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Woz e o valor da educação

Para Steve Wozniak, cofundador da Apple e criador do computador pessoal, tudo que fez de importante na área tecnológica foi resultado do estímulo de seus pais e de seus melhores professores.

Ethevaldo Siqueira

24 de dezembro de 2010 | 12h51

Coluna do Estadão de domingo, 26-12-2010

Qual é o verdadeiro papel dos pais e dos bons professores para o futuro das crianças mais inteligentes? A melhor resposta para essa pergunta eu a obtive ao entrevistar há alguns anos Steve Wozniak (Woz ou iWoz, para os amigos), o inventor do computador pessoal e cofundador da Apple, juntamente com Steve Jobs. Ao falar sobre sua vocação, Wozniak confessou: “Tudo que fiz na vida nasce teve origem na paixão pela tecnologia que meu pai me transmitiu desde cedo e, mais tarde, meus melhores professores”.

Após a entrevista, Woz me presenteou com a edição em inglês de seu último livro, escrito com a colaboração de Gina Smith, que acaba de ser lançado em tradução brasileira, com o título e subtítulo de “iWoz – A verdadeira história da Apple, segundo seu cofundador” (Ed. Évora, São Paulo, R$ 49,90).

O depoimento de Woz consolidou em mim três convicções fundamentais, por mais óbvias que possam parecer. A primeira, de que a maior alavanca de transformação da humanidade é, sem dúvida, a educação. A segunda, sobre a importância decisiva da influência dos pais e dos bons professores na vida de cada um de nós. A terceira, de que sou também um privilegiado, pelos maravilhosos professores que tive, da escola primária à universidade.

Mestres e escolas

Steve Wozniak (foto acima, Divulgaçaõ) é um engenheiro com alma de humanista. Vejam como ele reverencia e destaca a importância da educação e do papel dos professores: “Os grandes responsáveis pelo progresso humano – diz Woz – são os bons mestres e as boas escolas. São eles que transformam crianças inteligentes em gênios, em líderes e benfeitores da humanidade. Sei que isso é um truísmo, uma obviedade, mas, infelizmente, o mundo parece não ver as coisas óbvias. Foram eles que, logo cedo, me despertaram uma vontade imensa de compreender e de transformar o mundo por meio da engenharia e da eletrônica. Com eles descobri como é importante pensar no lado humano de toda invenção ou avanço tecnológico. Sempre me pergunto: por que não investimos muito mais em educação e na formação de bons professores?”

Essa última pergunta também me intriga: por que não investimos muito mais em educação e na formação de bons professores? Todos os candidatos e políticos neste País fazem longos discursos sobre o tema, prometem uma revolução nesse setor e, ao final, tudo continua como está.

Meu encontro com Woz ocorreu em fevereiro de 2007 num ambiente marcado pela tecnologia, um evento mundial de CAD-CAM (Computer-Aided Design e Computer-Aided Manufacturing) da SolidWorks, em New Orleans, cidade ainda traumatizada pela tragédia do furacão Katrina. Durante mais de uma hora, Wozniak encantou a plateia de 3.500 especialistas, contando com graça e espontaneidade sua experiência, de como inventou o computador pessoal e ajudou a fundar a Apple. 

Steve Wozniak não revelou, em nenhum momento, qualquer tipo de arrogância ou postura de gênio por sua contribuição tecnológica. Pelo contrário, contou sua história com simplicidade, embora com um entusiasmo contagiante e quase juvenil.

Uma boa notícia para os apaixonados por computador e pelas tecnologias digitais é que Steve Wozniak estará em São Paulo, de 17 a 23 de janeiro, para participar do Campus Party, evento em que falarão também o ex-vice presidente dos Estados Unidos, Al Gore, e o pioneiro da internet, Tim Berners-Lee. Que belo trio. (http://www.campus-party.com.br/2011/destaques-2011.html#lee  

Um grande livro 

Li e reli com grande prazer o livro de Steve Wozniak. Gostaria de destacar o último capítulo, em que Woz explica por que não escreveu antes suas memórias. Ele explica que, aos 55 anos, idade em que decidiu escrever o livro, ele precisava “estabelecer o registro correto”. Várias imprecisões e erros grosseiros circulavam em dezenas de livros. “Tanta informação por aí sobre mim está errada. Passei a odiar os livros sobre a Apple e sua história, em boa parte por causa disso. Por exemplo, existem histórias de que abandonei a faculdade (não é verdade) ou que fui expulso da Universidade do Colorado (não fui) e que eu Steve projetamos juntos os primeiros computadores (eu os fiz sozinho)”. Nesse capítulo final Woz reúne também conselhos que resultam de sua sabedoria de vida, como num livro de auto-ajuda.

Para minha geração, que viveu e acompanhou toda a revolução do computador pessoal, o livro de Woz é simplesmente encantador. Em cada página, revivemos a evolução de máquinas e tecnologias que nos fascinaram nos anos 1970. Ficamos cientes até dos problemas enfrentados por esse gênio da informática no Consumer Electronics Show (CES) de 1977, em Las Vegas, para demonstrar o uso de disquetes no computador mais famoso da história dos PCs: o Apple II.

Pela primeira vez, o CES apresentava microcomputadores – numa competição acirrada entre máquinas como o Pet da Commodore, o TRS-80 da Radio Schack e o Apple II. A mesma disputa entre essas máquinas e seus aplicativos ocorreria nas versões de 1978 e 1979 do CES.

Outro aspecto realmente interessante do livro de Woz é o lado didático, com pequenos textos explicativos de personagens, de conceitos tecnológicos dos computadores pessoais e da informática em geral. Se você gosta do assunto, não perca a oportunidade de ler esse livro.

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