O Google faz sua defesa

O Google defende-se coluna das acusações de violação da priivacidade contidas no livro Busque e Destrua, de Scoott Cleland, que resenhamos nesta coluna no dia 8 de julho de 2012.

Ethevaldo Siqueira

28 de julho de 2012 | 20h57

O diretor de Comunicação e Assuntos Públicos do Google, no Brasil, Félix Ximenes, responde a seguir às principais críticas contidas no livro Busque e Destrua, de Scott Cleland (Ed. Matrix, São Paulo, 2012), comentadas nesta coluna, em 8 de julho passado, sob o título de “A face perversa do Google”.

Privacidade. “O livro acusa o Google de destruir a privacidade de seus usuários. Respondemos: Privacidade e segurança da informação são questões que afetam a internet como um todo e o Google é a empresa que está melhor posicionada para discutir essas questões. O Google tem uma política muito clara e transparente e é uma das únicas a oferecer o controle da privacidade e dos dados aos usuários, prática rara no mercado. Infelizmente menos raro em nosso mercado é o uso de temores comuns para espalhar pânico na internet. Atrair a atenção usando o que chamamos de  FUDs (Fear, Uncertaintly and Doubts – Medo, Incertezas e Dúvidas), é prática largamente utilizada entre disseminadores de spams, vírus e phishing”.

“O Google só busca informações públicas que estão abertamente disponíveis na web – ou seja, o que qualquer um tem acesso”.

Rastrear informações. “O Google dá diversas opções ao usuário, desde a utilização das ferramentas sem estar logado, por exemplo, é possível usar as ferramentas de buscas, mapas e vídeo sem se identificar. Se um usuário entra no Google e faz uma busca, nenhum tipo de histórico de pesquisa é criado”.

Falta de ética: “O livro acusa o Google de fazer uso antiético de informações. Não é verdade. De acordo com os termos de serviço do Google, nenhuma informação coletada é repassada a terceiros. Nos mais de 14 anos de sua existência, o Google nunca vendeu informações de usuários, prática bastante comum muito antes de existir internet entre empresas que mantém cadastro de clientes”.

O Google oferece ferramentas, como o Google Dashboard, onde é possível ver exatamente que tipo de informação os produtos do Google possuem sobre você. Além disso, o buscador apenas encontra informações públicas – a intimidade das pessoas, assim como a propriedade intelectual, está completamente protegida nesse sentido. Como um GPS, ele o auxilia na localização dos caminhos, mas não é o destino per se”.

“Além de permitir que o usuário tenha total controle sobre o que a empresa sabe sobre ele e como controlar sua privacidade em suas propriedades (Google Dashboard), avisar sobre os conteúdos que foram retirados (Transparency Report), a empresa ainda oferece o Data Liberation Front, que é uma iniciativa que permite que o usuário retire todas as suas informações dos produtos do Google e leve para qualquer outro lugar, como fotos do Picasa, contatos, emails etc”.

Multa de US$ 500 milhões. “O livro acusa o Google de ter pago multa no valor de US$ 500 milhões por ter anunciado de forma deliberada e consciente por sete anos, as importações de um medicamento controlado ilegal e inseguro, segundo as leis norte-americanas. Não cabe aqui discutir quem tem razão nesse debate. O Google baniu as propagandas de vendas de remédios sob prescrição de empresas canadenses nos EUA há algum tempo. No entanto, é óbvio que nós não deveríamos ter aceitado esses anúncios em primeiro lugar”.

Poder absoluto. “Atribuir poder absoluto ao Google, como a de um Grande Irmão, é falacioso. Essa é uma organização sujeita as mesmas leis como qualquer outra. Quanto ao conceito de monopólio, vale lembrar que é quando uma empresa consegue ter exclusividade em algum mercado – por exemplo, um país onde existe apenas uma companhia telefônica, e não existe outra opção para o consumidor. No mercado onde o Google atua, a concorrência existe, e é feroz.”

“O Google acredita tanto em transparência que possui até o Transparency report, um documento que mostra todo ano os pedidos de retirada de conteúdo de seus produtos – coisa que o governo do Grande Irmão nunca faria”.

Mundo melhor? “O livro põe em dúvida a promessa dos fundadores do Google de tornar o mundo um lugar melhor. Reafirmamos que o compromisso do Google é com os usuários. No dia em que esse compromisso for frustrado, os usuários vão optar por outros serviços”.

“Se o Google tem se saído melhor é por puro mérito de seu foco nas necessidades dos usuários acima das próprias e esforços de desenvolvimento de soluções inovadoras e relevantes para as pessoas”.

Perigos da web. “O livro diz que é preciso esclarecer os usuários e, em especial, nossos jovens sobre os riscos da web. Nesse ponto concordamos integralmente com o Sr. Cleland. Acreditamos que é importante que os usuários tenham consciência do poder e dos riscos do uso de ferramentas seja na internet ou fora dela, seja no Google ou em qualquer outra empresa.”

“Mas
a internet é uma reprodução do mundo que conhecemos e se o mundo que construímos é cheio de belezas é igualmente cheio de riscos, temos que ser conscientes e exercer nossas escolhas”.

Exploração. “O autor do livro acusa o Google de pagar pelo espaço nos sites parceiros algo próximo de zero. Diversos blogs e sites se sustentam por meio de AdSense, que é a rede de display do Google. Os parceiros recebem uma parte maior da receita de publicidade, distante do “próxima do zero” como é afirmado”.

 

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