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Mundo terá 55 bilhões de dispositivos móveis em 2020

Vale a pena fazer um balanço sucinto do desenvolvimento da telefonia móvel e, no sentido amplo, da mobilidade, e fazer algumas previsões sobre os próximos anos.

Ethevaldo Siqueira

21 de fevereiro de 2011 | 22h34

De Barcelona

Congresso Mundial mostra as grandes tendências da comunicação  móvel até o final desta década (Foto Ethevaldo Siqueira)

Estudos prospectivos mostram que o mundo terá, no final desta década, ou seja, em 2020, cerca de 55 bilhões de dispositivos móveis, entre os quais celulares comuns, smartphones, iPods, tablets, iPads e aqueles dispositivos que farão a comunicação entre máquinas. Essas previsões nos sugerem que a mobilidade vai superar largamente os limites atuais da telefonia móvel celular.

Vale a pena fazer um rápido balanço da trajetória do celular desde sua introdução no mundo em 1981, no Japão e na Escandinávia, e nas Américas, em 1983. Ao longo da história humana, nenhuma outra invenção se expandiu e alcançou tantos seres humanos em tão pouco tempo quanto o celular. Em menos de 30 anos, saiu do zero para alcançar os 5,3 bilhões atuais – quando a população da Terra se aproxima dos 6,8 bilhões de habitantes.

Ou seja: há hoje no mundo 85 telefones móveis para cada 100 habitantes. No final de 2011, o mundo quebrará a barreira dos 6 bilhões de celulares. A televisão, popularizada a partir de 1946 nos Estados Unidos, não alcança mais do que 1,6 bilhão de domicílios em todo o mundo. O rádio, nascido comercialmente há 91 anos, não chega a 800 milhões de residências. O computador pessoal, depois de 34 anos, está nas mãos de 2 bilhões de usuários. A internet (fixa e móvel) chegou a 2 bilhões em 20 anos. Já a internet móvel se aproxima dos 800 milhões, aí incluídos os usuários de celulares de terceira geração (3G), tablets, iPods e laptops.

Por cobrir profissionalmente esta área, tenho acompanhado de perto a trajetória impressionante do celular e pude testemunhar dois momentos históricos dessa revolução: a primeira ligação comercial de telefonia móvel celular da Europa, em Estocolmo, em junho de 1981, e a inauguração do primeiro serviço comercial celular das Américas, em Chicago, no dia 13 de outubro de 1983.

As previsões há 30 anos

Naquela época, entretanto, pouca gente apostava no sucesso do novo telefone. Era natural que assim fosse, porque ele era grandão, pesado, pouco eficiente e só era instalado dentro do automóvel. Lembro-me do telefone móvel que usei em Chicago: era um tijolão de 8 quilos cuja bateria não permitia mais do que 30 minutos de conversação.

Diante daquele aparelho desengonçado, duas famosas consultorias, contratadas para analisar as perspectivas do celular para os investidores, concluíram com todas as letras: “O celular é um mau negócio. Não despertará grande entusiasmo dos usuários e sua penetração nos Estados Unidos não alcançará mais do que 15% da população ao final de 20 anos”.

Curiosamente, ambas as consultorias não levaram em conta dois fatores essenciais: o impacto da miniaturização e a revolução da digitalização nas telecomunicações e na eletrônica em geral. Hoje, é claro, com uma visão retrospectiva de três décadas, é fácil comprovar as profundas transformações por que passaram os celulares, hoje transformados em smartphones, pequenas maravilhas que hoje menos de 100 gramas.

A incorporação de softwares e aplicativos de todo tipo transforma o celular num verdadeiro computador de bolso, que faz tudo: fala, acessa a internet, envia e recebe e-mails, troca mensagens de texto (short messages services ou SMS), baixa programas, fotografa e filma com qualidade sempre maior, sintoniza rádio e TV, recebe noticiário exclusivo, localiza pessoas, faz download de música MP3 e de jogos eletrônicos – entre tantas outras coisas.

Novos dispositivos

Ao longo da última década, o número de novos dispositivos foi ampliado largamente, com os laptops e seus modems 3G, netbooks, iPods, tablets e iPads. Esses novos dispositivos tendem a multiplicar aceleradamente nos próximos 10 anos, num cenário em que a comunicação máquina-máquina deverá superar largamente a comunicação entre seres humanos.

Do lado dos usuários, haverá grande expansão do número de pessoas que utilizarão a computação móvel, o comércio móvel (m-comm), a videoconferência, a TV móvel e muitas outras aplicações da internet de banda larga móvel.

O elemento novo nesse cenário e que pode desequilibrar tudo será o tablet, em especial se sua utilização for adotada por milhões de usuários, para recepção móvel de TV, filmes, shows, transmissões esportivas ao vivo ou gravadas, leitura de jornais, revistas e livros, além de todas as funções hoje exercidas pelos smartphones.

Explosão mundial

Ao longo do evento Mobile World Congress 2011, na semana passada, aqui em Barcelona, foram divulgados dados da Wireless Intelligence (www.wirelessintelligence.com), que mostram a expansão incomum do número de países que já têm mais celulares do que habitantes.

Na Europa, segundo o banco de dados Wireless Intelligence, a Itália é campeã, com 155 celulares por 100 habitantes. Na sequência, vêm Portugal, com 140; Rússia, com 132; Alemanha, 131; Espanha, com 138; Reino Unido, com 123 e Ucrânia, com 120. Todos os países escandinavos e a Finlândia têm mais 115 celulares por 100 habitantes.

Na Ásia, a grande surpresa é a densidade do Vietnã, que alcança 144 celulares por 100 habitantes. Em segundo lugar, vem o Japão com 94 celulares por 100 habitantes. É claro que, em números absolutos, China e Índia são os dois maiores mercados do mundo.

Os emergentes

Na América Latina, a Argentina alcança a expressiva densidade de 133 celulares por 100 habitantes. A penetração do celular no Brasil já supera os 107%.

Os países emergentes têm tido papel relevante na expansão do celular no mundo. No ano passado, dos 600 milhões de novos celulares instalados, 250 milhões foram postos em serviço nos países do quarteto BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

A África é o continente com maior ritmo de crescimento, até porque é aquele em que a comunicação móvel chegou mais recentemente. No Oriente Médio, as maiores penetrações são da Arábia Saudita (190) e as de Israel (128).

O caso chinês é o mais surpreendente. Nos últimos 10 anos, a China passou de pouco mais de 6 milhões de celulares para os 842 milhões atuais. A maior operadora do mundo é a China Mobile, hoje com mais de 600 milhões de assinantes. 

O Brasil disputa hoje o quinto lugar entre os maiores mercados de telefonia móvel do mundo: 1. China (842 milhões de celulares em serviço); 2. Índia (757 milhões); 3. Estados Unidos (304 milhões); 4. Rússia (220,6 milhões); 5. Indonésia (209 milhões); 6. Brasil (206 milhões) e 7. Japão (122 milhões).

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