Qual é a diferença salarial entre homens e mulheres ao redor do mundo e como diminuí-la?

Qual é a diferença salarial entre homens e mulheres ao redor do mundo e como diminuí-la?

Canal Econoweek

04 Novembro 2017 | 09h07

Não é novo e nem velado que existe uma diferenciação de gêneros ao redor do mundo, tanto em direitos quanto em tratamento e até mesmo em salário. Essa diferenciação, no que tange remuneração, não ocorre apenas para cargos distintos. Por muitas vezes em funções homogêneas (entende-se por mesmo cargo e mesmas atribuições, com única diferença o gênero) as mulheres ganham menos do que os homens.

Mas qual é a diferença de ganho salarial entre homens mulheres no países ao redor do mundo? Será que as menores diferenças ocorreram por acaso?

Um modo de avaliar isso é olhando o índice Gender pay gap (GPG, sigla em inglês, que numa tradução livre significa “diferença salarial por gênero”) no site da OCDE, que mostra qual é o gap e como está a situação de diversos países nesse aspecto ao redor do mundo.

Apenas dando um spoiler, em nenhum país no mundo a mulher ganha mais do que o homem. Nós do Econoweek, cuja missão é traduzir a economia, que é uma ciência social, mostramos no vídeo acima a linha de raciocínio econômica que nos conduziram a busca por essa comparação, além de deixar tudo muito bem explicadinho nele.

Com dados de 2013 a OCDE lista seus países membros e mostra que a Coréia do Sul é o país cuja diferença salarial é a maior entre homens e mulheres. Lá o salário das mulheres é 36% do salário do homem, ou seja, se um homem ganha mil dólares a mulher ganha US$ 640.

Não muito longe dali a Estônia para 31,5% a menos para mulher e o Japão 26%, segundo a OCDE. Na contramão desses três países, temos Nova Zelândia com gap de 5%, Bélgica 6% e Luxemburgo 6,5%. Apenas destacando, a média dos países dessa lista paga 15,46% a menos para mulheres do que paga para homens.

Mas será que esses países cujo GPG é o mais baixo da lista sempre foram assim ou tiveram que estimular para que essa dferença diminuísse? Avaliando o histórico disponível, é possível notar que o diferencial da Nova Zelândia não mudou muito, mas num passado não muito distante a Bélgica tinha o GPG da ordem dos 15%. O que será que os belgas fizeram?

Em um artigo intitulado “Some facts about GPG in Belgium” (Alguns fatos sobre o GPG na Bélgica, numa tradução livre) é possível ver que a redução do GPG na Bélgica não foi por acaso.  De 2001 a 2006, foi organizado um projeto de avaliação da neutralidade de gêneros das classificações de emprego, que buscou tornar objetiva a comparação salarial. Deste modo, o governo tornou oficial a estimativa de diferença salarial entre homens e mulheres anualmente, além de incluir nesse relatório recomendações politicas a fim de diminuir esse diferencial.

Não bastasse, em 2012, foi votada uma lei para eliminação da diferenciação salarial entre homens e mulheres, segundo a qual a diferença deveria ser discutida em todos os níveis de negociação coletiva de trabalho.

No final das contas, nada é por acaso. Para mudar a situação em qualquer país do mundo (inclusive o Brasil) é necessária a avaliação desse diferencial e as possíveis medidas para mitigação do problema. Já temos até referência. Busque o conhecimento, pois o conhecimento é sempre uma saída.