Moedas emergentes da Europa e África recuam com crise da zona do euro

Bianca Pinto Lima

19 de setembro de 2011 | 15h59

As moedas de países emergentes da Europa e da África recuaram nesta segunda-feira, depois que o sentimento dos investidores em relação aos mercados considerados mais arriscados foi afetado mais uma vez pela contínua falta de progresso na solução dos problemas da dívida da zona do euro.

A maioria das moedas de mercados emergentes registrou um rali no início deste ano, mas têm sofrido um forte revês nos últimos dias, com a liquidação se acelerando nesta segunda-feira. Em linha com as quedas observadas pelas moedas asiáticas, o rand da África do Sul caiu 3% em relação ao dólar, para seu nível mais baixo em relação a moeda norte-americana desde julho de 2010.

Já o florim húngaro despencou para sua menor cotação em mais de um ano ante o euro. O zloty polonês declinou quase 2% em relação ao euro, depois que a liquidação de moedas dos mercados emergentes se espalhou para o fuso horário europeu.

Até mesmo a coroa checa, que tem status de porto seguro na Europa Central e no Leste europeu devido aos fundamentos econômicos mais fortes da República Tcheca, ficou sob pressão, recuando cerca de 0,9% ante o euro.

Por volta das 11h51 (de Brasília), o euro era negociado em 4,3716 zlotys polonês, de 4,2941 zlotys no fim da tarde de sexta-feira em Nova York. O euro também operava em 291,23 florins húngaros, de 284,78 florins. O dólar operava em 7,7045 rands, uma alta de 3% em relação a cotação de sexta-feira.

“Os problemas da dívida na Grécia e na zona do euro continuam a afetar pesadamente o sentimento do mercado (emergente), afirmaram estrategistas da RBC Capital Markets, após o governo grego ter sido alertado na reunião dos ministros das Finanças da zona do euro, realizada no fim de semana, que, se não cumprir com as condições estabelecidas no primeiro pacote de socorro aprovado para o país, poderá não receber a próxima parcela do resgate. Sem essa ajuda, a Grécia ficará sem dinheiro em meados de outubro.

As consequências negativas da notícia também foram sentidas nos mercados de crédito. O custo do seguro da dívida de 15 tomadores de empréstimos soberanos da Europa Central, Leste Europeu, Oriente Médio e África – medido pelo índice iTraxx Sov-X CEEMEA – subiu 14 pontos-base para 285,5/288 pontos-base, de acordo com a Markit.

O sentimento do investidor em relação aos mercados emergentes deverá continuar seguindo os desdobramentos na Grécia. Além disso, os participantes dos mercados também aguardam anúncios das decisões de políticas monetárias previstos para esta semana.

Os Bancos Centrais da Hungria e da Turquia anunciam as decisões de política monetária nesta terça-feira e os da África do Sul e da República Tcheca, na quinta-feira.

“Nós esperamos que os bancos centrais mantenham as taxas de juros inalteradas; nós vamos, no entanto, centrar foco cuidadosamente sobre a linguagem dos comunicados (sobre) qualquer aumento e revisões de perspectiva da inflação (na Hungria) para avaliar como os bancos centrais em nossa região estão respondendo ao aumento da probabilidade de uma desaceleração de crescimento”, afirmaram estrategistas de mercados emergentes do Goldman Sachs em nota aos clientes.

Os estreitos laços bancários e comerciais com a zona do euro deixam esses países altamente sensíveis à crise que engolfa o grupo de 17 nações europeias. As informações são da Dow Jones.

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