Copa influi pouco na economia, mas pode pesar na política

Fábio Alves

20 de maio de 2014 | 15h24

SÃO PAULO – O impacto da Copa do Mundo de futebol na economia brasileira deverá ser reduzido, mas um eventual fracasso na organização do evento poderá trazer prejuízo ao índice de aprovação do governo.

A conclusão consta de um relatório enviado a clientes pelos economistas Guilherme Loureiro e Thiago Carlos do banco suíço UBS, sobre o evento esportivo que será sediado no Brasil de 12 de junho a 13 de julho.

“A Copa do Mundo de futebol poderá afetar alguns indicadores econômicos temporariamente (produção industrial, balanço de pagamentos e inflação), mas evidência empírica sugere que esses grandes eventos esportivos têm um impacto limitado de médio a longo prazo nas economias dos países sede”, escreveram Loureiro e Carlos na nota a clientes.

No caso do Brasil, ressaltaram eles, esse impacto poderá ser ainda menor em razão de três fatores: a grande dimensão geográfica do Brasil; o fato de que o investimento será restrito a certas cidades e Estados; e apenas uma pequena parcela do investimento direto é direcionada para assegurar uma infraestrutura adequada.

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Sem-tetos da ocupação ‘Copa do Povo’, em Itaquera:  governo pode pagar preço político, dizem analistas (Foto: /Robson Fernandjes/Estadão)

Eleições. “No front político, acreditamos que uma vitória (ou derrota) da equipe brasileira na competição não deverá ter impacto direto significativo no desfecho da eleição presidencial”, afirmaram Loureiro e Carlos.

“Contudo, se a organização da Copa do Mundo provar um fracasso como evento esportivo para o Brasil, poderá manchar a imagem do governo e funcionar como um catalisador para reavivar os protestos sociais, o que poderá amplificar o impacto sobre a popularidade do governo.”

Sobre esse último efeito político, o relatório dos economistas do banco UBS lembrou que uma pesquisa de opinião recente da CNT/MDA mostrou que a rejeição dos investimentos feitos para a Copa Mundo atingiu quase 76% dos eleitores.

“Se o evento provar ser um fracasso, isso poderá deflagrar finalmente um retorno dos protestos de rua, como aconteceu em meados de 2013”, observaram os economistas. Eles ressaltaram que veem monos espaço para uma deterioração na popularidade do governo agora em relação há um ano, uma vez que o índice de aprovação de Dilma agora tem o suporte dos eleitores mais fiéis do PT.

No relatório a clientes, Loureiro e Carlos citaram um estudo conjunto feito pela consultoria Ernst&Young Terco e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o qual previu que o impacto positivo da Copa do Mundo de 2014 seria de um total de R$ 142 bilhões entre 2010 e 2014, ou 0,6% do PIB ao ano.

Contudo, disseram os economistas do UBS, a maior parte desse impacto seria indiretamente. “Na realidade, apenas R$ 22, 5 bilhões (0,1% do PIB ao ano) foram estimados como sendo investimentos diretos para assegurar uma infraestrutura e organização adequadas do evento”, afirmaram Loureiro e Carlos.

Inflação. Entre outros impactos macroeconômicos, os economistas do UBS citaram os efeitos da Copa do Mundo sobre a inflação.

“No lado da inflação, acreditamos que a Copa do Mundo irá afetar em algum grau a sazonalidade observada em junho, julho e agosto, mas provavelmente não terá nenhum impacto sobre a inflação do ano inteiro”, escreveram os economistas do UBS.

Segundo eles, a inflação de serviços (passagens aéreas, hotéis e restaurantes) provavelmente subirá durante a duração do evento, mas deverá desacelerar após o término da Copa do Mundo.

Eles estimam um aumento de 0,15 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho em razão apenas do impacto da Copa do Mundo, mas isso será seguido de uma queda de 0,10 ponto em julho e 0,05 ponto em agosto.

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