Itália causa tensão nos mercados e Bovespa abre em queda

Yolanda Fordelone

25 de novembro de 2011 | 11h04

O crescimento das tensões no mercado de títulos italianos provoca quedas nas bolsas do mundo todo nesta sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em baixa de 0,03%, a 55.265 pontos.

“O foco está na Europa. O mercado não vê uma solução para o problema da dívida a medida que os líderes mostram que não estão se entendendo”, avalia o economista da Geral Investimentos, Denilson Alencastro, ao lembrar que a Alemanha tem se mantido contra a emissão de eurobônus e de uma intervenção maior do BCE.

Os juros dos títulos de curto prazo da Itália atingiram hoje os maiores níveis desde a introdução do euro. O retorno (yield) do bônus de 2 anos subiu 45 pontos-base ante o fechamento de ontem e tocou 7,60%; já o yield do bônus de 5 anos avançou 29 pontos-base, para 7,76%.

O avanço nos juros aconteceu mesmo com a ação do Banco Central Europeu (BCE) mais cedo de comprar bônus italianos no mercado secundário para aumentar a demanda pelos papeis e tentar pressionar o juro para baixo. As informações são de traders do mercado.

Pesa também no mercado o rebaixamento da nota de risco de crédito da Hungria pela Moody’s. A Moody’s cortou a nota de crédito soberano da Hungria em um degrau, para “Ba1”, abaixo do grau de investimento.

Há pouco, o vice pesquisador do instituto de pesquisa sobre comércio internacional e cooperação econômica do Ministério do Comércio da China, Yao Ling, afirmou que o país poderia ajudar a Europa por meio de eurobônus (bônus emitidos em conjunto pelos 17 membros da zona do euro), enquanto também diversifica suas reservas internacionais. Segundo ele, a China precisa ajudar a Unia Europeia por ser seu maior parceiro comercial.

No horário, a Bolsa de Londres recuava 0,37%, Paris, 0,63%, Frankfurt, 0,56%, e Madri, 1,20%.

Para o Brasil, o cenário se mostra diferente, diz Alencastro. Hoje saiu a Confiança do Consumidor, mostrando novo avanço. “É um reflexo da expectativa de queda do juro e da ascensão social de mais brasileiros”, diz. “A crise se agrava, mas para a bolsa pode até ter um reflexo positivo no médio prazo que é a queda ainda maior do juro”, afirma.

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