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E agora, Abilio?

Estadão

22 de junho de 2012 | 19h15

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Com muita emoção. Foi assim o último discurso do empresário Abilio Diniz no comando do Pão de Açúcar. “Deus me fez forte… Vou seguir em frente, não sei como, mas vou“, disse ele, durante assembleia de acionistas na sede da companhia, segundo informou a agência Reuters.

A saída do executivo não é surpresa para ele nem para investidores e acionistas. A troca do controle da rede para o grupo francês Casino estava prevista em um contrato firmado em 2005. Desde então, Abilio Diniz vem se preparando para esse momento, mas certamente hoje não foi um dia fácil para o empresário.

“Qualquer executivo sentiria uma decisão dessa por causa da mudança de rotina e da perda de poder. No caso do Abilio há um desafio adicional e muito importante: a necessidade de desapego à história da família. O Pão de Açúcar é a história da família desse empresário”, afirma Mike Martins, coach e Diretor da Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC).

A importância do contexto familiar para Abilio Diniz ficou evidente na entrevista do executivo ao repórter David Friedlander, do Estado: “Aprendi isso com meu pai: combinou, cumpre“. Ele se referia à desconfiança que existia no mercado de que ele fosse para a Justiça para reverter o contrato firmado com o Casino.

“Esse desapego ao passado pode gerar uma sensação de derrota, culpa, raiva e medo, que devem rondar o executivo pelo menos em um primeiro período”, afirma Martins.

Mas o jogo não termina aqui e Abilio já deu seus sinais: “Não encarem isso como uma despedida”, destacou durante o discurso.

O fato é que o executivo tem 75 anos – desses, 55 anos trabalhando no grupo que ajudou a construir -, uma network invejável e um espírito inventivo que não deixará que ele fique apenas como presidente do Conselho do Pão de Açúcar.

“Abílio tem no espírito a mesma mágica que move homens como Steve Jobs. Ele tem perfil visionário. Vai buscar inovação sempre. Em pouco tempo poderá criar outros produtos e serviços tão lucrativos quanto o Pão de Açúcar”, afirma Martins.

Para Steve Jobs, a saída da Apple, em 1985, foi marcada pela disputa de poder com diretores. Fora da empresa que criou, o executivo fundou a NeXT – uma empresa de desenvolvimento de plataformas direcionadas aos mercados de educação superior e administração. O executivo voltou à Apple em 1996, quando a sua nova empresa foi comprada pela antiga, justamente quando esta última estava afundando.

A história dos dois executivos têm suas diferenças, mas, se o final for semelhante ao de Jobs, Abilio juntará à sua biografia mais realizações e muito dinheiro.

Aliás, quem é fã da série americana Mad Men vai perceber que há muito de Donald Draper em Abilio Diniz. Para quem acompanha e não chegou ao final da 3ª temporada, cuidado com o spoiler. No último episódio, Draper, considerado a estrela da agência Sterling Cooper, convence Bertram Cooper a recomprar a empresa. A Sterling Cooper havia sido vendida a uma agência inglesa e Draper descobre que ela será revendida à McCann. Draper diz a Cooper: “Quem diabos é o responsável? Um grupo de contadores tentando fazer um dólar virar dez dólares? Eu quero trabalhar. Eu quero construir algo próprio. Como vocês não entendem isso?”

 

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