Ata do Copom antecipa recado que BC dará no Relatório Trimestral de Inflação

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Ata do Copom antecipa recado que BC dará no Relatório Trimestral de Inflação

Fábio Alves

11 de junho de 2015 | 14h34

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Para quem achava que o Banco Central iria esmorecer no ciclo atual de aperto monetário após indicadores de atividade econômica mais fracos do que o esperado, em particular do mercado de trabalho, a ata da reunião do Copom, divulgada nesta quinta-feira, 11, dá um recado inequívoco:

O BC está mirando a inflação e as expectativas inflacionárias e vai perseguir a meta de 4,5% do IPCA ao fim de 2016 com determinação e perseverança. O BC fechou os olhos para a atividade econômica.

Foi essa mensagem que transpareceu ao BC divulgar uma ata praticamente idêntica ao teor do documento anterior.

A pouquíssima mudança no tom e no texto da ata surpreendeu muitos analistas, principalmente porque havia a expectativa de que o BC fizesse uma avaliação mais sombria das condições do mercado de trabalho e da própria atividade econômica como um todo.

Mas isso não aconteceu.

Nesse sentido, quem estava esperando uma pausa no ciclo de aperto monetário, agora será forçado a refazer a sua aposta.

Mais ainda: quem já esperava uma desaceleração do aperto para um ritmo de alta de 0,25 ponto porcentual na reunião do Copom de julho, agora está atribuindo uma probabilidade maior de elevação de 0,50 ponto.

É o caso de um interlocutor desta coluna no Rio de Janeiro, que agora acredita que a probabilidade de alta de 0,50 ponto da taxa Selic passou para 60% no Copom de julho.

Já outro interlocutor desta coluna, baseado em São Paulo, foi além:

“Mais do que sinalizar uma alta de 0,50 ponto no próximo Copom, o que o BC fez, com a ata de hoje, foi tentar desarmar algumas análises que consideravam que, no Relatório Trimestral Inflação (RTI) de junho, o BC poderia trazer uma projeção de inflação de 4,5% em 2016 e, portanto, sinalizar o fim do ciclo de aperto”, afirmou a fonte acima.

Por esse raciocínio, o BC estaria antecipando na ata de hoje um recado ainda de perseverança que talvez fosse repetir no texto do RTI a ser publicado no final deste mês.

Sem se importar para a anemia crescente na atividade econômica, o BC quer realmente fazer com que analistas e investidores reduzam suas projeções para o IPCA em 2016.

Na mais recente pesquisa Focus, a mediana das estimativas para o IPCA em 2016 permanece teimosamente em 5,50%, apesar do recente discurso bem mais “hawkish” (duro em relação ao aperto monetário) do BC. Já a estimativa de médio prazo do Top 5 – o grupo que mais acerta essa projeção – seguiu em 6% para 2016 pela quarta semana consecutiva.

Desse modo, o recado do BC na ata não podia ser mais claro: são as expectativas inflacionárias e não a atividade econômica a prioridade da autoridade monetária neste momento. Ou seja, o BC considera que a projeção de inflação do mercado ainda está muito alta para o seu conforto.

E se para isso tiver que aumentar a Selic em 0,50 ponto para 14,25%…

Outro indício de que não vai esmorecer na sua postura “hawkish” foi a redução da rolagem dos contratos de swaps para 75%, ao invés de 80% até então.

No passado, o BC costumava usar o câmbio para subir menos a taxa básica de juros.

Agora, não mais.

Aproveitando que o fim do ciclo não está necessariamente próximo do fim – o que levaria a uma apreciação do câmbio – o BC se antecipou e reduziu a rolagem dos swaps. Isso porque com um câmbio mais apreciado, puxado por taxa de juros mais alta, a atividade econômica poderia sofrer no sentido de exportações afetadas negativamente.

Ou seja, a ata mais “hawkish” fez o BC reduzir a rolagem dos swaps ao longo do mês, algo que não é comum.

Assim, pode custar caro para quem duvidar desta vez da determinação do BC em atingir seu objetivo.

Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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