Por que alguns produtos despertam tanta paixão?

Não é fácil descobrir por que alguns produtos despertam tantas paixões entre os consumidores. A maioria deles são produtos lendários. Vale a pena refletir sobre o tema, a partir de duas experiências que tive há poucos dias: o Office 2010 e o iMac.

Ethevaldo Siqueira

30 de julho de 2010 | 14h18

Existem no mundo do consumo produtos capazes de criar legiões de usuários fiéis e clientes apaixonados. Pergunte a um dono de uma Harley-Davidson por que ele gosta tanto de sua moto. Ou a um audiófilo fanático por que ama seus amplificadores Bang & Olufsen ou Mark Levinson. Ou um milionário apaixonado por carros esportivos, por que comprou uma Ferrari ou Lamborghini. Ou a um apreciador dos melhores vinhos, por que comprou vinhos brancos Montrachet, da Borgonha. Todos eles terão mil razões para justificar sua paixão: muitas delas puramente subjetivas e imaginárias. Mas, suficientes para criar a fidelidade mais completa ao produto.

Como consumidor bem mais modesto, trago aqui duas experiências que vivi nas duas últimas semanas, e que me encantaram, como usuário de computador.

Lembro ao leitor que, por necessidade profissional, sou usuário de PC Windows e de Mac, as duas grandes plataformas de computadores pessoais. Mas não pensem que sou neutro entre os dois: minha grande paixão são os Macintosh.

Passei a usar microcomputadores desde o final dos anos 1970, logo que eles foram lançados no mercado. É claro que tive que passar por toda a fauna de máquinas pioneiras, como o TRS-80 da Radio Schack, o Amiga, o Commodore, Sinclair e outros que já não me lembro.

Comecei a usar microcomputadores da linha Apple, em 1979, com um Apple II – a máquina que vendeu 20 milhões de exemplares em todo o mundo e consolidou o computador pessoal e a empresa da dupla Steve Jobs-Steve Wozniak. Meses depois do lançamento do Mac, em 1984, fui um dos seus primeiros usuários no Brasil.

Todos sabem que PC Windows e Macintosh são dois mundos muito diferentes, embora se aproximem cada dia mais. Uso o PC porque ele é a ferramenta que está em todo lugar, em todas as salas de imprensa, que roda todos os meus aplicativos e que, felizmente, me tem dado muito menos problemas a partir do Windows 7, a última geração do sistema operacional da Microsoft. E agora, com o Office 2010.

O iMac, por sua vez, é uma espécie de paixão renovada, com todos os aplicativos possíveis, inclusive o iTunes para música e centenas de emissoras de rádio de todo o mundo. Minha grande queixa são os impostos bárbaros que este País cobra sobre essa máquina importada. Nos EUA, o iMac com monitor de 21,5 polegadas custa US$ 1.199, no varejo. Aqui, cerca de R$ 4.000. Quase o dobro do preço americano.

Meu novo Mac

Acabo de realizar um sonho de consumidor: comprar um iMac, que, em minha opinião, tem o mais belo design que a Apple já criou: teclado e mouse sem fio, integrando numa única peça, CPU e monitor de cristal líquido (LCD) de alta definição. Até há pouco eu usava um Mac desktop antigo, de cinco anos atrás, e um Mac Book portátil, novo, para viagens. Precisava de um desktop atualizado e com monitor bem maior e melhor.

Minha pressa em comprar o iMac resultou de uma infecção arrasadora de vírus em meu PC, embora os antivírus ainda estivessem teoricamente válidos. Como os computadores Apple são praticamente imunes a vírus, decidi em 24 horas comprar esse novo computador e nele concentrar meu trabalho diário.

Antes dessa decisão, eu costumava parar e entrar em uma loja sofisticada para namorar o iMac, nos últimos dois ou três meses. Eu entrava, fazia as mesmas perguntas ao vendedor, calculava o investimento e, no final, adiava a compra.

Há poucos dias, pressionado pelos vírus de meu PC, não resisti e bati o martelo, diante de uma promoção que trouxe seu preço abaixo de R$ 3,7 mil, com a configuração que me agradava e monitor de 21,5 polegadas.

Pois bem: meu novo iMac chegou há menos de 15 dias. Nele tenho trabalhado com muito mais prazer e não me canso de admirar suas linhas modernas, a simplicidade de conceito e a beleza das imagens de seu monitor de 21,5 polegadas. Mesmo escrevendo durante dez horas por dia, sinto-me como um garoto que acaba de ganhar um brinquedo novo.

Já superado?

Por uma semana, achava que meu iMac era o desktop mais moderno do mundo. Pura ilusão. Nem bem comecei a usar o novo brinquedo e a Apple maldita já lançou um novo modelo, ainda mais avançado, com modelos diferenciados pelos processadores Intel Core i3, i5 e i7, muito mais rápidos, da geração de 32 nanômetros, com a tecnologia Quad Core, de processadores de quatro núcleos num único chip, que proporcionam desempenho ainda melhor do que as máquinas anteriores.

Os novos modelos do iMac, além dos chips de última geração, têm processadores gráficos autônomos mais poderosos, separados da CPU. Não importa quais sejam as exigências profissionais do usuário – cineasta amador ou fanático jogador de games avançados – o iMac apresentará os elementos gráficos de forma mais rápida e nítida.

Acabei me consolando. Afinal tenho um iPhone defasado e um iPod Touch velhinho. Que pecado seria acrescentar um iMac de penúltima-palavra? Não me deixei abater diante do lançamento do novo iMac e, depois de um exame mais minucioso, descobri que as diferenças entre o meu computador e seu sucessor são mínimas.

Aceito a ideia de passar os próximos 12 ou 24 meses trabalhando nesse iMac, sem qualquer prejuízo, até porque não tenho necessidade vital de maior velocidade ou de um desempenho superior ao que minha bela máquina me proporciona.

Backup de tudo

Um recurso que acho extraordinário criado para a linha Apple de computadores é o Time Capsule/Time Machine, um sistema de backup automático, sem fios, que vai efetuando cópias de segurança enquanto em escrevo ou produzo documentos. Parece uma mágica.

Esse recurso é, na realidade, proporcionado pelo sistema operacional Mac OS-X Leopard, que dispõe de um avanço especial, chamado Time Machine. Externamente, está um HD de 1 ou 2 Terabytes, o Time Capsule, que vai armazenando tudo que modificamos, em nosso trabalho diário. Nunca mais vou perder documentos, fotos ou trabalhos apagados indevidamente ou por acidente.

A linha de acessórios da Apple para computadores é impressionante. Na semana passada, a empresa anunciou o lançamento do Magic Trackpad, um periférico multitoque que deverá substituir o mouse em seus computadores de mesa. Preço nos EUA: US$ 69. O Trackpad tem conexão sem fio Bluetooth e usa duas pilhas pequenas.

Office 2010

Em matéria de software, minha experiência  positiva – e que recomendo aos usuários de PCs – é migrar para o novo Office 2010 da Microsoft, lançado na quarta-feira passada. Eu já conhecia a versão Beta, mas agora instalei o pacote mais completo, o Office 2010 Professional, que tem 7 ferramentas magníficas: 1) processador de textos mais usado no mundo, o Word; 2) planilha Excel, para cálculos; 3) Power Point, aplicativo para apresentações; 4) OneNote, sistema de anotações; 5) Outlook o aplicativo campeão para e-mail e calendário; 6) Publisher, para publicações e materiais de marketing; e 7) Access 2010, gerenciador de informações importantes com ferramentas de bancos de dados bem fáceis de usar.

O Office 2010 tem três versões principais. A mais simples e popular é a do Office Home & Student, vendida a R$ 199; a Home & Business, por R$ 499; e a Office Professional, por R$ 1.499. Uma versão gratuita, com o nome de Office Starter, virá pré-instalada em novos computadores, com funcionalidades reduzidas, voltada para os novos usuários, em substituição ao Microsoft Works. Para usuários de computadores Macintoshs, a Microsoft avisa que lançará no final do ano a versão Office 2010 para Mac.

Espero voltar a analisar o Office 2010 daqui a alguns meses, com maior experiência no uso de suas ferramentas. Por enquanto, antecipo minhas primeiras impressões: é um pacote de software excelente.

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