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As surpresas para a inflação de 2016

As projeções atuais contidas na pesquisa Focus, especialmente para o PIB e a inflação, pouco ajudam a quem quer traçar cenários para fechar orçamentos ou decisões de investimentos

Fábio Alves

05 de novembro de 2015 | 12h55

O quanto a inflação de 2016 pode surpreender e ficar muito acima das projeções dos analistas? E de onde vem o maior risco para a surpresa?

Na primeira pesquisa Focus divulgada neste ano pelo Banco Central, os analistas previam um alta de 6,56% para o IPCA deste ano, mas no último boletim essa estimativa já era de 9,91%.

Ou seja, as previsões do início do ano vão ficar aquém do resultado final em mais de três pontos porcentuais.

E a grande surpresa nesse desfecho é a incapacidade dos analistas de prever todo o reajuste dos preços administrados, especialmente as tarifas de energia elétrica.

Na primeira pesquisa Focus de 2015, a projeção era de alta de 7,85% para os preços administrados neste ano. No mais recente levantamento, os analistas acreditam que esses preços vão fechar 2015 com alta de 16,50% em média.

E para 2016, os preços administrados serão nova surpresa?

No último boletim Focus, a projeção é de que esses preços subirão 6,75% no ano que vem.

“A alta nos preços administrados, que deve chegar a 17,5% este ano, foi, de fato, a maior fonte de pressão para a inflação devido à forte correção nos preços das tarifas de energia elétrica, gasolina e transporte urbano, como as tarifas de ônibus”, disse a esta coluna Thiago Carlos, economista do banco suíço UBS. “Para 2016, apesar de ser consenso de que essa pressão deve ser menor – esperamos alta de 7,5% -, ainda existem riscos importantes que devem ser monitorados.”

Para ele, a desvalorização cambial, por exemplo, deve evitar uma queda nas tarifas de energia no próximo ano (a energia de Itaipu é cotada em dólar), aumentar o preço dos remédios e até levar a novas altas no preço dos combustíveis.

Outra fonte de risco, segundo o economista do UBS, vem da área fiscal.

“Não só o governo federal deve aumentar impostos para melhorar o orçamento – um possível aumento da Cide teria o maior impacto na inflação -, como também as dificuldades dos governos regionais devem levar à redução de subsídios, principalmente para transporte público, mesmo em ano eleitoral”, explica Carlos.

Nos cálculos de Marcelo Kfoury, superintendente do Departamento Econômico do Citi Brasil, os preços administrados devem subir 7,5% em 2016.

“Pode ocorrer surpresa nos administrados no caso de não se conseguir aprovar a CPMF e isso ser compensado com aumento da Cide”, afirmou Kfoury em conversa com esta coluna. “Pode haver também aumento de ICMS desses produtos dado a situação caótica da receita dos Estados.”

Para o índice de inflação como um todo, Kfoury disse que pode haver surpresa com a queda dos preços dos serviços, dado o hiato do produto estar negativo em cerca de 2%, segundo os cálculos dos economistas do Citi.

“Já para o lado altista, o risco é a indexação dos salários”, comentou Kfoury. “Fora essa questão de impostos, não acho que os administrados trarão surpresas.”

Kfoury projeta um reajuste de 10% no preço da gasolina e de 5,5% nas tarifas de energia elétrica em 2016. “Com a queda da bandeira vermelha, a eletricidade pode surpreender para baixo”, acrescentou.

Já Thiago Carlos, do UBS, disse esperar alta de 6% da energia elétrica em 2016.

“Mas já assumindo uma mudança da bandeira tarifária para verde em algum momento do próximo ano”, ressaltou. Para a gasolina, os economistas do UBS projetam um reajuste de 15%, assumindo uma provável alta da Cide.

“Porém, se houver uma desvalorização cambial maior do que o nosso cenário contempla – temos o dólar em R$ 4,20 no fim deste ano e R$ 4,30 no fim de 2016 -, o risco de uma alta maior nesses itens é grande”, disse o economista do UBS.

Para ele, a dinâmica da inflação de 2016 dependerá muito do sucesso do governo em encontrar uma solução para os problemas fiscais.

“Por exemplo, na ausência de um acordo político para aprovar reformas fiscais e restabelecer uma âncora fiscal, o câmbio poderia desvalorizar muito mais do que esperamos, o que manteria a inflação muito mais pressionada”, explicou.

Nesse cenário, não seria possível descartar uma inflação entre 8% e 9% em 2016, segundo o economista do UBS.

Ou seja, as projeções atuais contidas na pesquisa Focus, especialmente para o PIB e a inflação, pouco ajudam a quem quer traçar cenários para fechar orçamentos ou decisões de investimentos.

Fábio Alves é jornalista da Broadcast

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