coluna

Fernanda Camargo: O insustentável custo de investir desconhecendo fatores ambientais

A disputa entre Murilo, Meirelles e Serra

O que é o ideal para recuperar a economia brasileira? Um ministro técnico ou um político?

Fábio Alves

20 de abril de 2016 | 11h51

Dos nomes que agora passaram a ser cogitados na bolsa de apostas para o Ministério da Fazenda, o melhor deles seria um ministro com perfil mais técnico ou político?

A questão tornou-se mais relevante após Joaquim Levy ter sido alçado ao comando da Pasta logo no início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

A reputação de Levy no mercado financeiro gerou um otimismo inicial que se evaporou ao longo de 2015 quando ficou evidente que, além da falta de um endosso inequívoco de Dilma ao que Levy se propunha a fazer em termos de ajuste fiscal, faltou traquejo político ao então ministro.

Não à toa ele foi derrotado sem muito esforço pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em votações importantes no Congresso.

Diante da recusa de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, para o cargo, o mercado passa a monitorar o noticiário em relação a três nomes: Murilo Portugal (presidente da Febraban), Henrique Meirelles (ex-presidente do BC) e o senador tucano José Serra.

Para um interlocutor desta coluna, Portugal seria “o melhor para o mercado”.

Já um prestigiado economista, em troca de mensagens com esta coluna, fez o seguinte comentário sobre Portugal:

“Murilo é pouco conhecido. Só gente velha como nós (isto é, inclusive este colunista) o conhece. Mas tem um baita currículo e acho que aprendeu a fazer política na Febraban.”

A fonte acima se referia ao episódio de quando Portugal sofreu críticas e ataques fortes do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega quando o governo Dilma forçou a queda dos spreads bancários. Depois daquele embate, muitos analistas consideraram que Portugal praticamente desapareceu do noticiário, adotando uma postura mais ‘low-profile’ do que o de costume.

Em relação a Henrique Meirelles, alguns analistas e investidores disseram que o ex-presidente do BC ficou um pouco “queimado” com o mercado em razão da sua atuação em 2010, quando o governo Lula já tinha dado uma guinada expansionista e heterodoxa no ano da eleição presidencial vencida por Dilma.

Também ninguém está comprando a versão de que, por ser próximo de Lula, Meirelles amenizaria as críticas do PT a um eventual governo Temer. Seria ingênuo pensar que o PT abriria mão de ser uma oposição ferrenha a um governo que teoricamente levou ao impeachment de Dilma e tirou o partido do poder, apenas porque Meirelles é próximo de Lula.

Já em relação a José Serra, um analista político comentou a esta coluna que há resistência ao nome do senador tucano por conta de seu posicionamento em relação ao Banco Central.

Desde o início do ano, Serra vem afirmando crer que o Brasil já se encontra num ambiente de dominância fiscal, o que, para muitos interlocutores, representaria uma postura monetária menos conservadora em termos de nível dos juros básicos do que exigiria a conjuntura atual.

Por outro lado, o prestigiado economista ouvido mais acima lembrou que se a prioridade absoluta do eventual governo Temer for um ajuste fiscal, Serra seria o “mais bem preparado” entre os três nomes cotados para adotar medidas que venham reequilibrar as contas públicas.

“Além do fato de Serra ser claramente o mais articulado politicamente entre os três candidatos mencionados até agora”, acrescentou o economista acima. Segundo este economista, até há pouco tempo, não se ouvia falar bem de Serra no mercado, mas que essa postura vem mudando.

Por enquanto, a dificuldade de Temer em montar uma equipe econômica de notáveis está ligada tanto à situação caótica da economia e do ambiente político em que seu eventual governo estaria mergulhado – ou seja, uma missão quase impossível para o ministro da Fazenda -, como também à relação ambígua entre o PMDB e o PSDB neste momento de transição, com vistas a 2018.

Na equação para a escolha do ministro da Fazenda será importante ver o núcleo de coordenação política de um eventual governo Temer, e quão sólida será a sua base aliada no Congresso.

Como a articulação política era o calcanhar de Aquiles de Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda teria que suprir isso com um cacife político que antes não era tão exigido do cargo. Ele podia ser simplesmente um ministro da Fazenda. Agora, não mais.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: