Redes inteligentes do século 21

As Redes Inteligentes ou Redes de Nova Geração começam a revolucionar as telecomunicações. Elas beneficiarão não apenas as grandes corporações, mas até os menores usuários.

Ethevaldo Siqueira

21 de setembro de 2010 | 16h26

Muitos profissionais de Tecnologia da Informação (TI) e Telecomunicações supunham, a princípio, que as expressões Rede Inteligente e Rede de Nova Geração eram puro marketing. Eu também supunha. Até porque nomes genéricos não dizem muita coisa. Mas logo compreendi o que elas são, seu papel e seu futuro.

Neste ponto, cabem duas perguntas: Que é uma Rede de Nova Geração (em inglês, New Generation Network, daí a sigla NGN)? Que faz uma NGN?

Vamos às respostas, de forma clara e objetiva. Essas novas redes de telecomunicações, além de transmitir voz, dados e imagens, fazem coisas prodigiosas: identificam usuários, autorizam o acesso, encaminham ligações, sinalizam qualquer ocorrência ou situação anômala, orientam os clientes, detectam falhas, tarifam serviços e interligam-se com outras redes, garantindo a interoperabilidade em escala mundial.

As redes inteligentes têm muito a ver com advento da internet, porque utilizam o mesmo protocolo (IP) da web. A designação de Rede de Nova Geração (NGN) é, na realidade, muito ampla, pois se refere a diferentes tecnologias associadas. A denominação internacional de NGN é também um pouco vaga porque pode designar tanto as redes cabeadas (metálicas e de fibras ópticas) como as sem fio e ainda as redes híbridas, que combinam os dois tipos anteriores.

Não importa muito sua infra-estrutura, mas duas características básicas: todas as NGNs são redes que exercem funções inteligentes e utilizam o protocolo IP.

Timeline

Lembram-se quando a rede telegráfica era uma espécie de inteligência das estradas de ferro? Sem o telégrafo, os trens não circulavam com segurança. Por analogia, poderíamos afirmar que o mundo atual precisa cada dia mais de redes inteligentes, para supervisionar estradas, ferrovias, companhias aéreas, serviços de distribuição, comércio nacional ou mundial, ou mesmo as telecomunicações. Assim nasceu a internet, a maior rede global de informação.

 O ponto chave não está na infraestrutura da rede NGN, mas em sua capacidade de oferecer novo tipo de manuseio, gerenciamento e utilização da informação para todos os players. Essas redes são, na verdade, plataformas convergentes, quer dizer, associam computadores e comunicações no mais alto grau.

Nesse sentido, as NGNs constituem uma das maiores mudanças de paradigmas em relação aos sistemas convencionais de manuseio e recuperação da informação. A partir desse novo paradigma, ocorre uma nova combinação de empresas de negócios tradicionais, associando os interesses das operadoras de telecomunicações com os de provedores de serviços e de conteúdos.

No Japão, as NGNs estão possivelmente mais avançadas do que na maioria dos outros países. Operadoras de grande porte, como a KDDI e o grupo NTT, são as mais ativas na implantação dessas novas redes. Como exemplo concreto desse avanço, as grandes operadoras aceleram a oferta de redes de fibras ópticas do tipo Fiber-to-the-Home (FTTH), por meio das quais asseguram ao usuário final acessos de centenas de megabits por segundo (Mb/s).

Com essas redes, empresas de todos os portes podem usufruir não apenas de downloads de alta velocidade, mas também comunicar-se de usuário a usuário (peer-to-peer), seja via fibras ópticas, via serviços móveis ou ambos.

Carteira eletrônica

Um dos serviços que mais se popularizam no Japão, oferecidos pelas maiores operadoras de telefonia móvel a carteira eletrônica ou carteira virtual móvel (mobile wallet), lançada pioneiramente pela operadora de celular NTT-Do-Co-Mo. Com esses serviços, o celular se transforma em meio de pagamento mais rápido e seguro do que os cartões de crédito. Passa a permitir serviços muito mais variados, rápidos e seguros de comércio eletrônico e de localização de pessoas via GPS totalmente gratuitos.

Outro serviço iniciado pela mesma operadora celular é o de vídeo de alta definição, do tipo video streaming de alta definição. Com telas maiores, acoplados a laptops, os celulares podem mostrar excelentes imagens de vídeo digital. Essas redes de comunicações móveis já ultrapassaram a performance da terceira geração (3G) e podem ser consideradas de 3,5G, no jargão tecnológico. Em breve, o Japão dará o salto para a 4G.

O mundo caminha para uma combinação extraordinária, que é a união das redes sem fio da alta capacidade (de terceira ou quarta geração) com o potencial das redes de fibras ópticas, como as redes FTTH. Nasce daí um novo ambiente de integração.

De seu lado, a indústria passa a oferecer sua experiência na expansão das redes de banda larga, para atender, em especial, às grandes operadoras e aos usuários corporativos, nessa nova era das NGNs.

Internet vs. NGNs

Como todos sabem, a internet é a grande rede IP que cobre o planeta. Mas ela é, sob muitos aspectos, uma rede sem dono e sem responsáveis diretos, por ser pública e aberta.  As duas grandes vantagens que ela oferece é, de um lado, a disseminação global do protocolo IP e, de outro, seu baixo custo para os usuários. Assim, com a expansão extraordinária da internet, o protocolo IP acabou por tornar-se um padrão mundial.

Em complemento à internet e para conferir maior segurança aos serviços corporativos e governamentais, nasceram, as NGNs. São elas que vão garantir maior confiabilidade aos serviços corporativos e de telecomunicações em geral.

Assim, um dos objetivos fundamentais das redes inteligentes é dar aquilo que a internet nem sempre é capaz de dar, isto é, mais segurança e confiabildiade às redes corporativas. Resumindo suas grandes características, as NGNs precisam atender a seis requisitos básicos, quais sejam:

* Escalabilidade, para poder crescer continuamente;

* Interoperabilidade, para integrar-se a todas as demais redes;

* Adaptabilidade, para assegurar o máximo de flexibilidade e ajustar-se a todos os novos ambientes e plataformas;

* Disponibilidade permanente, para estar presente a qualquer hora;

* Segurança, para garantir o máximo de confiabilidade;

* Visibilidade, para ser perceptível, em todos os formatos, usos, tendências e até indicações de eventuais falhas operacionais..

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