A eleição é do PMDB, mas guerra entre Dilma e  Cunha

A eleição é do PMDB, mas guerra entre Dilma e Cunha

Disputa pela liderança da maior bancada da Câmara terá repercussões no processo de impeachment da presidente Dilma e em votações de interesse do governo, como a CPMF

Fábio Alves

15 Fevereiro 2016 | 11h59

A presidente Dilma Rousseff enfrenta nesta quarta-feira, 17, um teste político que poderá definir o ano de 2016 para o governo: a eleição para escolher o novo líder do PMDB na Câmara dos Deputados. Sim, a eleição é do PMDB, mas faz parte da guerra travada entre Dilma e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

A disputa pela liderança da maior bancada da Câmara terá repercussões não somente no processo de impeachment da presidente Dilma, como também em votações de interesse do governo, como a CPMF e a propalada reforma da Previdência.

Mas não só isso: dependendo do resultado, a escolha do novo líder do PMDB na Câmara poderá mostrar o quão difícil será conseguir cassar o mandato de Cunha.

Ou seja, apesar de todo o desgaste da imagem do peemedebista, com a divulgação das denúncias de contas secretas e recebimento de propina no âmbito das investigações da Lava Jato, se Cunha conseguir eleger o seu candidato como novo líder do partido na Câmara, será uma demonstração inequívoca de força.

Foto: Wilton Júnior/Estadão

Foto: Wilton Júnior/Estadão

Obviamente que o destino de Cunha não depende mais de si e de seus aliados na Câmara. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda vai julgar o pedido feito por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, para cassar o mandato do peemedebista e retirá-lo do comanda da Câmara.

Não à toa essa eleição já virou uma guerra. O governo Dilma apoia Leonardo Picciani (PMDB-RJ), enquanto Cunha faz campanha para Hugo Motta (PMDB-PB).

Só para lembrar, o líder do partido indicará os membros do PMDB que vão compor a comissão do impeachment. Para Dilma, é importantíssimo contar com peemedebistas aliados para conseguir construir a maioria na comissão e tentar barrar o processo. Enquanto líder do PMDB na Câmara, Picciani fez indicações pró-governo, o que levou a toda polêmica que resultou na sua destituição, sendo substituído por Leonardo Quintão (PMDB-MG).

E para onde pende a eleição do líder do PMDB na Câmara?

“É difícil dizer hoje quem sairá vencedor, pois ainda não se sabe se a eleição será secreta ou aberta, uma vez que se o voto for secreto, é possível haver traições dos dois lados”, disse a esta coluna Cristiano Noronha, analista sênior da consultoria política Arko Advice.

Segundo Noronha, o governo tem uma moeda de troca importante, que é a Secretaria de Aviação Civil, cujo comando está vago desde que Eliseu Padilha deixou o cargo em dezembro de 2015.

Por outro lado, se Eduardo Cunha não tem cargos a oferecer, como tem a presidente Dilma, os peemedebistas ainda podem ver vantagem em eleger Hugo Motta, pois a vitória de um candidato oposicionista – ou mais independente do governo – poderá cacifar o valor do apoio de cada deputado do partido.

“Com a vitória de um candidato mais independente, o governo poderá ter de negociar mais com o PMDB e depender mais da ala governista dentro do partido”, explicou Noronha.

De qualquer forma, as movimentações de última hora nos bastidores devem ser cruciais para a definição do nome do novo líder do PMDB na Câmara.

Dela dependerão os cálculos dos analistas e investidores em relação ao processo de impeachment e também de votações importantes, como a da CPMF.

Para além disso, a eleição será um termômetro muito bom da demonstração de força do governo Dilma e de seu desafeto maior, Eduardo Cunha.

Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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