Crescente risco de recessão mundial

Até mesmo a nova projeção para o PIB mundial do FMI, revisada para crescimento de 3,2% em 2016, foi considerada otimista por vários analistas

Fábio Alves

13 de abril de 2016 | 10h49

As novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e do Brasil ganharam as manchetes da imprensa, mas o que os investidores estão focando, em particular nos preços das ações em bolsas de valores de vários países, é o crescente risco de uma recessão global.

Num dos gráficos incluídos no World Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial, em inglês), o FMI elevou a probabilidade de uma recessão nos Estados Unidos ao longo dos próximos 12 meses para mais de 20%, em comparação com menos de 20% no documento publicado em janeiro. Para o Japão, o FMI vê um risco de recessão ao redor de 40%. Na zona do euro, esse porcentual é de quase 35%.

Até mesmo a nova projeção para o PIB mundial do FMI, revisada para crescimento de 3,2% em 2016, foi considerada otimista por vários analistas.

Os economistas do banco americano J.P Morgan, por exemplo, ressaltaram em nota a clientes que a projeção de 3,2% para o crescimento da economia mundial é um número agregado com base numa taxa de câmbio para medir o PIB usando o PPP (Purchasing Power Parity, ou “paridade do poder de compra”, em inglês).

Para os analistas do J.P. Morgan, usar um câmbio com base no PPP acaba inflando o PIB dos países emergentes em comparação com o dos países desenvolvidos.

Ao utilizar uma taxa de câmbio praticada nos mercados globais, o J.P. Morgan chegou a uma projeção de crescimento da economia global de 2,4% em 2016.

Aliás, em relação ao risco de recessão, o J.P. Morgan tinha até a semana encerrada em 1º de abril uma probabilidade de 28% de ocorrer uma recessão em 12 meses, conforme um indicador macroeconômico calculado pelo banco, que leva em conta, entre outros fatores, as vendas de automóveis e índices de sentimento dos consumidores.

Em março, outro banco americano – o Morgan Stanley – também elevou a probabilidade de uma recessão global. O Morgan Stanley vê uma chance de 30% de ocorrer uma recessão na economia mundial.

Mais ainda: os analistas do Morgan Stanley alertam que a recessão observada nos lucros das empresas ainda não acabou. Segundo eles, a recessão nos lucros das empresas com ações negociadas em bolsas começou no final de 2013 para os mercados emergentes e em fevereiro para os mercados desenvolvidos.

Desde então, segundo os analistas do Morgan Stanley, os lucros caíram em média 14,6% nos mercados emergentes e 9,5% nos mercados de países desenvolvidos. Das 30 maiores bolsas que compõem o índice MSCI ACWI, o Morgan Stanley calcula que os lucros seguem em queda em 29 países. A exceção é a Suíça.

E o banco alemão Deutsche Bank ressaltou recentemente em nota a clientes que o Índice de Ansiedade para os Estados Unidos (ou “The Anxious Index”, que mede a probabilidade de uma queda no PIB real no trimestre seguinte) está ao redor de 15% neste ano, depois de se manter estável em 10% ao longo de 2014 e 2015.

Segundo o economista-chefe para os Estados Unidos do Deutsche Bank, Joseph A. LaVorgna, quando os economistas dizem que há uma probabilidade de 30% de uma recessão, a economia já está, de fato, em recessão.

Ou seja, com base em todas essas projeções e análises do FMI e de vários bancos de investimentos, não dá para dizer que os Estados Unidos ou a economia mundial entrarão em recessão em 2016.

Todavia, a mensagem que interessa é a seguinte: qual o impacto sobre as autoridades monetárias internacionais – em especial, os diretores do Federal Reserve (Fed) – da crescente probabilidade de uma recessão?

O Fed já reduziu de quatro para duas a sua estimativa de elevações da taxa básica de juros nos Estados Unidos em 2016. Muitos investidores já acreditam que o Fed não vai mais aumentar os juros americanos neste ano.

O mercado passará a monitorar como as autoridades monetárias vão tratar o tema da recessão daqui em diante.

Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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