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O que os clientes do Bar do Leo e os muppets do Goldman Sachs têm em comum?

Estadão

04 de abril de 2012 | 08h29

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Bar do Léo foi fechado por ter trocado marcas de chope

O Bar do Leo, um dos mais tradicionais bares de São Paulo, surpreendeu seus clientes na semana passada. E, dessa vez, não foi pelo chope estupidamente gelado. O que chocou os clientes foi saber que estavam tomando chope trocado. Localizado na rua Aurora, no centro da cidade, o local vendia chope Ashby como se fosse Brahma. A Polícia Civil prendeu o gerente do bar, os donos não se pronunciaram, mas o fato é que durante pelo menos um ano os clientes pagaram mais por um produto que valia menos. Com os lucros maximizados e a imagem destruída, o Bar do Leo sai desse episódio sem saber se completará 70 anos em agosto.

Também em busca do lucro máximo e rápido, o Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento no mundo, virou notícia recentemente. Artigo publicado por um executivo no “New York Times” em seu último dia de trabalho na instituição expôs a venda de produtos indesejados pelo banco a seus clientes. De saída do banco, o diretor-executivo Greg Smith declarou que o Goldman Sachs deixou de lado a meta de oferecer o melhor para seus clientes – mesmo que isso representasse um ganho menor – para adotar a estratégia do lucro máximo a qualquer preço.

O banco negou as acusações, mas a notícia teve forte repercussão na imprensa e, certamente, a instituição será lembrada durante muito tempo pela forma como tratava seu público. Um vídeo mostrando os clientes do Goldman Sachs como “muppets” certamente contribuirá para isso.

Gestor, o responsável pelo lucro, ética e equipe

Chope trocado ou produto “podre” de banco, a conclusão é que o cliente é quem banca a busca pelo lucro rápido. “Pelo menos no curto prazo, isso é o que acontece. No médio e longo prazo, o prejuízo fica com a empresa, pois a reconstrução de sua imagem pode ser impossível”, diz Carlos Da Costa, CEO do Institute of Performance and Leadership (iPL).

Ele explica que o papel do gestor nesse momento é fundamental. “Esse executivo terá que equilibrar a vontade do acionista em receber um ganho maior e a ética que a empresa deve ter. Só isso poderá garantir uma imagem de credibilidade necessária em qualquer negócio sustentável.”

Como líder de uma equipe, esse executivo terá ainda que criar objetivos diferentes da obtenção do “lucro máximo”, pois o resultado financeiro da companhia não desperta nos funcionários a motivação necessária. Segundo ele, a equipe precisa de metas relacionadas à satisfação do cliente, ao legado que a empresa vai deixar e à “ideia de fazer a diferença” no mercado.

Esses atalhos para o lucro criados por gestores e acionistas, principalmente em instituições financeiras, ficaram muito evidentes após o início da crise financeira global, em 2008. Para quem quer um pouco mais dessa “vida real”, vale a pena ver o filme “Margin Call – O Dia antes do Fim“, que concorreu ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 2012. A produção conta as 24 horas que antecederam a quebra do primeiro banco de investimentos e o que foi decidido por acionistas e gestores para evitar o caos previsto por um analista júnior deste banco. Veja abaixo o trailer:

 

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