Com menos de 30 votos hoje, a casa cai para Dilma?

Resultado da votação hoje da comissão especial do impeachment terá impacto sobre os preços no mercado financeiro

Fábio Alves

11 de abril de 2016 | 11h28

O resultado da votação hoje da comissão especial do impeachment terá impacto sobre os preços dos ativos: quanto menos votos o governo tiver, mais otimistas ficarão os investidores sobre a aprovação do impedimento da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados.

Levantamento feito pela consultoria Arko Advice, enviado na noite de domingo aos clientes, mostra que há 33 deputados dispostos a votar pela aprovação do parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), 22 são contra e dez estão indecisos.

Na opinião de um renomado executivo do mercado financeiro, se o governo conseguir menos do que 30 votos na comissão, os investidores vão interpretar isso como um sinal de fraqueza em antecipação a votação no plenário.

“O mercado está atento para ver quantos votos o governo conseguirá, ou seja, há muita gente atribuindo um valor grande ao placar final da comissão do impeachment”, comentou a fonte acima. “Se o resultado for bem abaixo de 30 votos, o mercado vai reagir.”

Nesse sentido, espera-se então que a maior parte dos dez deputados que ainda se declararam indecisos no levantamento da Arko Advice acabe se bandeando para a corrente pró-impeachment.

Aliás, a votação da comissão poderá ratificar o otimismo observado na sexta-feira, quando a Bovespa disparou 3,67%, superando os 50 mil pontos, e o dólar recuou 2,4% – maior queda desde 17 de março – a R$ 3,5971.

O mercado ficou animado com a notícia sobre a mudança de opinião do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que passou a recomendar a anulação da posse de Lula como ministro da Casa Civil. Isso porque, no seu parecer, Janot viu “desvio de finalidade” na nomeação feita pela presidente Dilma e que o ato foi uma manobra para tumultuar a Lava Jato.

Essa notícia – combinada com o vazamento de trechos da delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez, que disseram que a empreiteira pagou R$ 150 milhões em propinas em formas de doações à campanha eleitoral de Dilma em 2010 e 2014 – moveu o pêndulo a favor dos que querem o impeachment da presidente.

Dessa forma, se o governo conseguir uma votação baixa hoje na comissão especial do impeachment, a interpretação será a de que o Palácio do Planalto está tendo dificuldades maiores do que o previsto na negociação de cargos em troca de votos com partidos e parlamentares.

Reforçou esse sentimento do mercado a informação ontem de que nove diretórios regionais do Partido Progressista (PP) decidiram apoiar o impeachment, apesar de o presidente do partido, Ciro Nogueira, ter anunciado na semana passada que o PP seguiria na base aliada.

Esse pode ser um golpe e tanto na batalha do governo para barrar o impeachment no plenário da Câmara.

Para aprovar o processo, a oposição precisa de 342 votos. No fim da noite de ontem, levantamento realizado pelo Grupo Estado mostra que o número de votos a favor do impeachment da presidente Dilma passou de 287 para 291. Os votos contra permaneceram em 115. Até então, havia ainda 61 indecisos e 46 não responderam.

A nova posição de Rodrigo Janot em relação à posse de Lula como ministro pode ter influenciado a mudança de deputados para engrossar a corrente dos que votam a favor do impeachment.

Essa mudança de opinião do procurador-geral da República em relação a Lula enfraqueceu e muito a capacidade de negociação do Palácio do Planalto e do próprio ex-presidente com os partidos e parlamentares.

O reflexo dessa decisão de Janot poderá ser comprovado ou não no placar de votos da comissão especial de impeachment.

Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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