Investidor busca segurança e dólar sobe 0,88%, a R$ 2,053

Estadão

21 de junho de 2012 | 17h50

Cristina Canas, da Agência Estado

São Paulo – A série de indicadores positivos da economia doméstica divulgada hoje, que abrangeu inflação, emprego e renda, foi incapaz de se sobrepor a uma lista ainda maior de dados negativos surgidos da China, Europa e Estados Unidos. Isso fez o dólar ter alta generalizada, num claro movimento global de busca por segurança. No mercado de câmbio doméstico, a valorização foi de 0,88% na cotação à vista de balcão, que ficou em R$ 2,0530, e de 0,71% no pronto da BM&F, que encerrou o pregão a R$ 2,0505. Perto das 17h30, o dólar julho subia 1,53%, a R$ 2,061, na máxima.

A alta da moeda norte-americana ocorreu em meio a forte fluxo de recursos e volumes negociados acima das médias recentes. Na clearing da BM&F, pouco depois das 17 horas, estavam registrados US$ 2,9 bilhões. “Quando o mercado tem fluxo, criam-se oportunidades de negócios e os investidores aproveitam para movimentar suas posições”, explica um experiente operador. Ao final do dia, uma fonte de um grande banco avaliava que entre as idas e vindas de dólares, o saldo cambial do dia ficou negativo. E isso ajudou a sustentar a alta da moeda norte-americana.

Ainda assim, uma das notícias que mais chamou a atenção dos analistas foi o anúncio de mais uma captação corporativa externa. Desta vez, a notícia veio da Odebrecht. Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, a empresa foi a mercado buscar US$ 800 milhões e acabou conseguindo US$ 1 bilhão, com a emissão de US$ 600 milhões em bônus de 10 anos e US$ 400 milhões de 30 anos. Esta é a quinta captação externa desde o dia 31 de maio – num total de US$ US$ 3 bilhões – e a quarta desde o último dia 12 de junho.

“Parece que há uma janela se abrindo e pode ganhar corpo, agora, que passaram as eleições da Grécia”, previu um operador. Ainda assim ele descartou melhoras substanciais nas condições de mercado no curto prazo e afirmou que o clima de negócios desta quinta-feira, mostrou isso. Completando o quadro que os participantes do mercado de câmbio esperam no curto prazo, outro profissional disse: “Já que o Federal Reserve se limitou a estender a Operação Twist (troca de títulos) e não apresentou nada mais forte para incrementar a economia, os mercados esperam a ação conjunta dos BCs”. Enquanto elas não chegam, o risco e os temores com a atividade global pesam.

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