Europa digere ação do Fed e aguarda acordos sobre abismo fiscal e Grécia

Estadão

13 de dezembro de 2012 | 08h31

Danielle Chaves, da Agência Estado

LONDRES – As bolsas europeias operam entre leves altas e baixas e o euro perde a força do início da sessão diante do dólar enquanto investidores e analistas digerem o mais recente movimento do Federal Reserve, o banco central dos EUA, para expandir seu balanço financeiro. Além disso, o clima de cautela é alimentado pelas expectativas com uma decisão sobre o desembolso de mais ajuda para a Grécia.

O comitê de política monetária do Fed informou ontem que vai começar a comprar US$ 45 bilhões em bônus de longo prazo por mês, para substituir o programa conhecido como Operação Twist, que expira no fim deste ano. Pela Operação Twist o Fed vendia títulos de curto prazo e comprava quase o mesmo montante em títulos de longo prazo. O Fed também decidiu que continuará comprando US$ 40 bilhões em títulos lastreados em hipotecas por mês e anunciou valores para a taxa de desemprego e de inflação que guiarão a primeira elevação da taxa dos Fed funds, substituindo a orientação do calendário.

Após o anúncio da decisão do Fed, o presidente da instituição, Ben Bernanke, direcionou o foco dos investidores para a questão do abismo fiscal – cortes de gastos e aumentos de impostos que entrarão em vigor em janeiro se não houver um acordo no Congresso dos EUA sobre como reduzir o déficit do país. Bernanke afirmou que se o país não conseguir evitar o abismo fiscal, a economia será prejudicada de forma que o banco central não poderá controlar.

Com isso, a reação positiva inicial aos novos estímulos do Fed se transformou em cautela, o que se ampliou na Europa em razão da espera pela decisão dos ministros de Finanças da zona do euro, o Eurogupo, sobre o desembolso de mais uma parcela de ajuda à Grécia. Hoje os ministros se reúnem para discutir o assunto.

Por outro lado, uma notícia positiva para a Europa foi o acordo histórico sobre a monitoração dos bancos da zona do euro, com a criação de um órgão supervisor bancário único para a região. Os ministros e o Banco Central Europeu (BCE) vão começar a supervisionar os bancos mais importantes e vulneráveis da zona do euro e de outros países que quiserem se juntar ao regime no próximo ano.

O BCE eventualmente terá poderes para forçar os bancos a aumentarem seus colchões de capital e até fechar instituições financeiras de muito risco. O acordo está sendo levado ao Parlamento Europeu para ser endossado.

Às 7h35 (de Brasília), Londres caía 0,18%, Frankfurt recuava 0,48%, Madri subia 0,44% e Milão avançava 0,41%, enquanto o euro tinha queda para US$ 1,3058, de US$ 1,3073 no fim da tarde de ontem, e o dólar subia para 83,30 ienes, de 83,27 ienes. As informações são da Dow Jones. 

Tudo o que sabemos sobre:

bolsaseuropa

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.