Entra Meirelles na Fazenda, sai Tombini do Banco Central?

Entra Meirelles na Fazenda, sai Tombini do Banco Central?

Na visão do mercado, da mesma forma que Levy está desgastado no cargo, Tombini sofre igualmente para reconquistar a credibilidade da política monetária

Fábio Alves

13 de novembro de 2015 | 12h19

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Uma eventual substituição de Joaquim Levy por Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda na virada do ano também poderia levar a uma mudança importante no Banco Central: Alexandre Tombini provavelmente deixaria o comando da instituição, segundo apostas de interlocutores desta coluna.

Da mesma forma que Levy está desgastado no cargo, Tombini sofre igualmente para reconquistar a credibilidade da política monetária, na visão de um importante interlocutor desta coluna, que pede anonimato.

E como o maior impacto positivo da troca de Levy por Meirelles seria um choque de credibilidade de toda a equipe econômica – mais do que propriamente novas medidas que o ex-presidente do BC no governo Lula poderia adotar -, a saída de Tombini completaria o pacote.

É unânime entre os analistas ouvidos por esta coluna que Meirelles pouco faria diferente na gestão da economia brasileira no lugar de Levy. Ninguém acredita que o ex-presidente do BC deixaria de perseguir um ajuste fiscal e abriria as torneiras do crédito. Assim, o que se conseguiria com a troca de nomes da equipe econômica é reconquistar a confiança dos agentes econômicos.

Todavia, Meirelles teria que buscar o substituto de Tombini no mercado para conseguir esse choque de credibilidade no BC. Não há internamente hoje na autoridade monetária nenhum nome que pudesse causar esse efeito no mercado financeiro.

Contra Tombini, pesa durante toda a sua gestão a acusação de que o BC sofre ingerência política.

Para citar apenas um exemplo, muitos analistas e investidores viram como interferência da presidente Dilma Rousseff o cavalo de pau dado nos juros em 30 de agosto de 2011, quando o BC – sem nenhuma calibragem das expectativas – cortou a taxa Selic, pondo fim ao aperto monetário até então sem nenhuma pausa.

Quantas vezes a sinalização dada pelo BC em atas ou comunicados do Copom sobre os próximos passos da política monetária tiveram uma vida útil de apenas entre uma e outra reunião do Copom?

Não à toa que a taxa Selic já se encontra em 14,25%, após um aperto de 3,25 pontos porcentuais desde outubro do ano passado, e as expectativas inflacionárias continuam subindo. Tanto que o BC adiou mais uma vez o objetivo de trazer a inflação para a meta de 4,5%, agora mirando 2017.

A troca de nomes da equipe econômica – possivelmente incluindo o Ministério do Planejamento – seria uma forma de injetar um novo ânimo na interlocução dessa equipe com empresários e políticos, especialmente.

“Às vezes tem um jogador bom que se cansou e está se arrastando no campo, então é preciso a entrada de outro jogador bom, que venha com fôlego novo”, diz um interlocutor desta coluna, referindo-se à troca de Levy por Meirelles.

As batalhas para aprovar as medidas do ajuste fiscal no Congresso teriam exaurido Levy, que já não consegue ter mais capacidade de interlocução pelas próprias arestas geradas nesse processo, além de banqueiros, seu habitat natural, segundo a fonte. Meirelles teria um alcance no empresariado muito além dos bancos.

“Joaquim não tem mais capacidade de interlocução: é muito mais uma questão de como você consegue viabilizar a adoção de um conjunto de medidas, via articulação política, do que o conjunto de medidas per se que o Joaquim quer implementar”, explica outro influente interlocutor desta coluna.

Sobre uma saída de Tombini do cargo, caso Meirelles assuma o Ministério da Fazenda, a fonte acima argumenta que o presidente do BC está desgastado na luta contra a inflação.

“É preciso de sangue novo no Banco Central”, afirma o interlocutor. “Uma troca no BC poderia maximizar o efeito Meirelles de que o governo está ‘sob nova direção’ e animar o mercado”, explica.

Para isso, o novo presidente do BC teria que vir de fora da instituição, acrescenta.

O problema dessa questão de troca de Levy por Meirelles e a saída de Tombini do BC é o pano de fundo do governo Dilma: a fraqueza política e a profunda recessão.

Nesse contexto, essa troca da equipe econômica seria a última bala de prata de Dilma Rousseff.

Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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