Pássaros extintos reaparecem

Parece um milagre: quase uma centena de espécies de pássaros que se supunham extintos reaparecem na Amazônia, conforme demonstram pesquisas científicas divulgadas no dia 22 de junho.

Ethevaldo Siqueira

25 de junho de 2011 | 22h32

Conforme noticiário da Fundação Nacional de Ciência (NSF-National Science Foundation) dos Estados Unidos, diversas espécies de pássaros considerados extintos reapareceram  depois de 25 anos em trechos isolados (fragmentos) da floresta amazônica no Brasil, remanescentes de áreas desmatadas, segundo resultados de uma pesquisa publicada dia 22 de junho na revista PLoS (Public Library of Science) ONE.

A pesquisa foi custeada pela NSF) e conduzida em cooperação com o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical (Smithsonian Tropical Research Institute), de Manaus. O líder do grupo de pesquisa, Philip Stouffer, ornitologista da Lousiana State University, e os pesquisadores e coautores do trabalho, Erik Johnsson, da Sociedade Nacional Audubon, Richard Bierregaard, da Universidade da Carolina do Norte, e Thomas Lovejoy, do Centro Heinz, de Washington-DC, avaliaram as populações de pássaros ao longo de 25 anos em 11 fragmentos, variando de 1 a 101 hectares, da floresta amazônica, nas proximidades de Manaus.

No final da primeira década do estudo de longo prazo, os pássaros haviam abandonado os fragmentos de floresta e, segundo acreditavam os pesquisadores, estavam extintos. Para sua surpresa, no entanto, depois de 20 anos, muitas espécies de pássaros retornaram, enquanto outras espécies realmente se extinguiram.

“Com base na observação de longo prazo de fragmentos da floresta amazônica, este estudo nos permite verificar que a extinção local é acompanhada pela contínua recolonização, dependendo apenas do tamanho do habitat” – diz Saran Twombly, diretor do programa da Divisão de Biologia Ambiental da NSF.

Embora a perda de espécie que se seguiu às mudanças e habitat podem ser responsáveis pelo desaparecimento de alguns pássaros, são necessárias observações de longo prazo que se identifiquem com maior precisão o destino das populações de pássaros, explicou Stouffer. Assim que o projeto começou e antes que a floresta fosse derrubada, os pesquisadores fizeram o levantamento completo das populações de aves, repetido a contagem dos pássaros em 1985, 1992, 2000 e 2007.

De 101 espécies de aves capturadas antes do desmatamento, para identificação dos pássaros, os pesquisadores detectara 97 em pelo menos um fragmento de floresta remanescente, em 2007. O processo de extinção começou com a saída ou a morte dos pássaros. Agora, eles estão voltando.

Durante o primeiro ano após o desmatamento, as espécies de pássaros praticamente desapareceram, fato que levou os pesquisadores a chamar de “extinção localizada”—querendo dizer com isso que as espécies haviam desaparecido de uma área em particular.

As pesquisas demonstram, em síntese, algumas formas pelas quais os pássaros sobrevivem em um ambiente modificado pelo homem, bem como os efeitos positivos da regeneração das florestas.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.