De olho na equipe econômica de Temer

De olho na equipe econômica de Temer

Lua de mel que Temer terá com o mercado poderá ser mais longa ou mais curta dependendo das medidas que seu governo propuser para reequilibrar as contas públicas

Fábio Alves

18 de abril de 2016 | 09h12

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Passada a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara de Deputados, o mercado financeiro volta o seu foco nesta segunda-feira para uma nova obsessão: os nomes da equipe econômica de Michel Temer.

Isso porque ninguém no mercado crê na possibilidade de o Senado não aceitar a denúncia da Câmara, afastando a presidente Dilma por 180 dias até o julgamento final desse processo.

A lua de mel que Temer terá com o mercado poderá ser mais longa ou mais curta dependendo das medidas que seu governo propuser para reequilibrar as contas públicas e corrigir os desequilíbrios macroeconômicos herdados da gestão Dilma Rousseff.

Mas antes de os investidores se animarem ou frustrarem com o que o peemedebista anunciar em termos de ajuste macroeconômico, a primeira sinalização que interessa ao mercado é a composição do seu ministério.

Não apenas pelo potencial de um choque de confiança com o anúncio de nomes de peso para a sua equipe, mas também pela ideia de como poderá ser a base aliada de um eventual governo Temer.

Terá o peemedebista o apoio mais substancial do PSDB?

Conseguirá Temer reaglutinar uma coalização mais coesa para conseguir aprovar medidas importantes no Congresso ou terá que recorrer a uma base fragmentada como tem sido a de Dilma?

A apreciação pelo Senado da denúncia aprovada pela Câmara, que precisa apenas de maioria simples para acatá-la, está prevista para o dia 10 de maio.

Até lá, Michel Temer não terá a caneta em mãos no comando do País, mas terá o poder de influenciar a cotação do dólar e das ações na Bovespa, além dos preços de outros ativos brasileiros.

Qualquer indicação sobre o nome do futuro ministro da Fazenda, em especial, poderá sustentar ou reverter o rali do impeachment, observado nas últimas semanas.

Na sexta-feira passada, a Bovespa encerrou o pregão em alta de 1,56%, batendo 53.227,74 pontos. Nos primeiros 15 dias de abril, a Bolsa teve ganho de 6,34%. Em 2016, acumula ganho de 22,79%.

O dólar recuou 1,81% frente ao real nas duas primeiras semanas de abril, acumulando perda de quase 11% em 2016. Na sexta-feira, a moeda americana subiu, mas isso foi devido à atuação do Banco Central, ofertando contratos de swap reverso.

Qual o risco de, aprovado o impeachment na Câmara, os preços dos ativos terem uma reação “sobe no boato, cai no fato”?

“O risco sempre existe, em particular porque uma parte do ‘fato’ foi para o preço”, disse a esta coluna um gestor de fundos. Mas como ainda existia na sexta-feira o risco de o impeachment não ser aprovado, muitos investidores estavam fora ou abaixo do seu risco potencial, acrescentou o gestor. “Isso indica que uma realização, se houver, será temporária.”

Para ele, os seguintes elementos vão concentrar a atenção dos investidores: a confirmação pelo Senado do afastamento da presidente e os nomes para os ministros da área econômica do governo Temer.

“Neste momento, nomes são mais importantes, pois em geral, sabe-se bem o que cada ‘notável’ na área econômica pensa hoje em dia”, explica o gestor. “Sua nomeação indicaria uma forte indicação da agenda a ser seguida pelo novo governo Temer.”

Um economista-chefe de um banco estrangeiro observou, em conversa com esta coluna, que “uns 90%” da aprovação do impeachment já estavam precificados nos ativos brasileiros.

“O próximo rali vai acontecer quando Temer começar a montar a equipe dele”, afirmou o economista do banco estrangeiro. “O comportamento do dólar está mais errático com a interferência do Banco Central e com o desmanche de grande posições compradas. A bolsa está operando mais de acordo com as probabilidades do impeachment.”

No curto prazo, o eventual governo Temer não terá muito espaço ou tempo de sobra para frustrar os investidores, uma vez que enfrentará uma ruidosa oposição tanto pelo PT quanto pelos movimentos sociais e sindicais de esquerda.

Para os interlocutores desta coluna, os nomes dos ministros da Fazenda e do Planejamento serão importantes, assim como a escolha de um novo presidente do Banco Central. A ver.

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