A revolução do superchip

A evolução da microeletrônica permite hoje a produção de microchips ou microprocessadores avançados, capazes de atender às exigências dos super celulares ou super smartphones, como demonstrou o Consumer Electronics Show 2011.

Ethevaldo Siqueira

15 de janeiro de 2011 | 09h50

Coluna do Estadão de domingo, 16 de janeiro de 2011

Uma nova geração de microprocessadores está mudando o cenário da eletrônica. Cada vez menores e mais rápidos, eles consomem muito menos energia. Eles são os responsáveis pelas imagens tridimensionais (3D) cada vez mais perfeitas, pela beleza e realismo dos novos videogames, pelo reconhecimento biométrico (de impressões digitais, da íris, da voz e da fisionomia) e pelos recursos cada vez mais inteligentes dos novos smartphones.

Os superchips foram, aliás, um dos pontos altos do Consumer Electronics Show (CES), a Feira de Las Vegas deste ano, concretizando as previsões de líderes e visionários sobre o impacto da microeletrônica sobre a informática, as comunicações e, em especial, sobre a indústria de entretenimento.

Superchips, para quê?

Huang: “Sem superchips não há super smarphones”

Foto: Ethevaldo Siqueira

A propósito das perspectivas dos superchips, assisti a uma palestra especial de Jen-Hsun Huang, empreendedor chinês de Taiwan criado e formado nos Estados Unidos, fundador e presidente da Nvidia, a empresa de processamento de gráficos, e que foi um dos keynote speakers da última edição do CES, que terminou no domingo passado, em Las Vegas.

Huang ressaltou em primeiro lugar a quebra de paradigmas ocorrida nas duas últimas décadas, em que a indústria passou de um período dominado pelo PC, nos anos 1990, para outra década (2001-2010) dominada pela internet. Para ele, a partir de 2011, o mundo está iniciando novo período, o da computação móvel, caracterizado pelo domínio do smartphone e pelas comunicações de banda larga.

Tegra 2

Foto: Ethevaldo Siqueira

Essa nova era, diz Huang, depende do desempenho dos superchips para atender aos novos requisitos dos super celulares – que se comportarão como verdadeiros computadores. “Super celulares precisam de superchips” – sintetiza. E dá como exemplos de superchips os novos lançamentos da Nvidia, da linha Tegra, que associam as funções de CPU (unidade central de processamento de dados) e de GPU (unidade de processamento de gráficos), como é o caso do chip Tegra 2, um microprocessador 10 vezes mais rápido do que os utilizados atualmente nos smartphones (e quatro vezes mais veloz que seu antecessor, o Tegra 1).

A unidade de processamento gráfico (GPU) do Tegra 2 assegura o desempenho simultâneo de 128 processadores paralelos e tem poder computacional da ordem de 518 gigaflops (bilhões de pontos flutuantes por segundo), o que lhe permite aplicações não apenas nos videogames mais avançados mas, também, em ambientes de computação de geociências, biologia molecular e diagnósticos médicos.

Super Phone LG Optimus 2X

Um dos grandes impactos deste CES 2011, foi a apresentação do chip Tegra 2 da Nvidia nos super celulares da LG, como o LG Optimus 2X. Nesse smartphone, o novo chip assegura não apenas os requisitos da comunicação móvel, mas também a qualidade de imagem e o poder de computação de um PC.

Chips avançados como o Tegra 2 são os primeiros chips dual core (com dois núcleos) destinados aos novos smartphones. Essa geração de chips permitirá ainda que os maiores fabricantes de smartphones possam oferecer as características de desempenho da quarta geração (4G) do celular, com diversas aplicações de multitarefa, de internet móvel e centenas de aplicativos de videojogos que agora podem ser levados aos celulares.

Linha Microsoft

É claro que, além da Nvidia, outras empresas de microeletrônica do mundo – como Intel, AMD, Qualcomm, ARM, Texas Instruments ou IBM – também desenvolvem e lançam superchips destinados às aplicações mais sofisticadas da eletrônica e das comunicações.

Mark Angiulo, da equipe Windows, da Microsoft, em sua apresentação no CES 2011, relembrou que sua empresa utiliza a o chip Intel Core i7, da nova geração dos chips Core, da Intel, que lhes permite economizar energia e ainda torna os PCs 20 vezes mais rápido do que seus antecessores. Por isso, a HP antecipa o lançamento de notebooks com chips i7, que permitirão o prolongamento de 6 horas e meia no desempenho das baterias dessas máquinas.

O Fusion, da AMD

Foto: Divulgação

Outro exemplo dado por Angiulo é o de um PC que utiliza o processador Fusion, da AMD, um multinúcelo que também combina as funções de CPU e GPU, e que poderá dobrar o número de horas de duração da carga da bateria, para alcançar algo como 9 horas.

Nos próximos meses, teremos uma nova e impressionante safra de novos notebooks e netbooks, muitos deles com preço abaixo de US$ 500. Além da queda de preços, podemos esperar elevado desempenho e aumento da capacidade das baterias até para 10 ou 12 horas.

O Iconia, da Acer

Laptop Iconia, da Acer, com duas telas. Teclado virtual em tela de 14 polegadas

Foto: divulgação

Entre os primeiros notebooks já lançados com esses recursos de melhor performance e menor consumo de energia, está o Acer Iconia, um touchbook de duas telas. Numa delas, temos o teclado virtual, agora sobre uma tela de 14 polegadas, o que nos dá um conforto especial para escrever. Touchbook é o neologismo para notebook com tela de toque (touchscreen).

O Iconia foi premiado como uma das 10 mais importantes e originais inovações do CES 2011, em Las Vegas. Você pode ensinar seu computador a compreender seus gestos, em diversas funções de edição de textos, no que a Acer chama de gestos customizados (customized gestures).

Não tenha dúvida, leitor, estamos vivendo a era dos superchips, com todos os seus benefícios.

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