OGX, de Eike Batista, despenca 25% e faz Bovespa fechar em queda de 1,35%

Estadão

27 de junho de 2012 | 17h34

Alessandra Taraborelli, da Agência Estado

SÃO PAULO – O cenário externo deu uma trégua hoje, mas a forte queda das ações da OGX, companhia de petróleo do empresário Eike Batista, impediu a Bovespa de acompanhar seus pares internacionais e a fez amargar mais um dia de recuo. Perto do fim da sessão, a ampliação das perdas da Petrobrás acabou contribuindo para aprofundar o recuo do principal índice paulista.

Com isso, o Ibovespa encerrou com declínio de 1,35%, aos 53.108,93 pontos. Na mínima, o índice atingiu 53.084 pontos (-1,40%) e, na máxima, chegou a 54.006 pontos (+0,31). No mês, a Bolsa acumula queda de 2,53% e, no ano, de -6,42%. O giro financeiro ficou em R$ 5,953 bilhões. Os dados são preliminares.

Os papéis ON da OGX encerram o dia com forte queda de 25,33% a R$ 6,25. O movimento reflete a decepção dos investidores com o anúncio sobre a operação do campo de Tubarão Azul.

A empresa informou ontem à noite que, depois de aproximadamente cinco meses de operação do Teste de Longa Duração (TLD) em Tubarão Azul (prévia acumulação de Waimea), definiu a vazão ideal de 5 mil barris de óleo equivalente por dia para cada um dos dois primeiros poços nesse estágio inicial, ainda sem injeção de água. O número ficou muito aquém do esperado pelo mercado.

O tombo nos papeis da OGX levou a reboque as demais empresas abertas do grupo EBX, de Eike. Também despencaram no pregão desta quarta as ações ordinárias (ON, com direito a voto) do estaleiro OSX (12,57%, a R$ 10,50), da MPX Energia (7,99%, a R$ 30,40), da LLX Logística (7,88%, a R$ 2,22), da MMX Mineração (6,64%, a R$ 6,05) e da CCX Carvão (3,92%, a R$ 4,66).

O Bank Of America Merrill Lynch rebaixou a recomendação para as ações da OGX de “neutral” (em linha com o desempenho do mercado) para “underperform” (desempenho abaixo da média do mercado). O preço-alvo foi reduzido de R$ 19,50 para R$ 7,30.

Já as ações da Petrobrás caíram menos. O papel ON perdeu 1,67% e o PN recuou 2%. Segundo um operador, a forte queda no fim da tarde dos papéis da estatal é atribuída à leitura de alguns profissionais de que o “PAC Equipamentos”, anunciado hoje pelo governo, pode não ser bom para a estatal e, pior, reforça, mais uma vez, a ingerência do governo na companhia.

“No segmento da Petrobrás, a indústria nacional não tem máquinas de qualidade e elas podem ser compradas com um preço maior do que as de qualidade superior. Privilegiar a indústria nacional não significa qualidade, pelo contrário”, disse o profissional referindo-se, especificamente, às máquinas usadas no segmento de atuação da Petrobrás. “Além disso, confirma a maior ingerência e o uso político da empresa por parte do governo”, disse.

Vale também teve um dia de perdas, com o papel ON caindo 0,40% e o PNA, -0,23%.

Mas o dia não foi só de perdas. As ações dos bancos terminaram em alta, refletindo a expectativa de que a inadimplência deva cair nos próximos meses. A ação do Bradesco subiu 1,57%, Itaú Unibanco ganhou 1,29% e Brasil ON avançou 0,80%.

Externamente, a divulgação de indicadores econômicos positivos nos EUA ajudou as bolsas a fecharem no azul. No entanto, o mercado segue sem esperanças com a cúpula da União Europeia (UE) que acontece amanhã e sexta-feira.

O índice Dow Jones encerrou com ganho de 0,74%, o S&P 500 avançou 0,90% e o Nasdaq, +0,74%.

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