Europa fecha em baixa e Stoxx 600 acumula maior perda semanal desde junho

Estadão

28 de setembro de 2012 | 14h49

Sergio Caldas

LONDRES – As bolsas europeias fecharam em baixa nesta sexta-feira, com as de Paris e Milão apresentando perdas de mais de 2%, em meio à tensão provocada antes da divulgação do resultado dos testes de estresse com bancos espanhóis e pela possibilidade de que a Espanha seja rebaixada pela Moody’s.

O índice Stoxx Europe 600 encerrou o dia com queda de 1,2%, aos 268,48 pontos, acumulando uma perda semanal de 2,7%, a maior desde o início de junho. Ao longo do trimestre, no entanto, o índice pan-europeu avançou 6,9%.

A cautela gerada pelos testes de estresse, que saíram cerca de meia hora depois do encerramento dos negócios com ações na Europa, manteve os mercados europeus sob pressão. O resultado, no entanto, acabou vindo em linha com as expectativas. Em junho, a União Europeia aprovou até 100 bilhões de euros em ajuda para o combalido setor bancário espanhol. A Espanha, no entanto, tem se mostrado reticente em apresentar um pedido para um programa de ajuda integral, que a ajudaria a fechar as contas.

Além disso, vence este mês o prazo que a Moody’s havia estabelecido para a revisão dos ratings da dívida soberana da Espanha, o que significa que a quarta maior economia da zona do euro está sujeita a ser rebaixada para grau especulativo pela agência de classificação de risco.

Também não ajudaram as ações europeias alguns dos indicadores dos EUA divulgados mais cedo. Foi o caso do índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial de Chicago, que caiu para 49,7 em setembro, de 53,0 em agosto, e ficou abaixo da estimativa média dos analistas, que era de 52,5. E também do índice de sentimento do consumidor dos EUA, medido pela Reuters/Universidade de Michigan, que subiu em setembro, mas menos do que o esperado.

Em Londres, o índice FTSE 100 recuou 0,65% e fechou aos 5.742,07 pontos, acumulando perdas de 1,89% na semana e 0,58% em setembro. No trimestre, o ganho foi de 3,1%. Admiral e RSA Insurance caíram 3% e 1,3%, respectivamente, após autoridades britânicas de concorrência abrirem uma investigação sobre o mercado de seguro do Reino Unido.

A bolsa francesa teve o pior desempenho do dia. O índice CAC 40 registrou queda de 2,46%, para 3.354,82 pontos, a mínima do dia. Ao longo da semana, o CAC 40 perdeu 4,98%. No mês, o declínio acumulado foi de 2,24%. No trimestre, por outro lado, houve avanço de 5%. Além de Saint Gobain (-4,4%) e Schneider Electric (-2,7%), caíram os bancos Société Générale (-4,4%), BNP Paribas (-1,8%) e Crédit Agricole (1,6%).

Em Milão, o índice FTSE Mib também terminou o dia no menor nível do dia, aos 15.095,84 pontos, com queda de 2,29%. A bolsa italiana teve uma perda semanal de 5,60%, mas garantiu um ganho de 0,76% no mês. O setor financeiro registrou perdas pesadas, com Banca Popolare dell’Emilia Romagna, Banca Popolare di Milano e UniCredit recuando 4,7%, 4,2% e 3,6%, respectivamente.

O índice Ibex 35, de Madri, caiu 1,71%, para 7.708,50 pontos. Apesar de o índice espanhol ter acumulado perda de 6,34% na semana, a alta em setembro foi significativa, de 5,11%. O ganho trimestral foi de 8,5%. Os bancos também pesaram hoje no mercado espanhol: Santander e BBVA tiveram quedas respectivas de 2,1% e 1,9%.

Em Frankfurt, o índice Dax recuou 1,01%, para 7.216,15 pontos, o que elevou a perda semanal para 3,16% e reduziu o ganho mensal para 3,05%. No trimestre, o mercado alemão teve alta de 12,5%. HeidelbergCement caiu 2,2%, mas ThyssenKrupp avançou 0,8% depois de confirmar que vai vender sua unidade Tailored Blanks.

No mercado português, o índice PSI 20 teve a menor perda do dia, de 0,57%, fechando a 5.202,76 pontos. Desta forma, a Bolsa de Lisboa encerrou a semana com baixa de 4,16% e o mês com ganho de 4,49%.

Entre bolsas menores, a de Atenas encerrou o pregão com queda de 0,5%, com o índice ASE a 739,12 pontos. Inspetores da troica de credores chegam à Grécia neste fim de semana para discutir novas medidas de austeridade exigidas como parte do auxílio financeiro concedido ao país. As informações são da Dow Jones.

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