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Adeus, minha amiga Voyager 1

Recordo aqui minha experiência pessoal, ao assistir ao lançamento da Voyager 1, há 33 anos e 3 meses. Hoje, ela se perde no espaço cósmico.

Ethevaldo Siqueira

26 de dezembro de 2010 | 23h34

A Voyager 1 caminha solitária para além dos limites do Sistema Solar, ultrapassando aquele ponto, a 17,4 bilhões de quilômetros do Sol, onde o vento solar não sopra mais, como informou a NASA há poucos dias. O vento solar desaparece naquela a área  onde a velocidade do plasma – o gás quente ionizado que emana diretamente da camada externa de Sol – chega a zero, na definição de um cientista da agência espacial norte-americana.

A Voyager 1 me suscita lembranças muito caras, pois a vi partir para o espaço cósmico há mais de 33 anos e 3 meses, no dia 5 de setembro de 1977, na época em que cobria os mais empolgantes lançamentos espaciais no Cabo Canaveral.

Ver de perto a decolagem da Voyager 1 foi uma experiência que me marcou profundamente. Um foguete Titan (foto abaixo, da NASA) começava a decolar lentamente e acelerava com força descomunal, levando para o espaço a sonda de número 1 das duas Voyager. A de número 2 havia sido lançada mais de dois meses antes, no dia 4 de julho de 1977, porque, embora partindo na frente, iria fazer outro percurso e chegar em segundo lugar a Júpiter e Saturno.

Jornalistas gostam de filosofar. Por isso, assistíamos a tudo entre fascinados e tristes. O fascínio nos vinha do espetáculo de poder, de precisão e beleza que a tecnologia oferece numa situação dessas. A tristeza nos nascia de uma reflexão mais longa sobre o uso dessa mesma tecnologia espacial para a destruição.

Diante da exposição apaixonada dos cientistas sobre o significado das Voyager, logo esquecemos a face terrível do progresso tecnológico, quando usado para a destruição e para a guerra.

Que significação tecnológica têm aquelas sondas ainda hoje? Mesmo tendo sido construídas nos anos 70, as Voyager ainda poderiam ser consideradas engenhos admiráveis por seu avanço tecnológico.

Recordemos apenas algumas de suas características. Em 1981, quando a Voyager 1 passou nas proximidades de Saturno, uma das comprovações mais extraordinárias de seu desempenho foi o desvio de apenas 15 quilômetros em sua rota, em relação ao trajeto programado, após percorrer mais de 5 bilhões de quilômetros. Numa imagem na época sugerida por um grande astrônomo brasileiro daquele tempo, o professor Oscar Giacaglia, da USP, essa pontaria equivaleria a “acertar um tiro numa moeda de dois centímetros de diâmetro a uma distância de 3 milhões de quilômetros, ou seja a uma distância quase 10 vezes a que separa a Terra da Lua.”

A precisão desse tiro espacial, no entanto, só foi possível graças a uma espécie de inteligência da sonda, que dispõe de um sistema de correção de rota, de auto-orientação, decisão e controle. Ouvi também de alguns especialistas da NASA a observação curiosa de que as sondas Voyager eram mais inteligentes do que os melhores robôs de seu tempo. Elas fizeram as fotos mais surpreendentes dos anos de Saturno — mostrando que eles não eram apenas dois ou três, mas milhares.

Agora, quando revejo tudo que essas duas sondas nos ensinaram, sobre os satélites de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, fico imaginando com será a próxima missão tripulada a Marte, lá por 2030, que grau de avanço terão nossas naves e quantos novos conhecimentos teremos sobre o Universo.

Para onde vai a Voyager 1? Ela está agora entrando no espaço interestelar e, daqui a 4 anos, deverá ingressar na área de influência de outra estrela ou sistema estelar.

Boa viagem, minha amiga. Veja como ela é bonita, nesta foto da NASA.

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