Dá para Dilma reverter o jogo até domingo?

Tempo para Planalto reverter situação é curto; que tipo de notícia poderia vir à tona que mude a dinâmica pró-impeachment?

Fábio Alves

12 de abril de 2016 | 11h54

O curto espaço de tempo até a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados – esperada para domingo, dia 17 – praticamente inviabiliza a virada do jogo pelo Palácio do Planalto.

A não ser que aconteça algum desenrolar inesperado a favor do governo, alguma notícia que corroa a tese dos que querem o afastamento da presidente ou que injete um fôlego final ao Palácio do Planalto para atrair votos contra o impeachment.

Que tipo de notícia poderia vir à tona que mude a dinâmica pró-impeachment?

Um pacote de medidas para ressuscitar a economia poderia ser recebido com alguma credibilidade pelo mercado e pela sociedade em geral?

Desde quinta-feira, o noticiário político e criminal (leia-se Lava Jato) joga contra o governo.

Hoje, por exemplo, foi preso o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) na 28ª fase da Operação Lava Jato. Argello é muito próximo da presidente Dilma e de vários assessores palacianos. Dilma, inclusive, indicou o ex-senador para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2014.

Até a votação do plenário, no domingo, não se espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) tome uma decisão em relação à posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo de ministro da Casa Civil, hoje suspensa por liminar do ministro Gilmar Mendes.

Uma reversão dessa liminar antes de domingo poderia até dar algum fôlego às negociações do governo por votos contra o impeachment em troca de cargos.

Mas o resultado da votação da comissão ontem, que aprovou o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) por 38 votos contra 27, reforçou a noção de que os partidos alvos do Palácio do Planalto (PP, PR e PSD, por exemplo) não se renderam completamente pela oferta de cargos no governo, cuja negociação vem sendo comandada por Lula.

Esses partidos estão divididos no apoio pró e contra impeachment, mas o mais provável é que a adesão ao governo diminua à medida que muitos parlamentares considerarem que a aprovação do processo pelo plenário será irreversível. Especialmente se tiverem de dar seu voto com transmissão ao vivo pelas redes de televisão e com eventuais manifestações País afora contra o governo.

Além disso, a aprovação da admissibilidade do impeachment pela comissão especial torna fato o que era apenas incerteza para uns e esperança para outros, o que aumenta o impulso a favor da aprovação do impedimento pelo plenário da Câmara.

Nesse sentido, o “vazamento” do áudio de um discurso de vitória do vice-presidente Michel Temer serviu apenas como pretexto por governistas desesperados por reforçar a tese de “golpe”. Mas também pode ter como efeito prático mirar os deputados ainda indecisos sobre como votar no plenário, numa tentativa de mostrar que um eventual governo Temer estará mais aberto ao diálogo com o Congresso.

Assim, corre contra o Palácio do Planalto o tempo para reverter uma dinâmica que lhe é desfavorável para a votação no plenário.

Para o mercado, descontando a possibilidade de o governo recorrer ao STF para questionar a tramitação do processo de impeachment e atrasar o seu avanço, a atenção deve progressivamente focar no placar do impedimento no Senado.

O ambiente político é negativo para o governo. O tempo é curto. A Lava Jato agrava a situação. E o ex-presidente Lula, antes o salvador da pátria, não conseguiu reverter o jogo até agora. O elemento surpresa ainda pode ser uma decisão do STF em favor do governo, mas isso não está no cenário dos investidores, por enquanto.

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