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Esportistas e executivos: o que eles têm em comum

Estadão

13 de março de 2012 | 10h41

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Mudar de carreira não é exclusividade para quem é atleta. Muitos profissionais, por necessidade financeira ou insatisfação pessoal, resolvem trocar de caminho com o passar do tempo. A grande diferença é que, para muitos esportistas, essa mudança significa deixar para trás uma história de sucesso e recomeçar. Ronaldo Fenômeno e Gustavo Kuerten são exemplos disso. Hoje, como executivos, eles trabalham para alcançar o mesmo destaque que conseguiram nos campos de futebol e nas quadras de tênis.

Em entrevista à repórter Marina Gazzoni, do Estadão, na semana passada, Ronaldo disse que “trabalha muito mais e ganha muito menos” à frente da agência 9ine. Há um ano, ele anunciou a sua aposentadoria dos gramados e passou a cuidar da imagem de outros esportistas, como o atacante Neymar, do Santos, e o lutador de MMA Anderson Silva. Sua última arrancada no negócio foi anunciada na semana passada. Trata-se do contrato com Luan Santana, o primeiro músico a ser assessorado pelo ex-jogador. E, após a saída de Ricardo Teixeira da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o ex-jogador ainda será o principal interlocutor do Comitê Organizador Local (COL) da Copa com o governo federal e a Fifa.

Assim como o Fenômeno, Guga, que está aposentado das quadras desde 2008, também se aventurou pelo mundo dos negócios. Com a Guga Kuerten Participações e Empreendimentos, ele gerencia a carreira de Thiago Monteiro, de 18 anos, o 2º no ranking mundial juvenil de tênis. Em sua nova carreira de executivo, o tricampeão de Roland Garros (1997, 2000 e 2011) ainda se dedica a escolinhas de tênis e trabalha na organização de torneios. Agora, ele quer trazer o ATP Finals (torneio que reúne os oito melhores do mundo) para o Brasil.

A professora associada da Fundação Dom Cabral, Aline Souki, acredita que, para esses atletas, a troca de profissão pode ser mais difícil, porque eles deixam uma carreira de muitas conquistas e sucesso. Contudo, eles têm características muito importantes para a carreira de um executivo. “Eles já sabem no que são muito bons e, se usarem isso da melhor forma, conseguirão sustentar o nome que construíram.” Isso é o que ela chama de “processo de auto-conhecimento”, o primeiro passo para um executivo de sucesso.

A disciplina, muito cobrada na vida dos atletas, é outra característica importante para um executivo. “Para quem está à frente de um negócio, de uma operação, não basta ter boas idéias. É preciso dar encaminhamento a todos os processos, cumprindo os prazos de relatórios e tarefas. É preciso saber distribuir as atividades e acompanhar a evolução dos problemas até a sua solução”, afirma a professora.

E, por fim, comunicação. Assim como qualquer executivo, os ex-atletas terão que ser claros na hora de delegar tarefas e cobrar resultados. “Não dá para sentar em cima do nome e esperar que as coisas aconteçam. Se o carisma do atleta contagiar a vida do executivo, o sucesso irá permear a nova carreira”, diz a professora da Fundação Dom Cabral.

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