A Bolsa subiu, mas quanto investir?

A Bolsa subiu, mas quanto investir?

Canal Econoweek

27 Setembro 2017 | 00h00

O tempo (ou a falta dele) pode ser um grande inimigo de quem investe em ações, mas não precisa ser uma barreira. Para fazer qualquer aplicação inteligente, é preciso dedicar um tempo para entender o produto e, no caso das ações, para acompanhá-las.

A não ser que você opte pelo caminho dos fundos de ações, não tem jeito: terá de dedicar algumas horas, mesmo que mensais, pra olhar com cuidado para a sua carteira, até no caso da sua estratégia ser de longo prazo.

A boa notícia é que você não precisa ficar todos os dias acompanhando a oscilação do mercado acionário se pensa em investir por alguns anos. Há duas técnicas para facilitar a vida dos investidores quando o assunto é escolher quanto investir em ações.

Regra dos 80

Se você  já descobriu que tem perfil para investir na bolsa, a próxima pergunta a ser feita é: quanto comprar? Lá fora, nos EUA, até foi criado um modelo bem simples chamado Regra dos 100 para facilitar a tarefa. Basta subtrair de 100 a sua idade. O resultado seria o porcentual da sua carteira que deveria estar em ações.

Mas lá a realidade é outra: a perspectiva de vida é diferente, o mercado acionário é maior e mais desenvolvido, entre outras diferenças. No Brasil a regra foi adaptada como sendo a Regra dos 80. O funcionamento é igual. Se você tem 20 anos, a conta a ser feita é:

Porcentual da carteira em ações = 80 – 20 = 60%

O que significa isso? Duas coisas! A primeira é que a regra serve para quem pensa em ações como algo para o longo prazo, aposentadoria mesmo. Além disso, o porcentual vai diminuindo com o tempo, conforme a pessoa vai envelhecendo. Afinal, perto da aposentadoria, quando a capacidade de você recuperar renda é menor, em geral não é indicado você ficar tão exposto a investimentos de risco. Mas se você vai ter então de mudar a sua carteira de tempos em tempo isso nos leva a uma segunda estratégia.

Balanceamento

Para a receita do balanceamento são dois ingredientes. Você precisará saber o porcentual da carteira que deseja alocar em renda fixa, variável, câmbio, o que for. Se você usou a Regra dos 80 já sabe esse valor. O segundo ingrediente é o prazo. De quanto em quanto tempo você irá parar e rever essa carteira?

Vamos supor que você decida colocar 40% em ações e 60% em renda fixa, e saiba que vai rever isso a cada 6 meses. Depois desse prazo, naturalmente as ações e títulos terão mudado de valor. Se você investiu num período farto como foi o caso da Bolsa nos últimos meses, o porcentual em ações provavelmente estará maior, algo como 50% em ações e 50% em renda fixa.

Pronto! É só vender o investimento que está com um porcentual acima do definido (10% da carteira de ações no nosso exemplo) e colocar no que está abaixo. O balanceamento também pode ser feito mensalmente quando você está decidindo onde botar seu rico dinheirinho. O vídeo abaixo explica tudo!

A estratégia te impedirá de ter dois pensamentos que geralmente passam na nossa cabeça diante de uma alta ou baixa da carteira. Quando ganhamos, tendemos a achar que nossa estratégia vencedora continuará dando certo. Nem sempre isso é verdade. Pelo contrário – quando perdemos -, podemos ficar tentados a esperar mais tempo para que a ação suba. Se você faz o balanceamento, necessariamente você vai vender ações quando elas subirem e comprar quando elas caírem. Não vai nem dar chance pro seu cérebro te enrolar com esses pensamentos!