O dinheiro rendia mais antigamente!

O dinheiro rendia mais antigamente!

Canal Econoweek

07 Setembro 2018 | 05h01

O título desse artigo é uma frase típica de senhores, principalmente quando estão conversando com jovens. No Econoweek temos um senhorzinho (eu, o Étore) e dois jovenzinhos (Yolanda e César), logo, isso é frase constante entre nós!

Mas é claro que nenhum dos economistas por aqui poderia ficar falando/ouvindo uma frase constantemente sem a devida averiguação e é isso que falaremos hoje. Como vocês, leitores assíduos desse blog já sabem, o vídeo abaixo fala a mesma coisa que discorreremos ao longo do texto, mas com uma linguagem mais leve ainda. Caso queiram é possível assistir o vídeo aqui embaixo ou apenas continuar lendo.

Então vamos lá!

É evidente que R$ 50,00 compravam muito mais coisas antigamente do que agora. Isso se dá devido à inflação, que faz com que os preços das coisas aumentem com o passar do tempo de forma natural nas economias. Dessa forma um item que há alguns anos atrás tinha um preço X, hoje em dia deverá ter um preço maior do que X e por aí vai. Isso não significa que hoje em dia as coisas estão “mais caras”, pois junto com seus preços também aumentamos nossos salários, mantendo o poder de compra.

Mesmo assim tendemos a pensar que antigamente o dinheiro valia mais. Inclusive, esse é um efeito descrito por Irving Fisher e popularizado por Jonh M. Keynes como Ilusão monetária, que nada mais é do que a propensão das pessoas a pensarem no dinheiro em termos nominais e não reais, ou seja, pensarem o valor de uma nota (como a de R$ 50,00) ao invés de pensar o quanto ela pode comprar (poder de compra).

Por isso é interessante comparar os preços das coisas de antigamente, corrigidos pela inflação, com os preços de hoje em dia para saber se o poder de compra se corroeu muito. Temos um pressuposto aqui de que o seu salário também foi corrigido pela inflação, o famoso dissídio. Outra coisa que é importante dizer é que os produtos tem que ser homogêneos, o que em linhas gerais significa que são minimamente comparáveis.

Para corrigir os valores pela inflação, o Banco Central do Brasil (BCB), tem um site chamado Calculadora do cidadão, é muito simples.

Por exemplo, vamos pegar dois produtos não muito homogêneos e comparar o preço. O carro Gol em 1994 era conhecido como “Gol 1000 quadradinho” e custava R$ 7.200, que corrigidos pela inflação dá R$ 47.000 hoje em dia. Atualmente o Gol 1.0, que não é mais 1000, está quase R$ 40.000, o que significa dizer que o carro hoje está “mais barato” do que era antigamente. Mas lembrando, o carro mudou muito, o que torna essa comparação pouco factível.

Contudo, vamos a um produto mais homogêneo, a Coca-Cola. Em 1994 este “refri” na unidade de 2l custava R$ 2,00, que ao passar pela calculadora equivale a R$ 10,00. Este é mais ou menos o preço da Coca atualmente, o que implica em dizer que o poder de comprar este refrigerante não mudou muito.

Esse cálculo é algo que a maioria dos senhorzinhos, como eu, adoram. Logo, não perca tempo e vá até a Calculadora do cidadão. Corrija o preço de um produto que você gostava, ou até mesmo o seu salário. Isto pode ser um ótimo indicativo de como sua produtividade cresceu! Mas o aprofundamento deste papo é questão para outro artigo.

O conhecimento é sempre uma saída!