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Dúvidas põem comunicado do Copom em xeque

Banco Central se reúne semana que vem para decidir juro e mercado espera novos sinais sobre os rumos da política monetária

Fábio Alves

19 de novembro de 2015 | 13h41

O Banco Central não terá como escapar de dirimir na reunião do Copom, marcada para a próxima semana, dúvidas que pairam sobre o mercado financeiro e que põem em risco o seu objetivo tantas vezes adiado de trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2017.

Uma das dúvidas que ainda persistem é se foi correto o entendimento de vários analistas da entrevista dada por Altamir Lopes, diretor de política econômica, no início deste mês, durante a apresentação do boletim regional da instituição, de que o BC tem 6,5% como limite nos seus modelos de projeção da inflação em 2016, acima do qual deflagraria uma retomada do aperto monetário.

Como as expectativas inflacionárias para 2016, conforme a última pesquisa Focus, já se encontram em 6,5% (com as projeções do Top 5 acima disso), o BC teria que agir – ou seja, subir juros – até abril do ano que vem para conseguir evitar que a inflação ultrapasse esse limite, uma vez que a aperto monetário leva entre seis e nove meses para fazer efeito.

E se o BC for agir até abril do ano que vem, será preciso começar a sinalizar isso para o mercado, o que implicaria retirar a expressão “período suficientemente prolongado” do comunicado do Copom da próxima semana. Essa expressão foi incluída para indicar que a taxa Selic permanecerá inalterada em 14,25% por um tempo indefinido.

A origem do problema é que o BC tinha o alvo de trazer a inflação para a meta de 4,5% ao fim de 2016 e durante muito tempo fez declarações peremptórias a esse respeito.

Quando o ajuste fiscal originalmente proposto pelo ministro Joaquim Levy foi desfigurado, a recessão erodiu a arrecadação tributária e o governo foi obrigado a quitar as pedaladas fiscais, deixando um rombo de bilhões no resultado primário de 2015, controlar as expectativas inflacionárias apenas no gogó não surtiu mais efeito e, com isso, o BC teve de jogar a toalha e adiar o seu objetivo de atingir a meta para 2017.

Daí, surgiu outra dúvida no mercado: quando exatamente em 2017?

Isso porque o BC, mais uma vez, não foi explícito sobre qual seria o novo alvo. Não disse se seria no início, no meio ou no fim de 2017 – ao contrário do que havia dito para 2016, que era claramente no fim do próximo ano.

Por default, os analistas consideraram que o BC quis dizer o fim de 2017.

Consequentemente, o mercado também passou a se perguntar se o BC teria um objetivo intermediário em 2016. E foi isso que entendeu na entrevista do Altamir Lopes, a qual muitos não têm a transcrição e, portanto, não a consideram como “lei”.

Mas já que o BC ainda não veio a público falar com todas as letras se tem um objetivo intermediário em 2016, os analistas se guiam pelo princípio do regime de metas de inflação: que o teto da meta é 6,5%. Implicitamente – hoje – esse é o “threshold” que os analistas acreditam a que Altamir se referia.

Essas hipóteses do mercado estão certas, Banco Central?

A resposta estará, de um jeito ou de outro, no comunicado da reunião do Copom na próxima semana.

Mesmo que o BC não suba os juros nesta reunião, terá que abandonar a expressão “período suficientemente prolongado” do comunicado desde já se for agir entre agora até abril do ano que vem. Novamente, se o BC quiser evitar que a inflação de 2016 não ultrapasse 6,5%.

Outra dúvida que persiste é: se o governo aumentar a alíquota da Cide para compensar a queda de receita e uma eventual não aprovação da CPMF, irá o BC tolerar esse choque adicional nos índices de preços ou não?

Se não, como o mercado entendeu que foi o recado de Tony Volpon, diretor de assuntos internacionais do BC, então os juros devem subir.

Teria, contudo, o BC condições de elevar mais ainda os juros em meio à grave recessão econômica?

Há quem diga que não. Que o custo/benefício é desfavorável.

Mas teria condições de o BC não elevar os juros e ainda assim conseguir fazer as expectativas inflacionárias convergirem para 4,5% em 2017, seu novo alvo?

Uma renomada economista brasileira, que conversou em “off the record” com esta coluna, diz que isso não é possível, ao menos com o BC sob a liderança de Alexandre Tombini.

O presidente do BC já não teria mais a credibilidade para convencer o mercado de que a inflação ficaria em 6,5% em 2016 e cairia para 4,5% em 2017, segundo ela.

Isso seria possível numa eventual troca de comando do BC – num cenário hipotético de substituição de Joaquim Levy por Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda.

Na visão da economista, se para o lugar de Tombini fosse nomeado um Afonso Bevilaqua, ex-diretor de Política Econômica do BC, ou um Mario Mesquita, que também ocupou a Diretoria de Política Econômica da instituição, o mercado teria mais confiança em apostar na adoção de uma meta ajustada de 6,5% para 2016 e de 4,5% para 2017, mesmo com os juros estacionados em 14,25%.

Já um famoso economista brasileiro ponderou que, apesar de o “track record” de Tombini não ser “dos mais abonadores” em termos de credibilidade, o descontrole das expectativas inflacionárias para 2016 ocorreu a partir do momento que a política fiscal começou a afundar.

“O problema agora não é do Tombini e sim da perspectiva fiscal”, disse o economista. “Já passou da época em que o principal problema era a credibilidade ou não do BC: isso é um problema acessório em um ambiente onde se tem dúvida grande sobre a trajetória fiscal do País.”

Na próxima reunião do Copom, todavia, Tombini colocará em jogo a disposição do mercado de acreditar ou desconfiar de seu novo objetivo para 2017.

Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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