Europa fecha em queda após leilões de Espanha e França; Bovespa aprofunda queda

Bianca Pinto Lima

17 de novembro de 2011 | 15h49

Gabriel Bueno, da Agência Estado

Os principais índices das bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira, com temores diante do risco da piora na crise da dívida na zona do euro, após os yields (retornos ao investidor) dos bônus do governo da Espanha atingirem as máximas da era do euro. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 1,35%, ou 3,19 pontos, em 233,85 pontos.

A Voestalpine teve a maior queda entre as ações que formam o Stoxx 600. As ações da companhia caíram mais de 9%, após o grupo austríaco de aços planos informar que espera uma difícil segunda metade do ano e que seus resultados em 2011 serão “um pouco mais fracos” que no ano anterior. Na Alemanha, a fabricante de aço ThyssenKrupp perdeu 5,9%.

Entre as ganhadoras, as ações da Amlin avançaram 5%. A seguradora informou que seus prêmios emitidos nos primeiros 10 meses do ano subiram 7,1% e a perspectiva está melhorando.

No mercado doméstico, a Bovespa aprofundou a queda nesta tarde e por volta das 15h40 (de Brasília) recuava 2,23%, aos 57.253 pontos. Já o dólar tem valorização de 0,45%, cotado a R$ 1,78. Em Nova York, os sinais negativos se repetem: Dow Jones perde 1,32%, S&P 500 tem queda de 1,67% e Nasdaq, termômetro do setor de tecnologia, cai 2,08%.

Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX fechou em queda de 1,07%, para 5.850,17 pontos, enquanto o índice CAC-40, da Bolsa de Paris, teve um recuo de 1,58%, em 3.010,29 pontos.

O humor piorou hoje após o Tesouro da Espanha anunciar que vendeu 3,6 bilhões de papéis de 10 anos, mas com o mais alto yield já pago pelo país desde o início do euro. Os custos de empréstimos da França também subiram, quando o governo vendeu 6,98 bilhões de euros de bônus de prazo médio.

A estrategista de mercado da BG Partners, Louise Cooper, listou o aumento nos custos para empréstimos de França, Espanha e Itália. “O furacão está se aproximando”, advertiu.

Os bancos na Europa tiveram a maior parte das perdas, com KBC recuando 8,2%, Lloyds Banking perdendo 4,6%, Commerzbank caindo 4,3% e Crédit Agricole fechando em -4,7%.

A agência Fitch afirmou na quarta-feira que o panorama de crédito para os bancos dos EUA poderia piorar, a menos que a crise da dívida na zona do euro seja resolvida “de maneira regrada e ordeira”.

Na Itália, o índice FTSE MIB perdeu 1,43%, para 15.198,31 pontos. A Fitch advertiu na quinta-feira que, se os yields dos bônus da Itália ficarem no mesmo patamar de alta, isso “deixaria a dívida pública do país em um caminho insustentável”. A agência de rating notou que é fundamental para a Itália manter acesso ao mercado.

As ações do setor de matérias-primas também pesaram para baixo, com os preços das commodities em queda. As petrolíferas BP (-1,9%) e Total (-0,7%) foram afetadas.

Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 1,56%, fechando em 5.423,14 pontos, com as mineradoras Xstrata caindo 3,9%, e a de prata Fresnillo perdendo 5,9%.

Na Bolsa de Madri o índice Ibex 35 teve recuo de 0,40%, fechando em 8.270,60 pontos. As ações de CaixaBank, Inditex e Iberdrola tiveram alta de 1,78%, 0,7% e 0,6%, respectivamente. Entre as mais negociadas na Espanha, Telefónica fechou estável, enquanto Santander e Repsol perderam 1,4% e 1%, respectivamente. Já na Bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 teve recuo de 0,81%, em 5.440,68 pontos. As informações são da Dow Jones.

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