Por que escolhi José Serra

Neste artigo, dedicado a todos os leitores que me conhecem, dou as razões por que escolhi José Serra, como meu candidato à Presidência da República. Mesmo contra a ação propagandística da mais poderosa máquina governamental de todos os tempos já utilizada numa campanha eleitoral, acho que nosso dever é resistir e apostar na ética e na consciência da maioria dos cidadãos brasileiros.

Ethevaldo Siqueira

27 de setembro de 2010 | 06h14

Agora posso revelar o nome do candidato à Presidência da República em quem vou votar. Mais importante do que isso, no entanto, é revelar as razões por que o escolhi. E posso afirmar que meu candidato é aquele que mais se aproxima do perfil que tracei aqui há poucos dias, no artigo intitulado O Brasil que eu quero.

Esse candidato é José Serra. Conheço-o desde meus tempos de universitário, em 1964, ano do golpe, ele na presidência da UNE (aquela União Nacional de Estudantes de que nos orgulhamos e não a UNE de hoje, cooptada e aparelhada pelo petismo) e eu como presidente da Associação dos Universitários de Santo André, entidade ligada à UEE (União Estadual dos Estudantes) de São Paulo.

Conheço José Serra há 46 anos, portanto. Dele me aproximei desde os tempos em que pertencemos à mesma organização política, a Ação Popular (AP), da esquerda católica, originada na antiga Juventude Universitária Católica (JUC). Em 1963, me mudei de Santo André para Jaboticabal, no interior paulista, por interesse profissional, já que trabalhava no Banco do Brasil e era professor secundário. Lá, no final de 1963, fui eleito vereador.

Com o golpe de 1964, José Serra e eu sofremos perseguição da ditadura. Ele, como todos sabem, partiu para o exílio. De minha parte, sofri outras formas de violência: fui preso, enquadrado na antiga Lei de Segurança Nacional, tive meu mandato de vereador cassado, fui submetido a todos os tipos de humilhação até, finalmente, perder meu emprego no Banco do Brasil, mesmo absolvido no Inquérito Policial Militar.

Acompanhei toda a trajetória de José Serra, a partir de sua volta do exílio em 1977, inclusive sua passagem pela Secretaria do Planejamento do governo paulista. Juntos, recebemos em 1985 o título de Cidadão Emérito de Jaboticabal, na mesma sessão da Câmara Municipal daquela cidade, por todas as punições injustas que havíamos sofrido.

Conheço bem o caráter de José Serra, sua integridade e sua competência. Por isso, trabalhei com entusiasmo por sua eleição primeiro como deputado federal, em 1986, como membro da Constituinte e em todas as suas candidaturas e eleições posteriores, a deputado federal (1990), senador (1994), governador do Estado, presidente da República, prefeito de São Paulo e agora, novamente, presidente da República. Sua passagem pelo Ministério da Saúde teve reconhecimento internacional pelos avanços conseguidos.

Escolhi José Serra como meu candidato porque quero viver num país livre, democrático, progressista e moderno – que seja governado por um estadista e não por demagogos, corruptos e populistas.

Escolhi José Serra porque quero viver num país sem impunidade, um país justo, de alto a baixo, onde o bandido não tenha mais direito nem mais proteção do que suas vítimas. Porque quero viver num país sem leis bastardas que reduzem sempre e cada vez mais as penas dos piores delinquentes, em progressões vergonhosas, para que o criminoso mais cruel volte logo a matar, roubar e estuprar. Um país com leis duras e implacáveis com todos os corruptos e delinquentes. Um país que não faça valer os direitos humanos apenas em benefício de assassinos, ladrões e malfeitores.

Escolhi José Serra como meu candidato à presidência da República porque quero que meu País dê tratamento prioritário à educação, que valorize o professor e a criança. Porque quero que meu País invista muito mais em pesquisa, em ciência, em saúde pública, em preservação da natureza e no desenvolvimento sustentável. Porque quero viver num país que privilegie o mérito, o trabalho, a honestidade, a dedicação, a fidelidade e o cumprimento dos deveres fundamentais do cidadão.

Escolhi Serra porque quero que a imprensa de meu País seja livre em toda a plenitude democrática, sem mordaças, sem censura, sem supostos controles sociais (mero eufemismo para a censura, como já ocorre na Venezuela e na Argentina), uma imprensa comprometida exclusivamente com a verdade e com o bem do Brasil.

Escolhi José Serra porque quero essa mesma liberdade para a arte, a cultura e a internet, no Brasil.

Escolhi José Serra porque quero que este País incentive e apoie todos os cidadãos de baixa renda ou portadores de deficiências, para que eles possam superar suas limitações e alcançar a qualidade de vida que merecem. Escolhi José Serra porque, como ele, eu acredito que o mérito deve prevalecer sempre, sempre.

Escolhi José Serra, porque me recuso a viver num País com impostos escandinavos e serviços públicos africanos. Porque não aceito o empreguismo, o nepotismo, o Estado aparelhado, dominado e corroído pelos cupins, mensaleiros, petralhas, corruptos – um Estado hoje incapaz de fomentar o desenvolvimento econômico e social, a preservação da natureza e assegurar um futuro mais promissor a nossos filhos.

Ao optar por José Serra, eu o faço exclusivamente como cidadão e como  consumidor, que, ao longo das últimas décadas, tem pago a conta de todos os protecionismos e cotas, a começar da reserva de mercado de informática que nos obrigou a comprar e a usar computadores caros, defasados e de baixa qualidade, durante quase 20 anos.

Olhe à nossa volta, meu amigo, e veja quantos demagogos, populistas e mentirosos disputam nossos votos. Levá-los ao poder depende exclusivamente do voto de cada um de nós. Depois, de nada valerá gritar contra o baixo nível do Congresso ou do governo. Os continuístas querem mostrar um novo Brasil – como obra de dois períodos de governo petista – quando a relativa estabilidade e as mudanças foram baseadas nas reformas anteriores, no Plano Real e na Lei de Responsabilidade Fiscal – contra os quais o PT votou. E mais do que qualquer governo, o que tem transformado o Brasil é o trabalho de cada um de nós, o esforço de cada cidadão e de cada empresa.

Diferentemente do quadro ilusório que nos mostra o presidente Lula e sua candidata, o Brasil não passa hoje de um gigante de pés de barro, porque este governo não investiu prioritariamente na infraestrutura econômica e social do País. Se não acredita, confira, leitor : Que acha você da situação de nossas estradas federais? De nossa educação pública? Da assistência à saúde na maioria dos hospitais públicos? Da segurança pública? Da previdência (com rombo de R$ 45 bilhões este ano)? Dos portos e aeroportos? Do setor de energia elétrica? Da devastação da Floresta Amazônica?

É incrível que os sucessivos escândalos do governo petista – desde o mensalão de 2005 até as propinas do Correio e da Casa Civil – sejam minimizados por Lula e sua candidata e sejam vistos pelos petistas como pura manobra da oposição.

Seus responsáveis dirão sempre, com a maior cara de pau, que de nada sabiam, que não têm nenhuma culpa por tudo que foi feito por Erenice, ou  por seu filho, como não assumiram nenhuma responsabilidade por tudo que foi feito por José Dirceu, Delúbio, Genoíno, Gushiken, Valério, Palocci e muitos outros.

Sei que a luta é desigual, tendo que enfrentar a mais poderosa máquina governamental de todos os tempos na história deste País, posta a serviço da candidata continuísta da forma mais vergonhosa e antiética. Por tudo isso, me sinto na obrigação de trazer este depoimento, como dever de consciência, para todos que queiram votar num candidato capaz de mudar a face do Brasil, assegurar-nos a democracia, a liberdade de imprensa, o progresso social e o desenvolvimento econômico sustentável.

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