Quandt é contrário à volta da Telebrás

Primeiro presidente da Telebrás e ministro das Comunicações de 1974 a 1979, o comandante Euclides Quandt de Oliveira diz que é contrário à reativação da estatal e à própria presença do Estado na operação dos serviços de telecomunicações.

Ethevaldo Siqueira

21 de abril de 2010 | 21h39

“Meu caro Ethevaldo: Li seus comentários ao sr. Marcos Dantas, sobre o assunto estatização da banda larga. Concordo, em princípio com eles. Durante muito tempo defendi a política estatal vigente nas telecomunicações, porém a partir de um certo momento abandonei essa posição, devido à forte politização que estava sendo introduzida no setor. O pensamento político no Brasil é completamente desfavoravel à prestação de serviços pelo Estado.”

Essas palavras são do comandante Euclides Quandt de Oliveira, ex-ministro das Comunicações e primeiro presidente da Telebrás (1972-1974), um dos profissionais e líderes mais íntegros e mais respeitados do setor de telecomunicações no Brasil, em e-mail que me dá ainda mais certeza em minhas convicções contra a presença do Estado como operador de serviços de telecomunicações no Brasil. Só os que conheceram de perto esse grande brasileiro podem avaliar a extensão verdadeira de sua contribuição para o desenvolvimento das telecomunicações brasileiras.

Ofereço o primeiro parágrafo deste texto à reflexão de todos os idealistas que defendem a reativação da Telebrás. Se há alguém que deveria ter saudade daquela Telebrás – competente e ética – é Quandt de Oliveira. Aos 90 anos, ele vive hoje em Petrópolis. Aderiu à internet recentemente e diz estar se atualizando  com o setor que dirigiu (com tanta competição e ética). Quanto ao uso da web, ele diz com sua modéstia: “Agora estou aprendendo algo. Mas minha intenção neste comentário é cumprimentá-lo pelos termos de seu artigo, também recordando-me bem de fatos do passado. Abraços do Quandt.”

Como jornalista especializado, no Estadão desde 1967, acompanhei o dia-a-dia da passagem de Quandt tanto pela presidência da Telebrás quanto pelo Ministério das Comunicações. Também me recordo muito bem dos fatos daquele passado de construção dos alicerces do sistema brasileiro de telecomunicações.

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