290. Esse vencimento moveu-se apenas 0,22%, entre R$ 2,0255 (-0,10%) e R$ 2,030 (+0,12%). Com essa baixa variação de preço, o player estrangeiro ficou fora do mercado, já que praticamente não há espaço para arbitragens.

Em relação ao fluxo cambial mensal, houve uma virada do saldo de negativo para positivo, na semana passada, mas essa notícia não afetou a formação de preço diária do dólar. Entre os dias 10 e 14 de setembro, a entrada de dólares no País superou a saída e o fluxo cambial ficou positivo em US$ 1,035 bilhão. Em setembro até 14, o fluxo é positivo em US$ 460 milhões e, no ano até 14/9, houve fluxo cambial líquido positivo de US$ 23,449 bilhões.

No exterior, o dólar mostrou uma queda mais consistente ante o iene, reagindo ao anúncio do Banco Central do Japão (BoJ) de que pretende gastar quase US$ 127 bilhões em novas compras de títulos, seguindo os passos do Federal Reserve nos Estados Unidos e do Banco Central Europeu (BCE). A intervenção do BoJ representará uma ampliação do seu programa de combate à crise, que alcança, agora, cerca de US$ 1 trilhão. Do ponto de vista do mercado local, segundo o operador da Renascença Corretora, o estímulo japonês deve ter impacto limitado sobre o mercado brasileiro, porque o recuo do dólar ante o real é contido pelo BC via leilões. Em Nova York, às 16h57, o euro estava em US$ 1,3056, ante US$ 1,3045 no fim da tarde de ontem. O dólar recuava a 78,35 ienes, de 78,83 na véspera.

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