Moedas emergentes asiáticas caem com expectativa de retirada de estímulos nos EUA

Estadão

20 de agosto de 2013 | 09h37

Sergio Caldas, da Agência Estado

LONDRES – O movimento de venda de moedas em mercados emergentes da Ásia se intensificou nesta terça-feira, com a rupia indiana atingindo novo recorde de baixa e a rupia da Indonésia recuando a seu nível mais fraco desde abril de 2009, em meio a preocupações de como os países destas divisas se sairão depois que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, começar a retirar suas medidas de estímulos. No Brasil, ontem, o dia também foi de desvalorização.

Em seu pior momento, a moeda indiana chegou a ser cotada a 64,11 rupias por dólar. Já a indonésia também ficou pressionada, com o dólar a 10.700 rupias, um recorde em quatro anos, antes de o banco central local intervir no mercado. Já o baht tailandês se enfraqueceu para o menor nível em um ano.

A queda das moedas emergentes asiáticas ocorre em meio a expectativas cada vez maiores de que a ata da última reunião de política monetária do Fed, a ser publicada amanhã, indicará que a instituição pretende dar início ao desmonte de sua política de relaxamento quantitativo já a partir de setembro.

A perspectiva de que os estímulos do Fed começarão a ser retirados no curto prazo gera temores de que as fortes entradas de capital que os emergentes testemunharam nos últimos anos perderão força. O impacto é maior para países como a Índia, que têm grandes déficits em conta corrente e dependem muito do fluxo de capital externo.

Apenas neste mês, a rupia indiana já perdeu mais de 5% de seu valor, apesar de uma série de medidas tomadas por Nova Délhi para sustentar a moeda.

Na Turquia, a lira chegou a reagir em alta após o BC local anunciar nesta manhã uma elevação na taxa de juros de empréstimos overnight, mas a divisa logo retomou a trajetória de queda.

Entre as moedas principais, os investidores recorreram a “portos seguros” como o iene e o franco suíço, com o primeiro avançando para o maior nível ante o dólar em uma semana e o segundo operando na máxima ante o euro também em uma semana.

Divisas ligadas a commodities, como os dólares da Nova Zelândia e Austrália, perdem terreno para a moeda dos EUA. O declínio veio após o BC neozelandês anunciar que vai limitar empréstimos imobiliários e a autoridade monetária australiana afirmar que há possibilidade de novos cortes nas taxas de juros locais.

Às 8h43 (de Brasília), o dólar subia a 63,36 rupias indianas e 10.490 rupias indonésias. No mesmo horário, o euro subia a US$ 1,3383, de US$ 1,3340 no fim da tarde de ontem em Nova York, e avançava também a 130,14 ienes, de 103,11 ienes. Diante da moeda japonesa, o dólar cedia a 97,27 ienes, de 97,57 ienes. A libra estava cotada a US$ 1,5662, ante US$ 1,5654 ontem. O índice Wall Street Journal do dólar, que acompanha seu desempenho em relação a uma cesta de moedas, estava em 73,43, ante 73,568. Fonte: Dow Jones Newswires. 

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