Cassini dá show em Saturno

A cada dia conhecemos melhor o Sistema Solar, em especial com a ajuda de naves robóticas como a Cassini, que desde 2004 visita Saturno e seus satélites.

Ethevaldo Siqueira

28 de dezembro de 2010 | 13h41

Enquanto comemorávamos o Natal na semana passada, a nave robótica Cassini enviava para a Terra as mais belas e impressionantes fotos do satélite Rhea, de Saturno, o segundo em tamanho daquele planeta.

Com este artigo, estamos iniciando uma série retrospectiva das melhores histórias do espaço em 2010, começando pelo projeto Cassini, de cooperação internacional entre a NASA e outras entidades, para o conhecimento de Saturno e seus satélites.

Uma das revelações da sonda sobre o satélite Rhea foi a existência de uma fina camada atmosférica envolvendo esse satélite. Nas fotos, as crateras e fraturas de camadas de gelo brilham ao sol e é possível notar curiosos detalhes na variação de cores dos hemisférios do satélite. O próximo sobrevoo da sonda Cassini nas vizinhanças de Rhea ocorrerá no dia 11 de janeiro de 2011, num altura de apenas 75,9 quilômetros desse satélite.

A beleza de Saturno

  

Assim aparece Saturno numa foto em infravermelho (foto NASA)

As melhores fotos e as informações anteriores mais detalhadas de que dispunha a NASA eram as obtidas pelas sondas Voyager 1 e 2, em 1980 e 1981, que mostraram na época as mais belas imagens dos aneis de Saturno. Esses cinturões, que são os sistemas de anéis planetários mais extensos do Sistema Solar, são constituídos de bilhões de partículas cujas dimensões variam de micrômetros a metros. Essas partículas são, em sua maioria, formadas de gelo de água com alguma contaminação de poeira e outas substâncias químicas.

A cada dia, a NASA recebe centenas de fotos e informações surpreendentes enviadas pela nave Cassini, que é uma espaçonave de pesquisa. No dia 24 de setembro de 2010, a sonda se aproximou de Titã, o maior dos satélites de Saturno, voando a uma distância de 8.175 km de sua superfície. Esse foi o primeiro sobrevoo de uma série que será dedicada a esse satélite até o começo de 2012.

62 luas de Saturno 

Nesta foto, da NASA, as imagens do satélite Rhea, de Saturno, feitas na semana passada

Saturno tem pelo menos 62 luas, sendo a maior delas chamada Titã. Em segundo lugar, vem o satélite Rhea. Conhecido de todos por seus anéis, Saturno é um planeta gigante de gás, à semelhança de Júpiter, Urano e Netuno. Sua massa é 95 vezes maior do que a da Terra. Aliás, se compararmos as condições de Saturno com as da Terra, veremos que elas são extremas e quase impensáveis. O interior do planeta talvez seja composto de ferro, níquel, silício e compostos de oxigênio, envolto por uma espessa camada de hidrogênio metálico, uma camada intermediária de hidrogênio líquido e hélio líquido, e uma camada exterior gasosa, com ventos de até 1.800 quilômetros por hora.

O programa Cassini-Huygens

Saturno e seus principais satélites estão sendo visitados desde 2004 pela nave robótica Cassini e sua sonda (orbiter) Huygens. O programa Cassini-Huygens é, na realidade, um esforço cooperativo internacional, envolvendo a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Italiana (ASI), além de diversas entidades acadêmicas e industriais europeias isoladas.

A NASA projetou a nave robótica (orbiter) que entra em órbita nos diversos satélites, enquanto a Agência Espacial Europeia (ESA) desenhou a sonda Huygens (nome do físico, astrônomo e matemático holandês Christiaan Huygens). Lançado em 15 de outubro de 1997, o sistema completo Cassini-Huygens, entrou em órbita em torno de Saturno em 1º de julho de 2004, depois de longa viagem interplanetária.

No 15 de dezembro de 2004, a sonda Huygens se descolou da nave Cassini e pousou na superfície de Titã no dia 14 de janeiro de 2005, passando a transmitir por rádio (telemetria) informações diretamente daquele satélite para a Terra. Nunca antes da Huygens uma sonda havia pousado sobre um corpo celeste do Sistema Solar Exterior (além do cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter).

O projeto que deveria terminar aí foi prorrogado por mais dois anos pela NASA, em 18 de abril de 2008, e rebatizado com o nome de missão Cassini Equinox. Neste ano, foi novamente prorrogado para continuar suas pesquisas até 2017.

A parceria que viabiliza o projeto Cassini assume a responsabilidade e os custos que não poderiam ser assumidos isoladamente por nenhuma nação. Participam dessa missão 260 cientistas de 17 países interessados em conhecer não apenas os impressionantes aneis de Saturno, bem como Titã e outras luas desse planeta.

O nome do projeto é uma homenagem ao astrônomo e matemático Giovanni Domenico Cassini, nascido em 1625 e falecido em 1712. Entre outras descobertas, Cassini descobriu a falha escura entre os aneis A e B de Saturno, além de 4 satélites desse planeta.

Tendências: