Petrobrás tem forte queda e ajuda a derrubar Ibovespa

Estadão

05 de julho de 2013 | 15h05

Texto atualizado às 17h53

SÃO PAULO – A queda nas ações da Petrobrás foi o principal destaque da Bolsa nesta sexta-feira, 5. Os papéis foram pressionados ao longo do dia por notícias desfavoráveis para a empresa e pelo mau humor generalizado com o Brasil.

Petrobrás ON cedeu 6,11%, cotada a R$ 13,68 – na mínima do dia, o papel chegou a bater R$ 13,50 (-7,34%), a menor cotação dos últimos oito anos. Petrobrás PN, por sua vez, recuou 5,80%, cotada a R$ 15,15.

As duas ações estão entre as principais desvalorizações do Ibovespa, que fechou o dia em queda de 1,21%, aos 45.210,49 pontos. Na semana, as perdas acumuladas são de 4,73%.

Entre as altas, destaque para duas empresas do grupo EBX: OGX (+8,51%) e MMX (+14,29%).

Na quinta-feira, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) fixou em R$ 15 bilhões o lance mínimo a ser pago por empresas para explorar o prospecto de Libra (Bacia de Santos), no primeiro leilão do pré-sal, que será realizado em 22 de outubro. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) defendia um preço mais baixo, de forma a estimular a concorrência, permitir uma participação mais ativa da Petrobrás e aumentar o lucro da União. Mas o bônus maior ajudará o governo no cumprimento de suas metas fiscais, um dos cinco compromissos assumidos pela presidente Dilma Rousseff durante a onda de protestos no País.

O Citi avalia que a decisão do CNPE de fixar o bônus de assinatura mínimo para o prospecto de Libra em R$ 15 bilhões, versus um consenso de R$ 10 bilhões, pode pressionar o caixa da Petrobrás. Libra será a única área ofertada no leilão do pré-sal marcado para 22 de outubro. A Petrobrás já acenou com intenção de entrar com uma participação maior do que a mínima de 30% que a estatal é obrigada por lei. Com um bônus maior, o banco avalia que o comprometimento de caixa da companhia também se eleva. “A participação da Petrobrás pode crescer ainda mais se a rodada falhar em atrair parceiros, elevando os receios em relação ao balanço da estatal”, avalia o banco.

O Itaú BBA considerou que a decisão do CNPE “confirma expectativas negativas de que o governo trabalharia com um bônus de assinatura mais alto para fechar o vão no superávit primário”. “Para a Petrobrás, significa queimar pelo menos R$ 4,5 bilhões de caixa neste ano”, disse, sobre a exigência de participação mínima de 30%.

Operadores ressaltam, no entanto, que também contribui para a queda de Petrobrás hoje a cotação do petróleo se firmando acima dos US$ 100,00 e, principalmente, o dólar beirando os R$ 2,30, devido ao atual nível de endividamento da empresa em moeda americana. A estatal possui mais de 60% de sua dívida total denominada em dólar.

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