Banco Central sinaliza que teto para alta dos juros é 14,50%

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Banco Central sinaliza que teto para alta dos juros é 14,50%

Fábio Alves

24 de junho de 2015 | 11h52

Foto: André Dusek/Estadão

Foto: André Dusek/Estadão

Pelas projeções de inflação e de Produto Interno Bruto (PIB) contidas no Relatório Trimestral de Inflação (RIT), divulgado nesta quarta-feira, o Banco Central sinaliza que o aperto monetário não acabou na reunião do Copom de junho, mas deixa a entender que o teto para a taxa Selic no atual ciclo é de 14,50%.

O BC revisou sua estimativa, pelo cenário de referência, para a inflação em 2016 de 4,9% para 4,8%, ainda acima da meta de 4,5%. No cenário de mercado, a previsão de alta de 5,1% para o próximo ano foi mantida. Significativa também foi a revisão para o IPCA deste ano: passou de 7,9% para 9%, no cenário de referência.

Já em relação ao PIB, o BC agora prevê que haverá uma contração de 1,1% neste ano, em comparação à estimativa anterior de queda de 0,5%.

Ainda assim, o BC está mais otimista do que o mercado: na última pesquisa Focus, a projeção é de queda de 1,45% do PIB.

A mensagem do documento publicado hoje é de que houve avanços importantes no controle das expectativas inflacionárias num horizonte mais à frente, como reflexo da resposta recente de política monetária do BC, apesar do choque significativo que está se observando na inflação corrente.

Isso diz que o BC está agora num processo de sintonia fina do aperto monetário, já que a projeção de 4,8% do IPCA para o fim de 2016 não está tão distante da meta de 4,5%, levando-se em conta que o BC está bem mais otimista do que o mercado na sua estimativa para o PIB deste ano.

E por sintonia fina explica-se: os juros precisam ainda subir, mas não muito mais. No máximo, mais 0,75 ponto porcentual, o que levaria a Selic a 14,50%. Mas esse seria o teto absoluto, uma vez que, até a reunião do Copom de julho, muitos indicadores de atividade serão divulgados. E se esses indicadores seguirem decepcionando o mercado e o governo, o ímpeto de uma alta adicional mais forte dos juros básicos pode arrefecer.

Por outro lado, ao estimar uma queda do PIB ainda aquém em relação ao que foi estimado na mais recente pesquisa Focus, o BC dá uma mensagem relativamente “dovish” (menos inclinada ao aperto), até porque na hora de revisar a projeção de inflação para 2015 – em 9% – o BC se aproximou da mediana das projeções na Focus para o IPCA.

Se a projeção de queda do PIB do mercado, de 1,45%, estiver certa, a estimativa de contração de 1,1% da economia que tem o BC terá de convergir para o número da Focus. Tudo o mais constante, a projeção de inflação do BC, ao incorporar um hiato do produto mais aberto, terá de cair.

Ou seja, se se confirmar que a inflação deste ano será 9% e o PIB vai cair mais do que o 1,1% estimados pelo BC, a projeção de 4,8% para 2016 contida no RTI deverá cair, mesmo se a taxa Selic for mantida ao redor dos atuais 13,75%.

Mas até a reunião do Copom de julho, o ambiente macroeconômico e político pode mudar e muito.

Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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