Meu sonho de 100 megabits

A competição pode ampliar significativamente a oferta de acessos de altíssima velocidade, via fibra óptica, nas maiores cidades do Brasil. É o que começa a acontecer em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

Ethevaldo Siqueira

23 de outubro de 2010 | 18h30

Coluna do Estadão de domingo, 24-10-2010

A fibra óptica transforma nossos sonhos em realidade. Em breve, você também, leitor, poderá fazer coisas inacreditáveis com sua internet de altíssima velocidade. Sua banda larga será larga, de verdade – com velocidades que vão de 30 a 100 Megabits por segundo (Mbps). Com 30 Mbps você baixa e envia arquivos em tempo recorde, aumenta a produtividade de seu trabalho pessoal e de sua empresa, navega com uma rapidez até aqui inimaginável e, o melhor de tudo, paga muito menos por todas essas vantagens. Para baixar músicas ou vídeos você não terá que esperar mais que alguns segundos. Para transmitir fotos de 20 megapixels, menos de um minuto.

Se eu tivesse escrito este artigo há apenas cinco anos, prevendo a chegada desses avanços nesse período, com certeza me chamariam de louco. O que anuncio hoje, entretanto, não é uma previsão para um futuro distante, mas algo que se torna realidade imediatamente ou em poucos meses.

Mais competição

Tudo isso se torna realidade com as novas ofertas de internet a velocidades super elevadas em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e outras grandes cidades, como resultado direto do aumento da competição entre as grandes operadoras: GVT, NET (Embratel) e Telefônica.

A grande desafiante nesse processo é a GVT, operadora autorizada que detém 3,6 milhões de linhas fixas no País e atua em 93 cidades, nas regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste, no interior de São Paulo e que, finalmente, chega à Grande São Paulo.

As novas ofertas se apoiam, principalmente, na expansão das redes de fibras ópticas, que permitem esse salto nas velocidades de acesso, de 10 a 100 Mbps e, melhor do que tudo, a preços bem mais baixos. Algumas cidades já começaram a sentir a chegada desses serviços: como em Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

Esperança

Tudo indica que a GVT cumprirá, realmente, o que promete. Assim, a revolução da fibra óptica ganhará novas perspectivas em São Paulo no próximo trimestre. E não tenho dúvida de que suas grandes concorrentes – Telefônica e NET – terão, forçosamente, que responder ao desafio. E os maiores beneficiados seremos nós, usuários.

Os planos anunciados pela GVT, após sua aquisição pelo grupo francês Vivendi, são, realmente, ambiciosos. A operadora ampliou seus investimentos e consolidou seus projetos para atendimento tanto das grandes corporações, quanto das pequenas e médias, profissionais liberais e usuários residenciais.

Com uma imagem excepcionalmente positiva entre seus clientes, a GVT promete oferecer banda larga via fibra óptica em São Paulo com velocidades efetivas de 3 Mbps, a R$ 69,90. De 10 Mbps, a R$ 89,90. De 15 Mbps, a R$ 99,90. De 35 Mbps, a R$ 229,90. De 50 Mbps, a 329,90. Ou ainda de 100 Mbps, a R$ 529,90. A partir de 10 Mbps, a empresa oferece modem e Wi-Fi grátis.

A GVT dispõe hoje de 3,6 milhões de linhas em serviço, com acesso de banda larga a mais de 1 milhão de clientes. Desse total, 60% a 10 Megabits por segundo (Mbps) ou mais.

 “A GVT iniciou essa revolução no mercado brasileiro de banda larga, ao lançar o Power GVT, uma família de produtos com velocidade de 3 Mbps até 100 Mbps”, afirma o vice-presidente Alcides Pinto. Em sua opinião, o elevado grau de satisfação de seus clientes de banda ultra larga ao cuidado que a empresa dedica na escolha do modem: “Na maioria das vezes, o problema de desempenho insatisfatório dos serviços decorre do uso de modems incompatíveis com o serviço. Além de não cobrar o modem, nós garantimos essa compatibilidade e a melhor performance.”

Música de graça

A GVT e a Universal Music anunciaram na semana passada a oferta gratuita de música e vídeo em streaming aos assinantes (www.powermusicclub.com.br). É a primeira grande oferta de conteúdo diferenciado por uma operadora de telecomunicações.

O novo serviço, que se chama Power Music Club, foi anunciado há poucos dias pelo vice-presidente da GVT, Alcides Pinto, e pelo presidente Universal Music (Brasil), José Éboli. Os assinantes terão acesso ilimitado a milhares de músicas e videoclipes do catálogo da gravadora, bem como aos playlists dos artistas.

O repertório inclui os maiores sucessos da atualidade, tanto de músicas e clipes de cantores como Lady Gaga, Justin Biber, Ivete Sangalo ou Caetano Veloso. Abrange música popular internacional, MPB, jazz, música clássica (com todo o catálogo da Deutsche Grammophone).

Os assinantes podem criar e compartilhar suas seleções pessoais de músicas, seguir o noticiário especializado e participar de promoções. O serviço não permite, contudo, o download das músicas ou do vídeo.

Meu teste: 30 Mbps

Para uma avaliação futura das possibilidades do serviço e de sua qualidade, estou iniciando uma experiência como assinante de um acesso de fibra óptica, do serviço fiber-to-the-home (FTTH), da Telefônica, que deverá me proporcionar acesso ultra rápido à internet, inicialmente a 30 Mbps, mas que poderá evoluir até a 100 Mbps, velocidade que me dará a opção de novos serviços de IPTV, como VoD (Video on Demand). Os primeiros bairros atendidos na Cidade de São Paulo pela Telefônica serão Morumbi, Jardins e Higienópolis. Outras operadoras, como a GVT e Net deverão oferecer opções realmente sedutoras nessa área.

Observação final neste blog: Diante de minha banda superlarga, Rogerio Santanna, presidente da Telebrás, com seu ar doutoral e desafiador, talvez proclame: “Vocês estão vendo? Foi só a Fênix ressuscitar das cinzas, e a iniciativa privada passa a oferecer soluções muito mais avançadas e a preços competitivos… Viram como foi bom reativar a Telebrás?”

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