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Avanços espaciais de 2010

O ano de 2010 foi rico de avanços na área espacial, com o Telescópio Espacial Hubble, na Estação Espacial Internacional (ISS) e em sondas enviadas a outros planetas.

Ethevaldo Siqueira

23 de dezembro de 2010 | 21h36

Revelações extraordinárias do Hubble, da Estação Espacial Internacioanl (foto da NASA) das sondas espaciais e dos satélites científicos fizeram de 2010 um ano excepcional para as conquistas espaciais – tema sobre o qual começo a escrever sistematicamente neste blog. Para a humanidade, o conhecimento do espaço cósmico continuou ampliando-se a cada minuto, graças a todos esses recursos e projetos.

O Hubble, lançado em abril de 1990, completou duas décadas em órbita. A massa de informações e conhecimentos astronômicos de que dispunha a humanidade na época do lançamento desse telescópio não correspondia a mais do que 4 ou 5% do que sabemos hoje.

Relato aqui uma experiência pessoal que supunha ainda estar distante de minha vida profissional ou cotidiana. Há pouco mais de uma semana (15 de dezembro) recebi um link especial enviado por um amigo cientista russo, que trabalha no Cosmódromo (base espacial) de Baikonur, no Cazaquistão, e pude assistir ao vivo em meu computador, via IPTV, com imagens da televisão russa, ao lançamento do foguete Soyuz TMA-20, transportando em sua pequena nave três astronautas em direção à Estação Espacial Internacional (ISS).

Quase dois dias depois, acompanhei ainda em meu computador a descrição do acoplamento da nave com a ISS, trazendo três cosmonautas para uma temporada de 152 dias a bordo da estação espacial: o russo Dmitri Kondratiev, comandante da nave, a americana Catherine Coleman, e o italiano Paolo Nespoli. Os três irão juntar-se ao astronauta da NASA, Scott Kelly, e aos cosmonautas russos Alexander Kaleri e Olga Skripochka – que, em breve, retornarão à Terra.

Imaginem que esses astronautas vão corrigir a posição orbital da estação espacial, elevando-a em 4,2 quilômetros, para 352,9 km de altitude sobre a Terra, de modo a melhorar as condições de acoplamento do cargueiro espacial russo Progress-M-09 que chegará à ISS em janeiro, bem como o ônibus espacial Discovery, que fará sua viagem de despedida, em fevereiro de 2011, encerrando o ciclo dos veículos denominados Space Shuttles, iniciado em 1981, com a nave Columbia.

Alguns perguntariam: como elevar uma estação espacial de centenas de toneladas para um posição 4,2 km mais alta? A manobra será realizada com auxílio de oito propulsores do cargueiro Progress M-07M, que se encontra estacionado no modulo Zvezda da própria ISS.

Medindo a febre

Uma das áreas de grande avanço em 2010 foi a contribuição dos satélites para o diagnóstico do aquecimento global. Os satélites científicos mostram o que está acontecendo com o planeta, seja quanto ao degelo das calotas polares, seja com relação ao desmatamento na Amazônia ou com a elevação da temperatura dos oceanos e com a poluição nos mares. Eles funcionam como termômetros que medem a febre do planeta.

Tomemos o caso do satélite CryoSat, da Agência Espacial Europeia (ESA), cuja missão, encerrada no dia 19 de novembro, começa a mostrar o que está acontecendo com as calotas de gelo polares.

O diagnóstico feito pelo satélite Cryosat está ainda na fase preliminar. Mas os primeiros dados já são preocupantes. Além da redução significativa da camada de gelo das calotas polares, no polo Norte e na Antártica, mais da metade da Groenlândia e vastas áreas do norte do Canadá e da Sibéria perderam sua cobertura de gelo.

A pergunta que todos nos fazemos é a mesma: Por que a maioria dos países não reage diante de tantas advertências? As nações mais desenvolvidas, como os Estados Unidos, e a maior nação emergente, que é a China, parecem não aceitar medidas mais rigorosas de controle da emissão de gás carbônico.

O mundo tinha grande esperança de que presidente Barack Obama fosse mudar os rumos de seu país, nessa área. Começo a ficar pessimista. Acho que ele vai contrariar seu lema de campanha e dizer: Change? We cannot. 

Outro satélite de monitoramento das camadas de gelo, nuvens e elevações terrestres é o Ice-Sat (abreviatura de Ice, Cloud and Land Elevation Satellite). Esse satélite comprovou, entre outros fatos, que, de 2001 até 2010, a Antártida perdeu 12 Gigatons de gelo – ou 12 bilhões de toneladas de gelo por ano. Isso significa um terço de todo o gelo acumulado na Península Antártica e a região da Ilha dos Pinheiros – que são as mais próximas da América do Sul.

Estamos, portanto, diante de comprovação científica e não de mera suspeita sobre o degelo das calotas polares. Diversos cientistas negavam essa possibilidade, enquanto a maioria dos ambientalistas advertia sobre o risco de aceleração do degelo das calotas polares. Agora, as coisas mudaram. Existem dados incontestáveis de diversos satélites científicos que comprovam não apenas que o problema existe, mas que ele é muito mais grave do que se esperava. 

Esperemos que o mundo tome juízo em tempo, pois poderemos ter que enfrentar a elevação do nível dos mares em menos de 30 anos. Cidades como o Rio de Janeiro, Santos, Nova York, a Holanda inteira e centenas de outros pontos da Terra poderão ser cobertos por alguns metros de água.

Três GPS integrados

Quase todos os brasileiros estão familiarizados com o sistema de localização via satélite GPS (Global Positioning Satellite). Pois bem, em 2010, dois outros programas na área de sistemas de navegação via satélite avançaram significativamente. O primeiro deles é o sistema russo Glonass – que está em sua segunda geração, com avanços significativos. O segundo é o sistema europeu ocidental Galileo (na foto da Agência Espacial Europeia-ESA), que está em fase de implantação.

O avanço mais importante desses dois sistemas será a futura integração entre ambos e o GPS norte-americano. O Galileo é, de longe, o mais avançado. Terá sinais mais robustos e irá operar com 30 satélites de órbita baixa e não 24 – como o Glonass e o GPS. Essa integração e interoperabilidade entre os três sistemas está prevista para ocorrer em 2014.

A combinação dos serviços do Galileo com o GPS em receptores do tipo dual abrirá perspectivas de novas aplicações que exigem níveis muito maiores de precisão de localização que os garantidos atualmente pelos sinais do GPS. Com essa evolução, serão possíveis aplicações como a de guiar cegos, ampliar o sucesso de operações de resgate de pessoas nas montanhas, bem como o monitoramento de pacientes com o mal de Alzheimer e outras doenças.

Um fato negativo ocorrido no início de dezembro deverá impacto no cronograma do novo Glonass. Foi a perda de três satélites avançados chamados Glonass-M, com a falha do foguete lançador Proton-M. Ao atingir o início de sua órbita, faltou combustível para a perfeita conclusão da órbita, o que provocou a queda dos três satélite no Oceano Pacífico, nas proximidades do Havaí.

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