Dólar oscila em dia de ação do BC e do Tesouro para segurar o câmbio

Estadão

22 de agosto de 2013 | 10h00

Texto atualizado às 13h45

SÃO PAULO – O Banco Central e o Tesouro Nacional voltam a atuar conjuntamente hoje com uma série de leilões para tentar segurar a escalada do dólar ante o real, mas o cenário externo tende a atrapalhar esse esforço. Os dados positivos do setor industrial da China e da zona do euro em agosto e a sinalização da ata do Federal Reserve ontem de que a redução de estímulos nos Estados Unidos deve começar até o fim deste ano sustentam um movimento de alta do dólar, dos juros dos Treasuries e das bolsas europeias e índices futuros em Nova York.

O dólar negociado no mercado à vista abriu em alta. Os sinais desiguais da moeda no começo da sessão representaram ajustes ao fechamento de ontem, quando o dólar à vista encerrou cotado a R$ 2,4360.

A moeda no balcão abriu a R$ 2,4450 (+0,37%) e chegou a bater R$ 2,4540 (+0,74%) na máxima do dia.

Por volta de 12h30, a cotação da moeda inverteu a trajetória e começou a cair. Às 13h23 registrou a mínima do dia até agora, em queda de 0,49%, a R$ 2,4240.

Preocupação do governo. Como esses níveis de preço do dólar sustentam fortes preocupações com a inflação, as autoridades do governo começaram ontem a definir uma nova estratégia para a atuação no mercado de câmbio. O presidente do BC, Alexandre Tombini, cancelou sua viagem anual a Jackson Hole (EUA), onde se encontraria com colegas de outros países, e toda a diretoria do BC foi instada a permanecer em Brasília. A presidente Dilma Rousseff, Tombini e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniram-se ontem à noite para amarrar a nova abordagem. Hoje haverá reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que pode anunciar medidas em relação à moeda americana.

Leilão do BC. Por volta de 11h, o Banco Central vendeu 20 mil contratos de swap cambial com vencimento em 01/04/2014, o que corresponde a um total de US$ 986,4 milhões. O swap cambial é uma operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro. Esta foi a quinta operação de rolagem dos 100.800 contratos de swap cambial (US$ 5,04 bilhões) que vencem nessa data (02/09/2013). Desde sexta-feira, já foram rolados 80 mil contratos.

O Banco Central realizou, às 11h45, dois leilões de venda de dólares conjugados com leilões de recompra da moeda estrangeira. Foram ofertados até US$ 4 bilhões distribuídos, a critério do BC, nas duas operações. A instituição não informa quanto foi emprestado ao mercado. Essa informação só será conhecida na quarta-feira seguinte à liquidação da venda, junto com a divulgação dos números do fluxo cambial.

O BC rejeitou todas as propostas para o leilão “A”, com recompra em 1 de novembro deste ano. Para o leilão “B”, com recompra em 1º de abril de 2014, a taxa de corte ficou em R$ 2,568759.

A taxa de venda nas duas operações foi a Ptax do boletim do BC das 11 horas (R$ 2,447600). As operações de venda serão liquidadas na próxima segunda-feira, dia 26 de agosto de 2013.

Tesouro. O Tesouro também fará dois leilões: o tradicional semanal de venda de LTN e NTN-F, ambos títulos prefixados, e uma operação extraordinária de recompra de até 2 milhões de LTN e até 2 milhões de NTN-F. Além da preocupação com o impacto do dólar alto sobre a inflação, os investidores têm outro foco de preocupação imediata. Um possível reajuste da gasolina tende a adicionar pressão às taxas futuras, porque o mercado já trabalha com uma elevação extra da inflação no médio prazo. Por isso, os juros precificam apostas em uma Selic, pelo menos, 3 pontos porcentuais maior, considerando os encontros do Copom em 2013 e 2014, o que deixaria o juro básico em 11,50% no fim do próximo ano.

Nos Estados Unidos, ontem, a ata do Fed mostrou que os formuladores de políticas ficaram divididos sobre o cronograma da primeira redução das compras de títulos, tendo em vista que “uns poucos” participantes da reunião se mostraram favoráveis a começar essa redução logo e “uns poucos” pediram mais cautela. As autoridades do Fed também descreveram dados econômicos recentes como “mistos”, deixando traders com poucas informações sobre o momento da primeira redução das compras de títulos mensais do Fed.

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