O adeus dos ônibus espaciais

Ethevaldo Siqueira

21 de julho de 2011 | 13h59

Eram quase 6 horas do dia 21 de julho de 2011 na Flórida quando o Atlantis pousou. (Foto: NASA/Kim Shiflett)

Eram 5 horas e 57 minutos no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, na manhã desta quinta-feira, quando o ônibus espacial Atlantis pousou pela última. Após 30 anos e 135 missões, o programa Space Shuttle (de ônibus espaciais) da NASA chegou ao fim. Com o pouso do Atlantis, ao retornar de uma viagem de 13 dias à Estação Espacial Internacional, encerra-se um ciclo da conquista do espaço “O futuro começa agora”, afirmou o administrador da NASA, Charles Bolden, em seu discurso de boas vindas aos quatro tripulantes.

“Os bravos astronautas do STS-135 são emblemáticos do programa de ônibus espaciais: profissionais preparados, de diferentes formações, que impulsionaram os Estados Unidos a continuarem líderes na corrida espacial”, disse Bolden.

Desde o primeiro vôo, em 12 de abril de 1981, 355 pessoas de 16 nacionalidades voaram 852 vezes a bordo os ônibus espaciais, percorrendo mais de 870 milhões de quilômetros e realizaram mais de 2 mil experimentos. Integraram a tripulação do último voo o comandante Chris Ferguson, o piloto Doug Hurley e os especialistas espaciais Sandra Magnus and Rex Walheim.

Meu testemunho

Os últimos três voos foram dos ônibus espaciais Discovery, Endeavour e Atlantis. A partir de agora, os ônibus espaciais do projeto Space Shuttle serão história. Sentirei muita saudade deles, porque, como escrevi em março, eles fazem parte de um período muito feliz de meu trabalho profissional.

 Guardo boas recordações das coberturas dessas missões dos ônibus espaciais e projetos anteriores dos anos 1970. Ficava hospedado na cidadezinha de Cocoa Beach, num Holiday Inn bem modesto, próximo do Centro Espacial Kennedy, no Cabo Canaveral.

Naquela cidadezinha da Flórida, conheci Mary Bubb, uma repórter solitária, já com mais de 50 anos que havia coberto literalmente todos os lançamentos da Nasa até então ocorridos ali. Mary era uma enciclopédia viva sobre quase todos os projetos espaciais, tais como Mercury, Gemini, Apollo ou Viking. Morava numa casa deliciosa, junto à praia, rodeada de plantas e de milhares de fotos dos eventos mais importantes que havia coberto.

Fiquei sabendo recentemente, por amigos do Facebook, que Mary Bubb faleceu em 1988, aos 67 anos de idade, depois de escrever por mas de 30 anos sobre o programa espacial norte-americano. Mary morreu dormindo – talvez sonhando com o imenso universo revelado em apenas uma fração minúscula pelo conhecimento humano.

Entre os cientistas que conheci ao longo dos anos de cobertura da Nasa, nos Estados Unidos, nenhum me impressionou mais do que o astrônomo Carl Sagan, que me despertou duas paixões. Uma pela tecnologia espacial. Outra, pela astronomia.

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