Televisores do futuro

A tecnologia dos monitores e televisores passa por um período de mudanças revolucionárias. Mais do que evolução, é uma verdadeira revolução, com a TV-3D, avanços em plasma, cristal líquido (LCD), iluminação por LEDs (diodos emissores de luz) e a tecnologia IPS que confere um salto de qualidade ao LCD.

Ethevaldo Siqueira

26 de março de 2010 | 16h36

Os televisores e monitores passam hoje por uma verdadeira revolução tecnológica. É impressionante o número de inovações que surgem no mundo da TV, entre as quais as imagens tridimensionais (TV-3D), os novos avanços da tecnologia de cristal líquido (LCD na sigla em inglês), iluminação com diodos emissores de luz (LED, de light emmitting diodes), múltiplas frequências (de 120 a 600 Hertz); TV de LED orgânico (OLED) e TV a laser, entre outros.

Analisemos aqui, como melhor exemplo dessa revolução, o progresso ocorrido na tecnologia do cristal líquido (LCD, de Liquid Crystal Display). Não há mais termo de comparação entre o que eram as telas de LCD de 10 anos atrás e as mais modernas. Um dos mais recentes saltos de qualidade do LCD foi o da tecnologia dos diodos emissores de luz (ou de LED, sigla de Light Emmitting Diodes), com a iluminação lateral dos paineis por intermédio de centenas de micro-lâmpadas desse diodo que distribuem a luz pelas linhas de pixels que formam as imagens no televisor.

Que é IPS?

O avanço mais recente dos monitores de LCD, no entanto, é a tecnologia IPS (sigla de In-Plane Switching), novo tipo de painel que dá mais vida às imagens de alta definição. O IPS é, na realidade, um processo de fabricação das telas com maior número de camadas e placas de vidro e que proporciona ângulo de visão torna mais amplo, cores mais vivas, evitando que elas se tornam pálidas e lavadas, com acontecia nos velhos televisores de LCD e ainda permite a economia de 30% no consumo de energia. Mesmo passando o dedo ou pressionando a superfície da tela, não aparecem aqueles rastros temporários como no LCD convencional. E, por último, permite a fabricação de monitores muito finos, com menos de um centímetro de espessura.

Para que se tenha a exata medida do salto de qualidade que a nova tecnologia proporciona, basta uma experiência pessoal desse avanço, com uma demonstração que poderá ser feita nas melhores lojas de São Paulo nas próximas semanas. Steve Jobs, presidente da Apple, fez questão de destacar, em janeiro, uma qualidade nova do monitor do iPad, que também utiliza a tecnologia IPS. Com iluminação LED e painel IPS, a tela de cristal líquido do novo tablet/e-reader apresenta muito maior sensibilidade ao toque (touchscreen).

Numa explicação simplificada, IPS é um novo tipo de painel que utiliza a técnica de comutação horizontal dos elementos do cristal líquido em lugar do alinhamento vertical (VA ou Vertical Alignment) convencional. Isso amplia as possibilidades de multiplicação da freqüência de quadros de imagens, permitindo, por exemplo, quadruplicar a frequência de 60 Hertz (Hz) para 240 Hz. Assim, em lugar de 60 quadros por segundos, o televisor apresenta 240, ou seja, quatro vezes mais informação visual por segundo, reduzindo o tempo de resposta e melhorando sensivelmente a qualidade das imagens nas cenas de grande movimento – como esportes, filmes de ação, corridas de F1 e outras.

Enquanto algumas empresas apostam no aprimoramento e melhoria constante da tecnologia de plasma, como faz a Panasonic, outras buscam alternativas no LCD, como é o caso da coreana LG Display, entre outras. O progresso tem sido extraordinário de ambos os lados, embora o LCD tenha melhores perspectivas dentro da filosofia de eletrônica verde, por seu consumo de energia muito menor.

Fábrica robotizada

O grande desafio até aqui era a produção industrial dos monitores das chamadas telas planas de filme fino (TFT, de thin-film technology), de grandes dimensões. Durante a fabricação, um dos pontos críticos é evitar o contato do cristal líquido com o oxigênio do ar durante a montagem das placas do monitor IPS. Para tanto, a LG Display projetou e criou uma fábrica especial a fabricação dessa nova geração de monitores, em que mais de uma centena de robôs trabalham 24 horas por dia, dentro de grandes ambientes cheios de gases neutros, hermeticamente isolados do ar exterior, sem impurezas, como nas mais avançadas salas limpas. Ver esses robôs trabalhando numa fábrica sem operários é uma cena que assustaria até Aldous Huxley, autor do livro Admirável Mundo Novo. E as telas com a tecnologia IPS sãoproduzidas em peças tão grandes que são cortadas em dezenas de outras, menores, de 42, 55 ou 60 polegadas.

Copa e TV-3D

Segundo especialistas, com a realização da Copa do Mundo na África do Sul, em junho deste ano, as perspectivas para o mercado brasileiro de televisão são as melhores possíveis, não apenas quanto ao número de novos televisores a serem comercializados, mas também quanto à introdução das novas tecnologias, como a de TVs com imagens tridimensionais (TV-3D). A Rede Globo prevê a transmissão experimental de jogos da Copa, ao vivo, tanto para televisores 3D quanto para projeção em salas de cinema.

Evento: A TV do futuro

Aos profissionais da área de TV interessados na atualização em tendências e novas tecnologias, sugerimos participar do seminário especializado A TV do Futuro, evento promovido pela Telequest, com apoio do Estadão e que será realizado no dia 26 de abril, no Centro Brasileiro Britânico, em Pinheiros, em São Paulo. (Mais informações no site www.telequest.com.br).

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